Petróleo e Gás

Disparada dos fretes ameaça compras asiáticas de petróleo dos EUA

out, 09, 2026 Postado porGabriel Malheiros

Semana202641

A disparada dos fretes de petroleiros para níveis recordes está tornando o petróleo dos Estados Unidos economicamente inviável para refinarias asiáticas, levando compradores a buscar alternativas no Oriente Médio e na América Latina, segundo traders e corretores marítimos que acompanham esses mercados.

O custo para afretar um navio VLCC (Very Large Crude Carrier) e transportar 2 milhões de barris de petróleo americano do Golfo do México para a China em novembro chegou a US$ 80 milhões nesta semana, segundo dados da corretora marítima Simpson, Spence & Young disponíveis na LSEG.

Com esse nível de frete, a operação deixou de ser economicamente atrativa, fechando a chamada janela de arbitragem — situação em que a diferença entre os preços nas duas regiões compensa os custos de transporte —, afirmaram traders e corretores ouvidos pela Reuters sob condição de anonimato.

Em resposta, refinarias asiáticas avaliam substituir o petróleo americano pelo Murban, dos Emirados Árabes Unidos, movimento que levou o prêmio dessa variedade a se recuperar para mais de US$ 11 por barril sobre as cotações de Dubai na quinta-feira.

O custo do transporte chegou a cerca de US$ 40 por barril, ante US$ 8,60 antes do início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, em fevereiro. O valor equivale a quase metade do preço atual de um contrato futuro do petróleo West Texas Intermediate (WTI), elevando fortemente os custos das refinarias na principal região importadora de petróleo do mundo, ao mesmo tempo em que os armadores registram ganhos expressivos.

Vendedores de petróleo dos Estados Unidos devem reduzir suas ofertas para manter a competitividade no mercado internacional, enquanto algumas tradings já começaram a recorrer a petroleiros menores, segundo três traders e um corretor marítimo.

“Essa alta vertiginosa dos fretes se traduz em um custo maior para entregar petróleo às refinarias asiáticas”, afirmou June Goh, analista sênior da Sparta Commodities. Segundo ela, as margens dos derivados precisariam permanecer elevadas para que a margem total do refino continue positiva.

A refinaria japonesa Cosmo Oil afretou provisoriamente um VLCC por US$ 81 milhões para carregar petróleo americano entre 19 e 21 de novembro, segundo dois traders e duas fontes do setor marítimo.

Já as tentativas da refinaria sul-coreana SK Energy e da trading Trafigura de reservar VLCCs por valores entre US$ 76 milhões e US$ 77 milhões não tiveram sucesso, de acordo com uma das fontes ouvidas pela Reuters.

Petroleiros Aframax viram alternativa aos VLCCs

A Trafigura afretou o petroleiro Aframax Torm Hilde, capaz de transportar cerca de 600 mil barris, por US$ 24 milhões para carregar petróleo dos Estados Unidos com destino ao Japão em 1º de novembro.

Já uma operação da Vitol envolvendo o Aframax Riverside, que transportaria petróleo americano para a Coreia do Sul no início de novembro por US$ 27 milhões, não foi concluída, segundo o corretor marítimo.

A demanda constante por petroleiros nessa rota e a expectativa de novas liberações das reservas estratégicas de petróleo dos Estados Unidos também vêm sustentando os fretes, afirmou outra fonte, um analista do setor marítimo.

Segundo Goh, da Sparta Commodities, os fretes de VLCCs entre o Golfo dos Estados Unidos e a Ásia e na rota de Fujairah para o Leste Asiático subiram mais de 300% desde meados de agosto.

“As razões para aumentos tão elevados nos fretes dos VLCCs são as operações extremamente ineficientes de transferência navio a navio, utilizadas como alternativa ao fechamento do Estreito de Ormuz, e o aumento dos volumes de petróleo do Atlântico enviados ao Extremo Oriente, o que reduziu a disponibilidade de navios”, afirmou.

Um analista de petróleo de uma trading disse que, considerando o custo de entrega na Ásia, o petróleo Murban estava cerca de US$ 2 por barril mais barato que o WTI.

Fonte: Reuters

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