Economia

Novo mês de dados DataLiner: Importações brasileiras de contêineres crescem 9,5% no acumulado de janeiro a setembro

nov, 06, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202645

As importações brasileiras via contêineres cresceram 9,5% entre janeiro e setembro de 2026, em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados recém-divulgados pela equipe de Business Intelligence da Datamar. O volume recebido alcançou 2,85 milhões de TEUs, unidade equivalente a um contêiner de 20 pés. Considerando apenas setembro, a alta foi de 14% na comparação anual.

O setor de veículos e autopeças respondeu por mais da metade do aumento líquido das importações no acumulado, enquanto a China ampliou sua participação como principal origem das cargas. Nas exportações, o desempenho foi mais moderado: os embarques cresceram 4,2% nos nove primeiros meses do ano, mas recuaram 1,7% em setembro.

Confira a seguir um comparativo das importações brasileiras via contêineres no acumulado dos nove primeiros meses do ano, a partir de 2023. Os dados são do DataLiner:

Importações brasileiras via contêineres | Jan–Set 2023 a Jan–Set 2026 | TEUs

 Fonte: DataLiner – consulte nossos dados de comex

Veículos e autopeças respondem por mais da metade do crescimento

Entre as mercadorias importadas, o destaque foi o avanço de veículos e autopeças, cujos volumes cresceram 44,9%, alcançando aproximadamente 420 mil TEUs. O grupo respondeu por 14,7% do total recebido via contêineres.

Em números absolutos, o setor acrescentou cerca de 130 mil TEUs às importações, equivalentes a 52,6% do aumento líquido de 247,3 mil TEUs registrado no período. O resultado mostra que, embora a expansão tenha alcançado diferentes mercadorias, mais da metade do crescimento esteve concentrada nesse grupo.

Também avançaram as importações de borracha (24,4%), papel (24,3%), reatores, caldeiras e máquinas (5,8%), têxteis (5%) e plásticos (4,7%). Em contrapartida, recuaram os recebimentos de pesticidas (11,6%) e equipamentos elétricos (3,5%).

China amplia participação nas importações

Entre os principais países de origem, a China ampliou os embarques em 22,6% e concentrou 54,3% das importações brasileiras via contêineres. Sua participação era de aproximadamente 48,5% nos nove primeiros meses de 2025, o que representa um ganho de 5,8 pontos percentuais.

Os embarques chineses acrescentaram cerca de 285 mil TEUs ao volume recebido pelo Brasil. Esse aumento superou o crescimento líquido das importações totais, pois parte da expansão foi compensada pela retração de outras origens.

O avanço também aparece nas estatísticas gerais de comércio exterior. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as importações brasileiras provenientes da China cresceram 9,9% em valor entre janeiro e setembro, alcançando US$ 58,62 bilhões. O indicador abrange todas as modalidades de transporte e oferece contexto para o movimento observado nos contêineres, embora não seja diretamente comparável à variação em TEUs.

No DataLiner, também avançaram as compras provenientes do Egito (35,8%) e da Índia (3,4%). Já os Estados Unidos, segunda maior origem, com participação de 5,9%, registraram queda de 31,4%. Os volumes provenientes da Alemanha, da Itália e da Bélgica recuaram 6,8%, 6,5% e 4,3%, respectivamente.

Exportações crescem no acumulado

As exportações brasileiras via contêineres somaram 2,44 milhões de TEUs entre janeiro e setembro de 2026, alta de 4,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar do crescimento acumulado, os embarques de setembro caíram 1,7% na comparação anual.

Confira a seguir um comparativo das exportações brasileiras via contêineres no acumulado dos nove primeiros meses do ano, a partir de 2023. Os dados são do DataLiner:

Exportações brasileiras via contêineres | Jan–Set 2023 a Jan–Set 2026 | TEUs

 Fonte: DataLiner – consulte nossos dados de comex

Entre as mercadorias, destacaram-se os avanços dos resíduos alimentares (51,3%), do algodão (25,6%) e da celulose (12,2%). As carnes, que representaram 22,8% do total exportado, registraram alta de 5,9%. Em contrapartida, recuaram os embarques de açúcar (13%), papel (2,9%), plásticos (2,2%) e madeira (1,8%).

A retração mensal das exportações conteinerizadas ocorreu em um momento de redução dos embarques de carne bovina. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), o volume exportado pelo setor caiu 35,1% em setembro, na comparação anual. A entidade atribuiu o desempenho principalmente à forte diminuição das vendas à China diante da salvaguarda em vigor naquele mercado.

Esse movimento oferece contexto para o resultado de setembro, mas não explica isoladamente a queda dos contêineres: os dados da ABIEC são medidos em toneladas e se referem à carne bovina, enquanto o grupo de carnes do DataLiner reúne uma cesta mais ampla de produtos.

Destinos apresentam desempenhos distintos

A China manteve a liderança entre os destinos das exportações brasileiras conteinerizadas, com participação de 15,1% e crescimento de 6,5% no acumulado. Também avançaram os embarques para os Países Baixos (17,4%), a Colômbia (17%), o Japão (8,5%), a Índia (8,2%) e o México (2%).

Já os Estados Unidos, segundo maior destino, com 10,6% de participação, registraram queda de 11,5% na comparação com os nove primeiros meses de 2025.

A retração ocorre em um ambiente de barreiras comerciais para parte dos produtos brasileiros. Os efeitos das tarifas adicionais americanas motivaram medidas de apoio do governo brasileiro às empresas exportadoras, incluindo a ampliação de prazos do drawback, regime que permite a suspensão de tributos sobre insumos utilizados na produção de bens destinados à exportação.

O crescimento dos embarques para outros destinos contrasta com a queda americana. Os dados agregados, entretanto, não permitem afirmar que houve redirecionamento das mesmas cargas nem atribuir toda a retração às tarifas.

Argentina amplia exportações e reduz importações

Na Argentina, as exportações em contêineres somaram 452.964 TEUs entre janeiro e setembro de 2026, alta de 15,5% em relação aos 392.250 TEUs registrados no mesmo período de 2025. As importações, por sua vez, recuaram 8%, passando de 572.130 para 526.630 TEUs.

Com isso, o país embarcou 60.714 TEUs a mais para o exterior e recebeu 45.500 TEUs a menos no acumulado dos nove primeiros meses do ano.

A direção do movimento também aparece nas estatísticas gerais de comércio exterior. Segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC), as exportações argentinas cresceram 21,6% em valor no período, enquanto as importações caíram 2,5%. Os percentuais se referem ao comércio total de bens, medido em dólares, e não apenas às cargas conteinerizadas.

Uruguai mantém importações estáveis e aumenta embarques

No Uruguai, as exportações em contêineres alcançaram 136.813 TEUs entre janeiro e setembro de 2026, alta de 10,8% em relação aos 123.491 TEUs registrados no mesmo período de 2025. O resultado representou um acréscimo de 13.322 TEUs nos embarques ao exterior.

As importações permaneceram praticamente estáveis, totalizando 150.401 TEUs, ante 150.468 TEUs nos nove primeiros meses do ano anterior, uma redução de apenas 67 TEUs.

A expansão dos embarques conteinerizados conviveu com crescimento mais moderado da receita total de exportação. Segundo o Uruguay XXI, as vendas externas de bens, incluindo zonas francas, somaram US$ 10,37 bilhões entre janeiro e setembro, alta de 1%. A diferença em relação ao avanço em TEUs mostra que o movimento logístico e o resultado financeiro das exportações podem apresentar trajetórias distintas, por envolverem unidades de medida e composições de carga diferentes.

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