Sorgo brasileiro começa a atrair demanda chinesa

ago, 25, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202635

A Cofco International, da China, embarcou sua primeira carga de sorgo brasileiro em grande escala com destino ao país asiático, totalizando 69 mil toneladas. O carregamento partiu do terminal da empresa no Porto de Santos e deverá chegar ao Porto de Nansha, em Guangzhou, em cerca de 45 dias. De lá, o produto será distribuído pela Cofco Trading, informou a companhia em comunicado divulgado na quinta-feira.

O volume representa apenas uma fração dos milhões de toneladas de sorgo que o Brasil poderá enviar à China neste ano. Caso se confirmem, essas exportações estabelecerão um recorde para os embarques brasileiros do produto. Fontes disseram ao Valor que o Brasil poderá exportar entre 2 milhões e 3 milhões de toneladas de sorgo para a China neste ano, grande parte das quais já foi comercializada por diversas tradings que atuam no país.

Além da Cofco, a Amaggi vendeu cerca de 270 mil toneladas de sorgo para embarque a portos chineses em agosto e setembro. Procurada, a Amaggi confirmou a venda, mas não comentou o volume. A Bunge também vendeu sorgo a compradores chineses, segundo outra fonte, que afirmou que outras empresas de commodities também têm atuado na comercialização do produto.

O recente aumento dos negócios com sorgo foi viabilizado por um protocolo fitossanitário para as exportações brasileiras do produto à China, assinado pelos dois países em novembro de 2024. No entanto, somente em novembro de 2025 Pequim autorizou as primeiras unidades brasileiras a exportar para o mercado chinês, incluindo instalações localizadas em Mato Grosso, Minas Gerais, Rondônia e Bahia.

“A abertura do mercado chinês cria novas oportunidades para o sorgo brasileiro, ampliando as opções de comercialização para os produtores e conectando a produção nacional a um importante mercado consumidor”, afirmou em comunicado Luiz Noto, CEO da divisão de grãos e oleaginosas da Cofco no Brasil.

A produção brasileira de sorgo está estimada em 7,36 milhões de toneladas na safra 2025/26, aumento de 20,7% em relação ao ciclo anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Desse total, 48% são produzidos na região Centro-Oeste, principalmente em Goiás e Mato Grosso do Sul.

Anteriormente, as exportações brasileiras de sorgo apresentavam comportamento irregular. Os embarques passaram de pouco mais de 33 mil toneladas em 2023 para 179,9 mil toneladas em 2024, antes de despencarem para cerca de 2 mil toneladas no ano passado, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Caso as estimativas dos participantes do mercado para as exportações de sorgo à China se confirmem, o volume estabelecerá um recorde e representará um forte avanço em relação aos níveis históricos de embarques. Segundo dados do MDIC, o Brasil nunca exportou mais de 302,4 mil toneladas de sorgo em um único ano.

A China é uma grande consumidora de sorgo, utilizado tanto na alimentação animal quanto na produção de baijiu, uma bebida alcoólica tradicional chinesa. Quando a oferta doméstica de milho está restrita ou o sorgo se torna mais competitivo, o país aumenta suas importações do produto para complementar o abastecimento de ração animal.

Nos últimos anos, a China também elevou significativamente suas importações de sorgo, que passaram de cerca de 1 milhão de toneladas por ano para quase 8 milhões de toneladas anuais em um período relativamente curto. Na avaliação de uma fonte do setor, isso demonstra a rapidez com que o país pode alterar sua combinação de matérias-primas de acordo com a disponibilidade, os preços e as necessidades da indústria de proteína animal. A China responde por mais de 80% das importações mundiais de sorgo.

Foto por USAID de Pixnio

Fonte: Valor International

Sharing is caring!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


O período de verificação do reCAPTCHA expirou. Por favor, recarregue a página.