CMA CGM e DSV miram redução de 12 mil toneladas de CO₂ com acordo de baixo carbono
out, 08, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202641
A CMA CGM e a DSV assinaram um acordo com a meta de reduzir 12 mil toneladas de emissões de dióxido de carbono ao longo de dois anos por meio do uso de combustíveis marítimos de menor intensidade de carbono. A iniciativa amplia a cooperação entre as empresas em um momento em que armadores e agentes de carga enfrentam pressão crescente para reduzir as emissões das cadeias logísticas globais.
Pelo acordo, a DSV utilizará a solução de transporte marítimo ACT+, da CMA CGM, que incorpora biocombustíveis de segunda geração produzidos a partir de éster metílico de óleo de cozinha usado (UCOME, na sigla em inglês).
Segundo o grupo francês, a solução pode proporcionar uma redução de até 83% nas emissões de CO₂ em comparação com os combustíveis marítimos convencionais.
O acordo reforça a relação comercial já existente entre as duas companhias e oferece à DSV novas opções para reduzir as emissões associadas aos serviços de transporte marítimo.
Biocombustíveis sustentam meta de redução de emissões
A redução prevista de 12 mil toneladas de CO₂ em dois anos será obtida por meio do uso de biocombustíveis de segunda geração à base de UCOME.
Esses combustíveis são produzidos a partir de óleos de cozinha usados, em vez de culturas agrícolas cultivadas especificamente para a produção de energia. Eles podem oferecer uma alternativa de menor intensidade de carbono aos combustíveis marítimos convencionais, embora a redução efetiva das emissões dependa da origem da matéria-prima, dos processos de produção e da metodologia utilizada para calcular as emissões ao longo do ciclo de vida.
O programa ACT+, da CMA CGM, oferece aos clientes alternativas de transporte com menor emissão de carbono por meio de combustíveis como os biocombustíveis à base de UCOME e o bio-GNL.
A companhia afirma que a solução pode reduzir as emissões de CO₂ em até 83% em relação aos combustíveis marítimos convencionais. Esse percentual representa, no entanto, o potencial máximo anunciado pelo programa e não uma redução comprovada para todos os embarques.
As empresas não divulgaram os volumes de carga abrangidos pelo acordo, as rotas comerciais envolvidas nem os termos financeiros da operação.
Também não informaram como a meta de redução de 12 mil toneladas será distribuída entre os diferentes embarques ou de que forma os resultados obtidos serão verificados de maneira independente.
DSV amplia opções de transporte marítimo de menor carbono
Para a DSV, o acordo faz parte da estratégia de atingir emissões líquidas zero em suas operações e em sua cadeia de valor até 2050.
Como agente de carga global, a empresa depende das armadoras para transportar grande parte das cargas marítimas de seus clientes. A cooperação com essas companhias é, portanto, um elemento importante para reduzir as emissões associadas aos serviços de transporte contratados.
Michael Hollstein, vice-presidente sênior de Global Ocean Product da DSV, afirmou que a colaboração entre operadores logísticos e armadores é necessária para ampliar a disponibilidade de alternativas de transporte com menor intensidade de carbono.
“Na DSV, reduzir as emissões nas cadeias de suprimentos globais exige forte colaboração e soluções que possam ganhar escala. Por meio de nossa parceria com a CMA CGM e do uso da solução ACT+, estamos ampliando o acesso de nossos clientes a opções de transporte marítimo com menor emissão de carbono”, afirmou Hollstein.
O acordo dá à DSV acesso a uma solução desenvolvida para reduzir as emissões relacionadas ao transporte sem que os clientes precisem providenciar diretamente o fornecimento de combustíveis alternativos.
Para agentes de carga que administram embarques distribuídos entre diferentes armadoras e rotas comerciais, acordos desse tipo oferecem mais uma alternativa para lidar com as emissões associadas à contratação do transporte marítimo.
O anúncio não especifica se a DSV destinará as reduções a clientes determinados ou se elas serão distribuídas por um portfólio mais amplo de embarques.
CMA CGM amplia investimentos em combustíveis alternativos
O acordo ocorre enquanto a CMA CGM continua ampliando sua frota de navios capazes de operar com combustíveis alternativos.
O grupo francês assumiu em 2017 um compromisso de grande escala com a propulsão a gás natural liquefeito (GNL), sob a liderança do presidente e CEO Rodolphe Saadé.
A decisão levou à entrada em operação, em 2020, do CMA CGM Jacques Saadé, primeiro porta-contêineres de 23 mil TEUs movido a GNL do mundo.
No mesmo ano, a companhia lançou sua oferta ambiental ACT, disponibilizando aos clientes alternativas para medir e reduzir as emissões associadas aos seus embarques.
Em 2026, a empresa incorporou o CMA CGM Notre Dame, porta-contêineres de 24.212 TEUs movido a GNL e primeiro de uma série de dez navios de nova geração. A embarcação é o maior porta-contêineres atualmente operando sob bandeira francesa.
Até 2031, a CMA CGM espera operar aproximadamente 200 navios dual-fuel, movidos a GNL ou metanol, capazes de utilizar fontes de energia de menor intensidade de carbono.
Os investimentos fazem parte da estratégia da armadora de atingir emissões líquidas zero de carbono até 2050, combinando maior eficiência energética, combustíveis alternativos e cooperação com clientes e fornecedores.
Cooperação comercial ganha espaço na descarbonização do transporte marítimo
O acordo mostra como agentes de carga e armadores vêm utilizando contratos comerciais para avançar em suas metas de redução de emissões enquanto os combustíveis marítimos convencionais continuam amplamente utilizados pelo setor.
As soluções baseadas em combustíveis alternativos podem ajudar os clientes a reduzir as emissões associadas ao transporte marítimo, mas sua eficácia depende da disponibilidade desses combustíveis, do desempenho das emissões ao longo de todo o ciclo de vida e dos critérios utilizados para contabilizar as reduções.
Para os clientes do setor marítimo, permanece importante distinguir entre uma meta de redução de emissões e uma redução efetivamente alcançada e verificada ao avaliar o desempenho ambiental dessas iniciativas.
Amandine Paulet, vice-presidente e diretora comercial adjunta da CMA CGM, afirmou que a parceria demonstra o papel da cooperação no desenvolvimento de serviços logísticos de menor intensidade de carbono.
“Nossa parceria demonstra como uma colaboração sólida pode impulsionar uma logística mais resiliente e sustentável, ao mesmo tempo em que oferece soluções de alto desempenho aos nossos clientes”, afirmou Paulet.
O ACT+ também oferece ferramentas para mensuração das emissões e alternativas para compensar as emissões residuais.
Fonte: Break Bulk News
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