Antaq aponta degradação e falhas de gestão em cinco portos públicos
set, 29, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202640
A Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) identificou problemas de infraestrutura, baixa execução de investimentos e fragilidades de gestão em cinco portos públicos avaliados em fiscalização.
O diagnóstico analisou as autoridades responsáveis pelos portos de Fortaleza, Natal, Manaus, Recife e Rio de Janeiro e apontou que estruturas formais de governança e planejamento não têm sido suficientes para garantir melhorias efetivas na operação.
Segundo o relatório, as principais fragilidades encontradas estão relacionadas à degradação dos ativos físicos e às dificuldades para manter condições adequadas nos canais de acesso.
A fiscalização identificou problemas em estruturas como píeres e cais, além de restrições de calado que podem comprometer a eficiência das operações e a competitividade dos portos.
O diretor-relator da Antaq, Alber Vasconcelos, destacou no voto que o diagnóstico revela uma dificuldade que vai além da elaboração de planos e políticas. Segundo ele, o desafio está em transformar o planejamento em ações efetivas de conservação, segurança, melhoria dos acessos e exploração econômica das áreas portuárias.
Entre os cinco casos analisados, o Porto de Manaus foi considerado pela área técnica como o mais crítico. A fiscalização apontou descumprimentos reiterados das funções de fiscalização atribuídas à autoridade portuária, falhas no acompanhamento de operadores e arrendatários, problemas contábeis e informacionais e ausência de metas de desempenho formalizadas entre a entidade e o governo do Amazonas.
A Antaq também identificou problemas na operação do porto, como gargalos de circulação interna, ausência de pátio de regulação e de sistema de agendamento eletrônico. Segundo a fiscalização, a Superintendência Estadual de Navegação, Portos e Hidrovias não exerce plenamente as atribuições de organização da infraestrutura e fiscalização das operações portuárias.
No Porto de Natal, administrado pela Codern (Companhia Docas do Rio Grande do Norte), o diagnóstico apontou restrições operacionais relacionadas ao assoreamento, à falta de dragagem e às limitações de calado.
A companhia também apresenta situação econômico-financeira considerada preocupante, com fluxos operacionais negativos, redução de receitas e perda da linha regular de contêineres, de acordo com a agência.
Diante da situação financeira, classificada pela área técnica como próxima da insolvência, foi recomendada a abertura de processo para apurar os problemas estruturais e o envio das conclusões ao Ministério de Portos e Aeroportos.
Em Fortaleza, a Companhia Docas do Ceará apresentou avanços em governança, planejamento e controles internos, mas a fiscalização encontrou problemas relevantes de conservação no Píer Petroleiro, além de limitações de calado e gargalos no acesso terrestre. A situação do píer já havia provocado a abertura de auto de infração e a interdição do tráfego de veículos sobre a ponte de acesso.
No Recife, a principal dificuldade apontada foi financeira. O porto apresenta dependência de recursos públicos e não possui recursos próprios suficientes para executar as obras e manutenções necessárias. A Antaq aponta problemas de degradação da infraestrutura e déficit financeiro desde 2018 sem que medidas estruturais suficientes tenham sido implementadas.
A situação levou a área técnica a recomendar, inclusive, que a União avalie a possibilidade de denunciar o convênio de delegação do Porto do Recife, diante da fragilidade econômico-financeira da autoridade portuária e das condições da infraestrutura.
Em relação à PortosRio, responsável pelos portos do Rio de Janeiro, a fiscalização reconheceu avanços em governança, integridade e planejamento estratégico, mas encontrou patrimônio líquido negativo, dependência das receitas dos arrendamentos do Porto de Itaguaí e baixa execução dos investimentos.
Dos R$ 471 milhões previstos em investimentos para 2024, apenas 44,7% haviam sido executados. Em 2025, até fevereiro, a execução correspondia a apenas 0,4% dos R$ 316 milhões previstos. A Antaq recomendou maior execução dos projetos de infraestrutura, com prioridade para dragagens e reforço estrutural do Cais da Gamboa.
Diagnóstico nacional
Diante desse cenário, a Antaq propõe ampliar a fiscalização para consolidar os resultados em âmbito nacional e identificar padrões de desempenho, gargalos que se repetem e diferenças entre os modelos de gestão dos portos públicos.
No voto, o diretor Alber Vasconcelos afirma que parte relevante dos problemas não está na falta de planejamento, mas na dificuldade de transformar os planos em execução. O relator também defendeu que os resultados sejam encaminhados ao Ministério de Portos e Aeroportos, já que parte das fragilidades identificadas envolve questões financeiras, capacidade de investimento e modelos de gestão que ultrapassam a competência da agência.
Fonte: CNN Brasil
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