Frutas

Peras, maçãs, cerejas e mirtilos: o panorama das exportações argentinas para os Estados Unidos

out, 22, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202643

Como exportadores de “contraestação”, os argentinos dependem dos volumes de produção já disponíveis no mercado norte-americano no momento da chegada de seus embarques. “Em geral, o comportamento do mercado é bastante estável”, observa Gregori. Nos últimos anos, porém, eventos climáticos afetaram os volumes exportados.

Neste ano, há preocupação com o fenômeno El Niño no Hemisfério Sul, com “períodos de chuvas intensas e ventos adversos” que podem afetar tanto a qualidade quanto a quantidade da colheita.

Diferentemente da Europa — onde um novo acordo com o Mercosul levou à redução de tarifas —, as exportações para os Estados Unidos estão sujeitas a uma tarifa de 10% sobre o valor das frutas. Segundo Gregori, “isso tem um impacto significativo na remuneração recebida pelo produtor”.

No caso das peras e maçãs, a região produtora argentina é caracterizada pelo baixo volume de chuvas, o que facilita o controle biológico eficaz de pragas e minimiza a necessidade de defensivos agrícolas. “Estamos essencialmente alinhados às exigências de todos os mercados do mundo”, afirma. Além disso, o país segue rigorosos protocolos estabelecidos com China, Estados Unidos e México — requisitos que, segundo Gregori, são cumpridos sem dificuldades.

Os dados de movimentação de contêineres da Datamar revelam mais detalhes da dinâmica do setor: ao longo dos primeiros oito meses do ano, foram exportados 4.729 TEUs de peras e 578 TEUs de maçãs. Confira a seguir a evolução dos embarques:

Exportação de Peras e Maçãs | Argentina | Jan 2024 – Ago 2026 | TEUs

 Fonte: DataLiner – consulte nossos de comex

O maior desafio está em outro ponto: “Hoje, a Argentina é um país caro”. Gregori explica que as economias regionais são fortemente oneradas pelo “custo argentino”, ou seja, os custos adicionais de fazer negócios no país. Ele acredita que, uma vez resolvidas as questões macroeconômicas, os desafios microeconômicos surgirão como “o próximo obstáculo nesta nova fase”.

A Argentina exporta aproximadamente 50 milhões de quilos de peras e maçãs e cerca de 3 milhões de quilos de cerejas para os Estados Unidos. No caso dos mirtilos, por outro lado, o volume é de apenas cerca de um milhão de quilos, após a perda de participação de mercado para o Peru. O país ampliou sua produção, beneficiando-se de custos mais baixos e de uma localização geográfica que reduz os gastos com frete.

Diante dessa pressão, o setor de mirtilos está passando por uma transição para novas variedades. “Hoje, para competir, é preciso competir em qualidade e sabor”, diz Gregori. “A Argentina já tem o sabor; alcançará a qualidade necessária com a incorporação dessas novas variedades.”

Para as cerejas, a prioridade é produzir frutas com boa vida útil, apresentação atraente, sabor e, sobretudo, calibre, considerado “essencial” para acessar os mercados mais exigentes. Nos setores de peras e maçãs, há concorrência de outros países do Hemisfério Sul, embora, segundo o presidente da COPEXEU, “não seja um problema tão significativo quanto no caso dos mirtilos”.

Gregori destaca a importância de a entidade poder manifestar sua posição: “Neste mundo, é o produtor que precisa ser cuidado”. Nesse sentido, observa que os produtores receberão do mercado “aquilo que o mercado puder pagar”.

Fonte: Smart Cherry World

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