Clima, e não preços, vai orientar produção de açúcar nas usinas brasileiras
set, 30, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202640
As usinas de cana-de-açúcar do Brasil, maior produtor mundial de açúcar e segundo maior de etanol, prestarão mais atenção ao clima do que aos preços de mercado para decidir quanto açúcar ou combustível produzir de agora até o fim da safra, em dezembro.
O clima mais úmido do que o normal no Centro-Sul do Brasil, uma característica de episódios fortes de El Niño, provavelmente impedirá as usinas de aumentar a produção de açúcar, como alguns participantes do mercado esperavam após a alta de mais de 21% nos preços do açúcar bruto no mês passado.
Em vez disso, as usinas brasileiras continuarão destinando mais cana-de-açúcar à produção de etanol do que à de açúcar, disseram analistas e operadores à Reuters.
O elevado teor de umidade na cana que está sendo colhida torna a matéria-prima mais adequada à produção de etanol, afirmaram os especialistas. Segundo eles, a umidade estimula o crescimento vegetativo da planta, reduzindo a concentração de açúcar, mas sem comprometer seu uso para a produção de combustível.
“No fim das contas, já não estamos mais olhando para os preços de mercado para estimar o mix de produção na reta final da safra. O foco é o clima”, disse Marcelo Bonifacio Filho, analista de açúcar da corretora StoneX.
Partes da região canavieira do Brasil tiveram o inverno mais chuvoso em mais de 100 anos, segundo a Universidade de São Paulo, o que já provocou atrasos na colheita.
O mercado global de açúcar acompanha de perto o mix de produção das usinas brasileiras, ou seja, a proporção de cana que destinam à fabricação de açúcar ou etanol. Esse mix determina quanto açúcar brasileiro chegará ao mercado. Cada ponto percentual adicional do mix destinado ao açúcar, por exemplo, equivale a cerca de 750 mil toneladas a mais.
Na safra atual, o mix favoreceu o etanol durante a maior parte do ano, devido aos preços elevados da energia em meio ao conflito no Oriente Médio e aos preços anteriormente mais baixos do açúcar. Até o início de julho, as usinas haviam utilizado apenas 42,5% da cana para produzir açúcar.
Os contratos futuros de açúcar, porém, subiram 21% em agosto, principalmente devido ao El Niño, tornando a produção de açúcar mais rentável para as usinas do que a de etanol.
“A diferença está atualmente em torno de 20% a favor do açúcar”, disse Fabio Meneghin, sócio da consultoria Veeries, acrescentando que há um incentivo claro para as usinas produzirem açúcar. “O mix açucareiro só não está aumentando por causa do clima”, afirmou.
A atual alta dos preços do açúcar poderá ser limitada se as usinas brasileiras conseguirem elevar o mix açucareiro e colocar uma oferta adicional no mercado, afirmou a trading GSX Commodities em comentário à Reuters.
Mas, se não conseguirem fazer isso e as condições úmidas também impedirem a colheita de toda a cana disponível, os preços do açúcar poderão subir ainda mais, acrescentou.
A StoneX afirmou que o mercado já reduziu sua expectativa para a produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil para menos de 40 milhões de toneladas, volume previsto no início da safra. A consultoria vê a possibilidade de a produção total não ultrapassar 38 milhões de toneladas.
Novas revisões para baixo nas estimativas da safra poderão ocorrer, disse o analista sênior de açúcar Michael McDougall, já que há previsão de um volume considerável de chuvas.
Fonte: Reuters
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