Portos das Américas enfrentam atrasos ferroviários, riscos de estiagem e impactos do clima
out, 06, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202641
As operações portuárias nas Américas seguem em ritmos distintos. No Brasil, o tempo de espera dos navios aumentou em Navegantes, enquanto Manaus se aproxima do período de restrições à navegação provocadas pela vazante dos rios. Nos Estados Unidos e no México, os principais gargalos estão concentrados no transporte terrestre e ferroviário.
No Porto de Navegantes, o tempo médio de espera dos navios nos últimos sete dias chegou a cerca de cinco dias, um dos atrasos mais expressivos registrados na região no mais recente boletim operacional da Kuehne+Nagel, que cobre o período entre 30 de setembro e 6 de outubro.
A ocupação do pátio estava em 78%, segundo informações da Hapag-Lloyd, enquanto a Portonave continua realizando obras para ampliar a capacidade do terminal para receber navios de maior porte.
Porto de Navegantes tem espera média de cinco dias
Em Itajaí, a situação foi mais favorável. O tempo médio de espera nos últimos sete dias ficou em torno de dois dias, com melhora gradual das operações apesar das condições meteorológicas adversas.
A produtividade também avançou em relação à semana anterior.
O contraste entre os dois portos catarinenses mostra que os impactos operacionais continuam bastante localizados, mesmo entre terminais próximos.
Manaus se prepara para restrições com avanço da seca
Em Manaus, a espera média dos navios permaneceu relativamente baixa, em aproximadamente um dia. A atenção, porém, começa a se voltar para a queda do nível dos rios à medida que avança o período de seca na Amazônia.
Segundo o boletim, as condições fluviais indicam o início das restrições à navegação ao longo de outubro.
A Maersk projeta impactos operacionais entre as semanas 43 e 47, seguidos por restrições de capacidade entre as semanas 48 e 52.
À medida que os níveis dos rios diminuem, o calado disponível passa a limitar a quantidade de carga que pode ser transportada pelos navios que atendem Manaus, tornando o período especialmente relevante para os serviços de contêineres.
Gargalos nos EUA estão concentrados no transporte ferroviário
Nos Estados Unidos, as filas de navios permanecem relativamente pequenas em vários dos principais portos. Os problemas mais relevantes estão no transporte terrestre, especialmente na ferrovia.
No Porto de Los Angeles, a espera média dos navios ficou próxima de um dia, mas restrições de capacidade ferroviária e de transporte terrestre continuam afetando o fluxo de cargas. Os elevados volumes de importação também seguem pressionando os terminais e a infraestrutura no entorno do porto.
Os tempos médios de permanência das cargas na ferrovia mostram diferenças importantes entre os principais gateways americanos:
- Jacksonville: 12 dias
- Long Beach: 9 dias
- Los Angeles: 8 dias
- Houston: 6 dias
- New Orleans: 5 dias
- Nova York: 4 dias
- Savannah: 2 dias
- Charleston: 2 dias
Los Angeles também se prepara para uma restrição de infraestrutura de longo prazo. A Vincent Thomas Bridge, importante ligação rodoviária do complexo portuário, deverá ser fechada durante o outono do Hemisfério Norte para uma ampla substituição do tabuleiro da ponte. A obra tem duração estimada de 16 meses.
Os números reforçam que o desempenho de um porto não depende apenas do tempo que os navios permanecem aguardando atracação. Mesmo quando há disponibilidade de berços, atrasos ferroviários, capacidade de transporte rodoviário e limitações na infraestrutura terrestre podem prolongar o tempo total de trânsito das cargas.
Mau tempo afeta portos mexicanos
Na costa do Pacífico mexicano, os desafios são diferentes.
Em Lázaro Cárdenas, o tempo médio de espera dos navios chegou a aproximadamente 3,4 dias, em meio às fortes chuvas e às condições meteorológicas adversas provocadas pela tempestade tropical Rachel.
O mau tempo aumenta o risco de interrupções nas operações dos navios, no fluxo de cargas e nas conexões com o interior do país.
Em Manzanillo, a espera média foi menor, de cerca de 1,4 dia, mas atrasos no desembaraço aduaneiro, alta ocupação dos terminais, restrições ao acesso de caminhões e gargalos no transporte terrestre continuam afetando o desempenho do porto.
O panorama mais recente mostra, portanto, diferentes fontes de pressão sobre a logística nas Américas. Navegantes enfrenta filas mais longas de navios; Manaus se prepara para as restrições sazonais provocadas pela seca; os portos mexicanos lidam com condições meteorológicas e dificuldades de acesso terrestre; e os principais gateways dos Estados Unidos continuam sentindo os efeitos da lentidão nas conexões ferroviárias e rodoviárias.
Fonte: Keuhne+Nagel
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