Compradores dos EUA reduzem pedidos de madeira brasileira em um terço antes de novas tarifas
ago, 04, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202632
Exportadores brasileiros de madeira embarcaram US$ 855,2 milhões no primeiro semestre de 2026 em dez das principais linhas de exportação do setor, enquanto as vendas aos Estados Unidos caíram um terço antes da entrada em vigor da nova tarifa de 25% imposta por Washington, em 22 de julho.
Os dados são de Gustavo Milazzo, CEO da plataforma de exportação WoodFlow. A análise, baseada em registros do Comex Stat, mostra que o resultado do semestre ficou 8% abaixo dos US$ 929,5 milhões exportados nos mesmos meses do ano passado.
Washington poupou boa parte dos produtos que o Brasil efetivamente vende ao mercado americano. A notificação final da Seção 301, publicada pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos, deixou de fora toras tropicais, madeira serrada, lâminas e compensados, além da maior parte dos tipos de celulose. Produtos já enquadrados em categorias específicas da Seção 232 também escapam da nova cobrança, mantendo as principais linhas exportadas aos EUA nas tarifas que já incidiam sobre elas, segundo informações obtidas pela Wood Central.
No mercado interno, as serrarias encontraram um ambiente mais fraco em junho. O índice de preços ao produtor no Brasil caiu 0,77%, no segundo recuo mensal consecutivo, e seis das 24 atividades industriais acompanhadas pelo IBGE registraram queda de preços. A indústria moveleira, uma das maiores compradoras domésticas de painéis brasileiros, seguiu em direção oposta: os preços do setor subiram 2,08% no mês e acumulavam alta de 7,68% em 12 meses.
O compensado de pinus continua sendo o principal produto brasileiro de madeira vendido aos Estados Unidos, com US$ 151 milhões no semestre e US$ 27 milhões apenas em junho. A madeira serrada de pinus aparece logo atrás, com US$ 143,3 milhões no acumulado do semestre e US$ 24,3 milhões em junho.
Milazzo afirmou que muitas fábricas brasileiras foram estruturadas especificamente para atender padrões, medidas, certificações e usos exigidos pelo mercado americano — características que não podem ser transferidas de imediato para outro comprador.
“Mal conseguimos entender uma tarifa antes de a próxima aparecer”, disse Milazzo, referindo-se a uma sequência de medidas que tem obrigado exportadores a recalcular custos, contratos e margens quase em tempo real. Dois dias depois da entrada em vigor da tarifa de 25%, uma segunda rodada de tarifas, entre 10% e 12,5%, também passou a atingir o Brasil.
Os Estados Unidos seguem como destino dominante na carteira de pedidos, respondendo por 24,7% do total exportado no semestre. Milazzo alertou que mudar de mercado exige requalificar produtos e reconstruir relações comerciais praticamente do zero. Parte das cargas, porém, já começou a ser redirecionada: os embarques de madeira por Paranaguá com destino ao México cresceram 33% no primeiro trimestre.
A exposição do setor concentra-se sobretudo em dois Estados do Sul. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente, a cadeia madeireira empregava 173,3 mil pessoas em 2024. Quando o setor moveleiro é incluído, o total sobe para 376 mil empregos.
“Paraná e Santa Catarina se destacam entre os principais polos empregadores”, afirmou Paulo Pupo, superintendente da associação, em referência às fábricas concentradas no coração da região brasileira de florestas plantadas de pinus.
Os portos que dominam as exportações de madeira se concentram claramente no Sul e no corredor do Atlântico Sul. Paranaguá liderou o ranking de janeiro a abril de 2026 com 38.696 TEUs, seguido por Navegantes, com 24.096, Itapoá, com 23.286, Santos, com 12.118, Itajaí, com 9.896, e Rio Grande, com 8.549. Juntos, esses portos respondem pela ampla maioria das exportações brasileiras de madeira em contêiner.
Principais portos exportadores de madeira | Jan-abr 2026 | TEUs
O cenário se soma à perda de força da construção civil na China. O indicador do setor caiu para 47,0 em julho, o menor nível desde os lockdowns da Covid-19 no início de 2020, enfraquecendo a demanda de um mercado que está entre os principais compradores de madeira serrada brasileira.
Fonte: Wood Central
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