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Indústria brasileira da soja prevê volumes historicamente elevados de exportação para a China

ago, 07, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202632

A China continua sendo o principal destino da soja brasileira, e o setor deseja aprofundar ainda mais essa relação, com a expectativa de volumes historicamente elevados nos próximos meses, informou a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) ao *Global Times* na sexta-feira.

As exportações brasileiras de soja para a China permanecem muito fortes. Em junho, o país asiático importou 12,08 milhões de toneladas do Brasil, alta de 13,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Em contrapartida, as importações provenientes dos Estados Unidos caíram 20,9%, para 1,27 milhão de toneladas, segundo dados da Administração-Geral das Alfândegas da China.

No período, a China importou 34,75 milhões de toneladas de soja brasileira, avanço anual de 9,1%, de acordo com a Aprosoja Brasil. “Com base nas chegadas e no desembaraço aduaneiro na China, houve um crescimento evidente”, afirmou a associação.

Segundo a plataforma oficial Comex Stat, que registra os embarques na origem, 48,32 milhões de toneladas foram destinadas à China entre janeiro e junho, volume praticamente estável em relação às 48,41 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025.

A diferença entre os dois conjuntos de dados reflete principalmente questões de prazo e metodologia relacionadas ao registro das partidas, cargas em trânsito, chegadas e desembaraços aduaneiros.

Para a Aprosoja Brasil, a conclusão econômica mais ampla é a mesma: “Os fluxos comerciais permaneceram historicamente fortes, a China continuou sendo o principal destino da soja brasileira e as exportações totais do Brasil atingiram o recorde de 69,57 milhões de toneladas no primeiro semestre”.

Os elevados volumes exportados ajudam os produtores rurais a comercializar a safra. No entanto, exportações recordes não significam automaticamente margens recordes no campo, ressaltou a entidade brasileira.

A China é a maior importadora mundial de soja. O produto importado é utilizado principalmente na produção de óleo e de ração animal. Entre seus parceiros comerciais, o país compra produtos relacionados à soja sobretudo do Brasil, dos Estados Unidos, da Argentina, do Uruguai e do Canadá.

O Brasil está entre os maiores produtores e exportadores mundiais de soja, tendo a China como seu principal mercado externo para o grão, segundo a agência de notícias Xinhua.

Ao comentar a importância do mercado chinês, a Aprosoja Brasil afirmou que “a China é absolutamente estratégica para o setor brasileiro de soja”. Dados citados pela entidade mostram que, em 2025, o país asiático comprou 85,4 milhões de toneladas, o equivalente a aproximadamente 79% de todas as exportações brasileiras do produto.

Os dois países também mantêm uma relação comercial altamente complementar. Para os produtores brasileiros, a demanda chinesa proporciona escala, liquidez ao mercado e maior capacidade de planejamento de longo prazo, afirmou a associação. Para a China, o Brasil oferece uma oferta ampla, competitiva e confiável, além de um calendário de safra complementar ao de outros países fornecedores.

Mudanças políticas, como as medidas tarifárias unilaterais dos Estados Unidos, já provocaram impactos negativos para os produtores norte-americanos de soja e de outros produtos agrícolas, afirmou Lü Xiang, pesquisador da Academia Chinesa de Ciências Sociais, ao *Global Times*.

Ao mesmo tempo, a China vem diversificando suas importações, inclusive com compras do Brasil e da Argentina, para reduzir os riscos decorrentes das incertezas comerciais, acrescentou Lü.

A Aprosoja Brasil destacou que essa parceria não deve ser vista apenas como uma consequência temporária de disputas comerciais envolvendo terceiros países. Trata-se de uma relação estrutural e mutuamente benéfica, baseada na complementaridade entre a capacidade produtiva brasileira e a elevada demanda chinesa por alimentos, ração animal e proteínas.

Para o comércio de soja no restante do ano, a entidade mantém uma perspectiva positiva, embora prudente. O Brasil concluiu a colheita de uma safra recorde, estimada em aproximadamente 180,6 milhões de toneladas. As exportações brasileiras devem alcançar 116,3 milhões de toneladas em 2026, o que também representaria um recorde, segundo a associação.

“O Brasil, portanto, dispõe de oferta suficiente para continuar atendendo de forma robusta ao mercado chinês nos próximos meses. Esperamos volumes historicamente elevados, embora não necessariamente haja crescimento em todos os meses, pois o comércio de soja é sazonal e a oferta do Hemisfério Norte ganha maior destaque durante o segundo semestre”, afirmou a Aprosoja Brasil.

Fonte: Global Times 

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