Porto Piauí - Foto: Gabriel Torres
Portos e Terminais

Porto Piauí mira rota de grãos com Portugal e avança em energia limpa

out, 16, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202642

O Porto Piauí quer ampliar suas rotas de comércio exterior e busca realizar, a partir de 2027, a primeira operação de grãos com o porto de Aveiro, em Portugal. As tratativas envolvem produtos como soja, milho e DDG e podem abrir uma nova frente de exportação para a Europa. A agenda com parceiros portugueses também inclui estudos para implantação de um sistema de fornecimento de energia elétrica de fontes renováveis a navios atracados no Terminal de Uso Privado de Luís Correia.

As duas pautas foram tratadas em agendas realizadas no dia 2 de outubro durante a visita da diretoria de Desenvolvimento de Negócios da Porto Piauí aos portos de Aveiro e da Figueira da Foz. Na ocasião também foi assinado um protocolo de cooperação com a Universidade de Coimbra para a implantação da tecnologia Onshore Power Supply (OPS) no porto de Luís Correia, no Piauí.

Segundo o diretor de Desenvolvimento de Negócios da Porto Piauí, Brunno Gonçalves, a viagem teve como objetivo avançar nas conversas com investidores europeus interessados na produção de grãos do Piauí, como soja, milho e DDG (coproduto da fabricação de etanol de milho usado em ração animal).

Ele adiantou que a parceria também pode abrir caminho para a exportação de produtos locais como mel e algodão, além do interesse em viabilizar a importação direta de produtos europeus como azeite e vinho. Em abril deste ano, a Porto Piauí celebrou um memorando de entendimentos (MoU) com o porto de Aveiro.

“Foi muito importante conhecer in loco a movimentação expressiva desses portos, que já são consolidados e apresentam características semelhantes às do nosso”, avaliou.

Aveiro, Figueira da Foz e Sines entram na estratégia do Porto Piauí

O Porto Piauí opera hoje com um canal de 7 metros de profundidade na maré baixa e 9,5 metros na maré alta. Em junho, recebeu o primeiro navio de carga, o graneleiro Konta II, de 109 metros.

O perfil é muito próximo ao do Porto da Figueira da Foz, que recebe navios com até 6,5 metros de calado e 120 metros de comprimento. Com as obras de melhoria do acesso marítimo, previstas para terminar em outubro, o porto português passará a operar com 8 metros de calado e navios de até 140 metros.

Já o Porto de Aveiro consegue receber navios ainda maiores: seu terminal de granéis agroalimentares recebe navios de até 200 metros, com calado médio de 9,75 metros.

Essas características ajudaram a definir o melhor caminho para cada parceria. Aveiro, que tem terminal dedicado a granéis agroalimentares, é o mais indicado para os grãos, mercado em que a companhia concentrará esforços para viabilizar a primeira operação. A Figueira da Foz apresenta maior sinergia para contêineres e carga geral. Já para o minério de ferro, a Porto Piauí deve intensificar as tratativas com o Porto de Sines, também em Portugal.

Energia limpa para navios no Porto Piauí

Durante a agenda, o diretor de Desenvolvimento de Negócios da Porto Piauí, Brunno Gonçalves, representando o presidente da Porto Piauí, Raimundo Dias Jr, e o vice-reitor para a Inovação, Relação com Empresas e Empregabilidade da Universidade de Coimbra, Nuno Mendonça, assinaram um protocolo de cooperação para avaliar a viabilidade técnica e econômica de implantar no Terminal de Uso Privado (TUP) de Luís Correia um sistema que fornece energia elétrica de fontes renováveis aos navios atracados.

Chamada Onshore Power Supply (OPS), a tecnologia conecta a embarcação a uma fonte de energia em terra. Enquanto o navio está atracado, seus motores auxiliares a combustão, que normalmente seguem funcionando para alimentar comunicação, iluminação, ventilação e os demais sistemas de bordo, podem ser desligados.

Ao dispensar o uso dos motores durante a atracação, a solução reduz o consumo de combustível e diminui as emissões de gás carbônico na área do porto, reduzindo ainda a necessidade de compra de créditos de carbono.

O equipamento que será avaliado foi desenvolvido no campus da Universidade de Coimbra, em Figueira da Foz, e é abastecido por fontes renováveis.

Fonte: Porto Piauí

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