Exportações de cítricos da Argentina somam US$ 713 milhões com recuperação dos embarques
set, 21, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202639
A cadeia citrícola da Argentina gerou cerca de US$ 713 milhões em exportações em 2025, enquanto os embarques de frutas frescas se recuperaram com força na comparação com o ano anterior. O movimento sustentou fluxos de carga refrigerada para América do Norte, Europa, Eurásia e mercados regionais.
As exportações de cítricos frescos chegaram a 321.046 toneladas, ante 272.991 toneladas em 2024, alta de aproximadamente 17,6%. Com isso, os cítricos passaram a representar 41,4% do volume total de frutas frescas exportadas pela Argentina, frente a 37,5% no ano anterior.
Dados de logística obtidos pela Datamar mostram esse avanço também pelo ângulo dos contêineres: no acumulado de janeiro a julho, as exportações de frutas cítricas da Argentina alcançaram 15.382 TEUs (+18 a/a). Ainda segundo a empresa, aproximadamente 60% desse embarques saíram pelo Porto de Buenos Aires, enquanto os outros 50% partiram de Zarate.
Confira abaixo um histórico das exportações de frutas cítricas da Argentina:
Exportação de Frutas Cítricas | Argentina | Jan 2023 – Jul 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
A recuperação foi puxada principalmente por limões e laranjas.
Os embarques de limão fresco subiram para 216.919 toneladas, ante 171.457 toneladas em 2024, avanço de 27%. As exportações de laranja cresceram 21%, para 80.196 toneladas, frente a 66.519 toneladas no ano anterior.
As tangerinas seguiram na direção oposta, com queda de 32%, para 23.273 toneladas, enquanto os embarques de grapefruit recuaram 17%, para 659 toneladas.
No total, as exportações argentinas de frutas frescas somaram 774.991 toneladas em 2025, ante 727.761 toneladas no ano anterior. As peras permaneceram como a principal fruta fresca exportada pelo país em volume, com 338.110 toneladas, seguidas pelos limões.
Embarques se concentram entre maio e agosto
A temporada argentina de exportação de cítricos é fortemente concentrada no meio do ano, criando uma janela relativamente curta para armazenagem refrigerada, transporte terrestre, operações portuárias e embarques em contêineres reefer.
Os volumes ganharam força em maio, quando chegaram a 62.599 toneladas, avançaram para 72.052 toneladas em junho e atingiram o pico anual em julho, com 78.257 toneladas. Agosto ainda registrou volume elevado, de 47.552 toneladas, antes de uma queda acentuada em setembro.
Essa concentração entre maio e agosto aumenta a necessidade de coordenação entre capacidade de embalagem, transporte rodoviário refrigerado, disponibilidade de contêineres e serviços marítimos confiáveis durante o pico da safra exportadora.
Rússia e Estados Unidos lideram entre destinos
A Rússia foi o principal destino dos cítricos frescos argentinos em 2025, com 55.718 toneladas, equivalentes a 17,4% dos embarques totais.
Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com 49.242 toneladas, ou 15,3%, seguidos pelo Paraguai, com 39.505 toneladas. Os Países Baixos receberam 31.296 toneladas, enquanto a Espanha importou 25.571 toneladas.
Grécia, Itália, Brasil, Canadá e Ucrânia também figuraram entre os destinos relevantes, dando ao comércio argentino de cítricos uma combinação de rotas transatlânticas, regionais e eurasiáticas.
Essa dispersão geográfica tem implicações logísticas diretas. Os cítricos frescos dependem fortemente de controle de temperatura e previsibilidade no tempo de trânsito, sobretudo nas rotas mais longas para Estados Unidos e Europa.
Processados ampliam peso da cadeia citrícola
As frutas frescas representam apenas uma parte das exportações do setor.
Pela classificação de complexos exportadores do Indec citada pela Federcitrus, o complexo do limão gerou US$ 510 milhões em exportações em 2025, alta de 15,8% na comparação anual. Os óleos essenciais responderam por 42,3% desse valor, os sucos concentrados por 29,9% e os limões e limas frescos por 27,8%.
A União Europeia foi o principal destino do complexo do limão, com US$ 233 milhões em compras, seguida pela região do USMCA, com US$ 178 milhões. Os Estados Unidos responderam por 92,8% das vendas dentro do bloco norte-americano.
Separadamente, o complexo citrícola excluindo limões movimentou US$ 139 milhões, crescimento de 20,4% em relação a 2024. Entre os principais produtos estiveram suco de laranja, laranja fresca e óleos essenciais de laranja.
A União Europeia comprou US$ 59 milhões desses produtos, enquanto o USMCA respondeu por US$ 33 milhões.
A combinação entre frutas frescas e produtos processados dá às exportações de cítricos da Argentina um perfil logístico diversificado. Enquanto a fruta in natura depende fortemente de cadeia fria e disponibilidade de contêineres refrigerados, sucos, óleos essenciais e outros derivados exigem soluções distintas de armazenagem, movimentação e transporte.
Com a recuperação dos embarques de frutas frescas e a manutenção de uma presença relevante dos produtos processados no mercado internacional, o setor citrícola argentino continua gerando demanda sazonal significativa por packing houses, transporte terrestre, armazenagem refrigerada e serviços marítimos.
Fonte: Federcitrus
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