Frango chinês mais barato ameaça espaço do Brasil no mercado global
out, 16, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202642
A crescente produção de frango da China vem alçando o país a posições cada vez mais proeminentes no mercado global da carne. Em 2027, a China pode se tornar o terceiro maior exportador do produto no mundo, superando a União Europeia. Com preços inferiores aos dos concorrentes, o frango chinês já disputa clientes com exportadores tradicionais, como o Brasil.
Empresas como a Branexx, de Lisboa, em Portugal, que comercializa carnes, têm recorrido ao produto chinês para atender clientes que buscam carne mais barata. O presidente da Branexx, Ezequiel Pires, disse à Reuters que sua empresa começou a comprar frango da China em março, após clientes africanos terem pedido alternativas mais econômicas que o frango brasileiro. Segundo Pires afirmou à agência de notícias, o peito de frango e os quartos de coxa chineses são de 10% a 20% mais baratos que os brasileiros.
A preocupação do governo chinês com segurança alimentar impulsionou a produção de frango do país em um ritmo mais acelerado que o consumo doméstico. Com a sobreoferta, os chineses estão reduzindo suas importações — das quais o Brasil é maior fornecedor — e ampliado exportações.
Os dados da Datamar permitem um grande detalhamento das exportações brasileiras de carne de frango para a China. Segundo as estatísticas da empresa, o Brasil exportou 29.372 TEUs do produto ao gigante asiático, valor que representa um aumento de 57,7% ante ao ano anterior.
Exportações de Carne de Frango para a China | Jan 2024 – Ago 2026 | TEUs
Segundo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) deste mês, a produção de frango da China neste ano deve crescer 9% e chegar a 18 milhões de toneladas. Já o consumo doméstico de frango deve aumentar 7,2%, para 16,845 milhões de toneladas neste ano.
Para 2027, a tendência deve persistir. O USDA estima aumento de 5,5% da produção chinesa, para 19 milhões de toneladas, e uma alta de 3,7% no consumo chinês, para 17,475 milhões de toneladas. A expansão da oferta, segundo o órgão, deve-se a um plantel reprodutor “suficiente”, preços relativamente estáveis do milho e farelo de soja e investimentos em capacidade.
A produção excedente deve permitir à China ampliar suas exportações no ano que vem em 25%, a 1,925 milhão de toneladas. Neste ano, o país deve exportar 1,540 milhão de toneladas, alta de 42% em relação a 2025, segundo o USDA.
Se em 2025 a China foi a quinta maior exportadora global de frango, com 8% do total, neste ano pode assumir a quarta posição e, em 2027, alcançar o terceiro lugar, superando os europeus.
A “crescente concorrência da China” é um dos desafios a serem enfrentados pelo Brasil em 2027 que foram listados pelo USDA em relatório na semana passada. O órgão alertou que os exportadores brasileiros terão necessidade de compensar a perda das vendas à Europa, em razão de regras de controle de antimicrobianos.
A Wintop Food, da província de Shandong, vem observando demanda externa crescente. A companhia, que processa 60 milhões de frangos por ano e vende peito, nuggets e almôndegas para mais de 20 países, obteve metade do lucro de 2025 com exportações, segundo a Reuters.
“Os clientes internacionais costumavam desconfiar da qualidade”, disse à agência de notícias Dang Yangyang, gerente geral da empresa, em agosto. “Mas quando a carne custa US$ 1.000 a menos por tonelada do que a dos concorrentes brasileiros e tailandeses, eles têm que comprar da China ou ficar de fora.”
Dados da consultoria Gira citados pela Reuters mostram que a China dobrou sua participação no mercado de aves processadas da União Europeia para 10% desde 2022 e triplicou no Reino Unido, para mais de 14%.
“É muito preocupante”, disse Kukrit Arepagorn, gerente da Associação Tailandesa de Exportadores de Frango de Corte Processado, à Reuters. “Os clientes usam cada vez mais os preços baixos do frango chinês como ponto de referência para negociação.”
FONTE: Globo Rural
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