PIB do Brasil no segundo trimestre supera previsões, mas desaceleração se aproxima
set, 02, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202637
O crescimento econômico do Brasil desacelerou no segundo trimestre, uma vez que os elevados custos do crédito continuaram pesando sobre a atividade e o consumo das famílias recuou. O governo agora deverá reduzir sua projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, enquanto economistas alertam para uma desaceleração mais ampla nos próximos meses.
O PIB da maior economia da América Latina cresceu 0,5% entre abril e junho em relação ao trimestre anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira. O resultado ficou abaixo da expansão de 1,1% registrada no primeiro trimestre, mas superou a previsão de crescimento de 0,4% apontada por uma pesquisa da Reuters com economistas.
Na comparação anual, o PIB avançou 2% no segundo trimestre, também acima da expectativa de alta de 1,8%.
Os números reforçam as evidências de que a atividade econômica está perdendo força, enquanto o Banco Central do Brasil mantém uma política monetária restritiva para conter a inflação. A inflação anual estava em 4,24% em meados de agosto, acima da meta de 3% da instituição.
Embora os formuladores de política monetária tenham iniciado um ciclo de flexibilização em março, a taxa básica de juros do Brasil permanece em 14%, uma das mais elevadas do mundo em termos reais.
Os dados também devem ganhar destaque antes da eleição presidencial de outubro, na qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de esquerda, busca um quarto mandato não consecutivo.
O Ministério da Fazenda projeta atualmente crescimento de 2,3% em 2026, mas afirmou, após a divulgação dos dados, que está revisando a estimativa para seu próximo relatório macroeconômico, com viés de baixa.
O ministério espera que a desaceleração continue no terceiro trimestre, à medida que os efeitos das medidas governamentais de estímulo percam força. Esse movimento deverá ser parcialmente compensado pela redução dos custos do crédito, antes de uma recuperação gradual nos últimos três meses do ano.
“VENTOS CONTRÁRIOS ESTÃO SE ACUMULANDO”
Um importante sinal de enfraquecimento da demanda interna veio do consumo das famílias, que recuou 0,4% no segundo trimestre. Foi a primeira contração em três trimestres, depois de uma expansão de 0,8% entre janeiro e março.
Um mercado de trabalho ainda resiliente e o aumento da renda podem evitar uma desaceleração mais acentuada, mas as medidas governamentais de apoio fiscal e de crédito devem perder força.
“Se não houver uma sinalização mais positiva na política econômica após as eleições e se os juros permanecerem restritivos por mais tempo, a desaceleração do crescimento do PIB poderá ser ainda maior em 2027”, afirmou Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter.
A agropecuária liderou o crescimento no segundo trimestre, com expansão de 2,8% em relação aos três meses anteriores, impulsionada pelas fortes safras de produtos importantes, incluindo soja e café, dos quais o Brasil é o maior produtor e exportador mundial.
Enquanto isso, o setor de serviços cresceu 0,2% e a indústria avançou 0,1%.
“Os setores mais sensíveis ao ciclo econômico — serviços e indústria — apresentaram resultados decepcionantes”, afirmou Rodolfo Margato, economista da XP. “Os ventos contrários estão se acumulando, e esperamos que a atividade permaneça estagnada no segundo semestre.”
Fonte: Reuters
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