Tarifaço de Trump é mais um golpe nas exportações brasileiras de celulose
jul, 21, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202531
A decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, de taxar em 50% os produtos brasileiros enviados aos Estados Unidos foi mais um golpe na indústria de celulose e papel, que já vinha sofrendo desde abril com os primeiros efeitos do “tarifaço”.
O Brasil é o maior exportador de celulose do mundo, com uma média de 18 milhões de toneladas enviadas ao exterior por ano, de acordo com a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá). A China é o principal mercado consumidor, recebendo cerca de 30% das exportações brasileiras, e os Estados Unidos ocupam a segunda posição.
Segundo analistas, a Suzano, maior produtora de celulose de fibra curta do mundo, estaria entre as companhias mais afetadas caso a medida entre em vigor. Segundo estimativas, algo entre 15% e 19% das vendas líquidas da companhia vêm de operações em solo americano.
Durante evento virtual organizado pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, no dia 15, Guilherme Miranda, diretor-geral para as Américas da Suzano, disse que a empresa encontrará formas de vender seus produtos para outros mercados.
Daniel Sasson, analista do Itaú BBA, ponderou, em entrevista ao Valor, que o volume de produção da Suzano é muito grande e que, portanto, redirecionar essa cadeia de suprimentos não é uma tarefa simples.
“Nas minhas estimativas, a empresa mandou cerca de 1,7 milhão de toneladas de celulose para os Estados Unidos em 2024. É difícil deslocar esse volume todo de uma hora para outra para a Europa ou para a China, principalmente em um momento de incertezas no comércio global”, afirmou Sasson.
De janeiro a junho de 2025, as exportações de celulose brasileira cresceram 8,5% em valor e 14% em volume, segundo dados da balança comercial. Os envios para os EUA, por sua vez, registraram queda de 15,2% em valor e 8,5% em volume, de acordo com a Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. Somente em maio, o recuo em valor foi de 35%.
Confira a seguir um histórico das exportações brasileiras de celulose para os Estados Unidos a partir de janeiro de 2022. O gráfico foi elaborado a partir de dados do DataLiner:
Exportações Brasileiras de Celulose para os Estados Unidos – Jan 2022 a Maio de 2025 – TEU
Source: DataLiner (Click here to request a demo)
Empresas que possuem operação em outros países podem se aproveitar dessa dinâmica para manter as exportações para os Estados Unidos, ainda que com ressalvas. “Existe a possibilidade de exportar via Chile, onde temos três fábricas. Porém, essa tarifa prejudica o novo projeto, não é o que queremos”, disse Antônio Lacerda, diretor-geral de celulose da CMPC Brasil. A empresa, que já possui uma fábrica em Guaíba (RS), está em vias de construir uma nova unidade no Estado.
Apesar do desafio de curto prazo, o analista do Itaú BBA afirma que, em um horizonte de médio e longo prazo, as cadeias acabariam se ajustando, o que anularia o efeito da medida. “Quem puder abastecer os Estados Unidos de maneira mais eficiente o fará, mas isso vai deixar algum outro mercado desatendido, e é assim que o mercado se ajusta”.
Em publicação na rede social X, o presidente-executivo da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Paulo Hartung, afirmou que, neste momento, “é fundamental evitar bravatas e apostar na negociação e na diplomacia”. O executivo participou da reunião entre setores da indústria com o governo federal, na semana passada, que pediu, principalmente, a negociação do adiamento na aplicação da tarifa. Caso não haja um acordo, a nova tarifa deverá entrar em vigor em 1º de agosto.
Os representantes também se manifestaram contra a retaliação das taxas por parte do Brasil, com base na Lei da Reciprocidade Econômica.Enquanto o tópico não avança, o mercado se prepara para um terceiro trimestre sazonalmente mais fraco e um ambiente de negociações que permanece desafiador.
“Produtores que exportam para os Estados Unidos ainda estão tentando entender qual é o cenário, o que faz com que não seja tão fácil implementar aumentos de preços”, disse Sasson.
Desde o anúncio da primeira leva de tarifas, em abril, as negociações entre produtores e clientes foram interrompidas, o que fez com que os preços da celulose de fibra curta (BHKP) no mercado chinês, que iniciaram o ano em recuperação, entrassem em forte trajetória de queda.
Ao longo de abril e maio, o preço da tonelada de BHKP na China caiu US$ 70, segundo dados do índice Foex, da Fastmarkets. No acumulado deste ano, a cotação da matéria-prima no mercado chinês acumula queda de US$ 44, tendo estabilizado no patamar de US$ 500 a tonelada nas últimas semanas.
A expectativa é que esse nível esteja próximo do patamar mais baixo deste ciclo, uma vez que muitos produtores já estão operando com prejuízo. Segundo estimativas do Itaú BBA, 14 milhões de toneladas de celulose de fibra curta e fibra longa estão sendo produzidas sem gerar lucro.
“Quando isso acontece, vemos anúncios de fechamento de capacidades ou de paradas mais longas, o que pode ajustar a oferta”, explicou Sasson, do Itaú BBA. Alguns exemplos recentes são a finlandesa Metsä Fibre e a búlgara Svilosa, que retiraram 690 mil toneladas de fibra longa e 150 mil toneladas de fibra curta por ano do mercado, respectivamente.
Outro indicativo é o aumento da demanda por celulose de mercado por parte de fabricantes de papel na China, com preços atualmente no patamar de US$ 480 por tonelada. “Ainda acredito em uma retomada dos preços a partir do quarto trimestre, mas não vai ser expressiva”, afirma Lacerda, da CMPC.
Fonte: Valor Econômico
-
Portos e Terminais
abr, 12, 2022
0
Portos de Paranaguá e Antonina têm alta de 9,4% no volume de carga no primeiro trimestre
-
Portos e Terminais
maio, 23, 2022
0
ANTAQ aprova contribuições de audiência pública sobre concessão do Porto de São Sebastião (SP)
-
Regras de Comércio
mar, 30, 2023
0
Brasil e China avançam em acordo para comércio sem o uso do dólar
-
Uncategorized
dez, 23, 2019
0
Com 106 mil hectares, Embrapa quer vender terras ociosas para pesquisa