DataLiner: Aumento das importações e leve queda nas exportações via contêineres marcam primeiro semestre de 2025
ago, 12, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202534
O comércio exterior brasileiro por contêineres atravessou o primeiro semestre de 2025 sob o impacto combinado de tensões comerciais globais, incertezas regulatórias e oscilações no custo do transporte marítimo. Segundo dados da equipe de Business Intelligence da Datamar, as exportações via contêineres recuaram 0,4% no acumulado de janeiro a junho em relação ao mesmo período de 2024, num cenário em que fatores externos começaram a redesenhar rotas e estratégias das empresas brasileiras.
Parte desse desempenho foi influenciada pela desaceleração da demanda chinesa por alguns produtos-chave, o que ajudou a explicar a queda de 15,8% nos embarques para o país. Ao mesmo tempo, a extensão até novembro da investigação de salvaguardas para carne bovina pela China manteve frigoríficos e tradings em compasso de espera, atrasando decisões logísticas.
Nos Estados Unidos — segundo maior destino das cargas brasileiras por contêiner — o primeiro semestre ainda não refletiu o impacto do tarifaço anunciado pelo presidente Donald Trump, mas empresas já começaram a avaliar alternativas de destino para produtos que serão sobretaxados a partir do segundo semestre, especialmente frutas e derivados. Ainda assim, os embarques para o mercado americano cresceram 3,9% no período..
A Índia se destacou como destino emergente, com avanço de 21,7% nas importações provenientes do Brasil, movimento atribuído tanto à diversificação geográfica das exportações brasileiras quanto ao aumento da demanda indiana por commodities e insumos industriais.
Entre as mercadorias, as carnes lideraram os embarques brasileiros no semestre (+1,5%), apoiadas por contratos de longo prazo e demanda estável em mercados tradicionais. Madeira (-7,5%) e algodão (-2,3%) sentiram o efeito de preços internacionais mais baixos e de um ambiente global menos favorável para bens semimanufaturados e matérias-primas não alimentares.
No transporte marítimo, o semestre foi marcado por instabilidade nos custos: após um início de ano com fretes relativamente estáveis, a corrida para antecipar embarques diante de mudanças tarifárias elevou temporariamente as tarifas spot nas rotas asiáticas. A partir de junho, porém, os preços começaram a cair, refletindo maior disponibilidade de capacidade e ajustes de itinerário por parte dos armadores.
Confira no gráfico abaixo um comparativo das exportações brasileiras de contêineres do primeiro semestre de ano desde 2022. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:
Exportações Brasileiras via Contêineres | Jan/Junho 2022-2025 | TEU
Fonte: DataLiner (Clique aqui para solicitar uma demo)
No lado das importações, o Brasil registrou um crescimento expressivo de 10,2% no primeiro semestre de 2025 em comparação com igual período do ano passado. O avanço foi puxado principalmente por reatores, caldeiras e máquinas, que tiveram alta de 41,5%, sinalizando tanto investimentos em capacidade industrial quanto reposição de equipamentos e componentes estratégicos. Plásticos também cresceram (+2,8%), refletindo a demanda da indústria de transformação.
A China se manteve como principal origem das importações brasileiras, com aumento de 14% nos volumes, reforçando a dependência estrutural do país asiático no fornecimento de insumos industriais e bens intermediários. Os Estados Unidos, por sua vez, registraram ligeira queda (-1,3%), influenciada pela recomposição de estoques no início do ano e pela busca de fornecedores alternativos em mercados asiáticos.
Confira abaixo um comparativo das importações brasileiras via contêineres do primeiro semestre do ano desde 2022. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:
Importações Brasileiras via Contêineres | Jan/Junho 2022-2025 | TEU
Fonte: DataLiner (Clique aqui para solicitar uma demo)
Plate
A movimentação intrarregional também apresentou forte dinamismo. No Plate — que inclui Argentina, Paraguai e Uruguai — as importações conjuntas cresceram 38,2% no semestre, impulsionadas pelo aumento da demanda brasileira e pela maior competitividade logística em rotas curtas. Já as exportações desses países via contêiner avançaram 1,7% no período, mas tiveram retração de 1,4% em junho, refletindo tanto a sazonalidade de embarques quanto o impacto das incertezas no comércio global.
Especialistas avaliam que o saldo do semestre combina sinais de resiliência com riscos latentes. Se, por um lado, o Brasil manteve o ritmo das importações e conseguiu ampliar vendas para mercados alternativos como Índia, por outro, a queda para a China e as perspectivas negativas para os embarques aos Estados Unidos no segundo semestre — com o início efetivo das sobretaxas — reforçam a necessidade de diversificação e ajustes rápidos nas estratégias comerciais e logísticas.
Perspectivas para o segundo semestre
O segundo semestre de 2025, portanto, começa sob influência de um cenário internacional mais adverso para o comércio exterior brasileiro por contêineres. A imposição de tarifas de até 50% pelos Estados Unidos sobre produtos sensíveis, como frutas e sucos, deve reduzir a competitividade em um de seus principais mercados e encurtar as janelas comerciais. Parte desses embarques tende a ser redirecionada para destinos como Índia, Oriente Médio e Sudeste Asiático, mas com margens mais comprimidas e custos logísticos mais elevados.
Na China, a prorrogação da investigação de salvaguardas para carne bovina evita um choque imediato, mas mantém o setor em estado de atenção até novembro. Essa indefinição afeta o fechamento de contratos e o planejamento logístico no agro, especialmente próximo ao pico de exportações no fim do ano.
Nas importações, a expectativa é de manutenção do crescimento observado no primeiro semestre, porém em ritmo mais moderado. Bens de capital, como máquinas e reatores, continuam impulsionando a recuperação industrial, mas empresas devem ajustar compras diante da volatilidade cambial e da incerteza global.
A logística internacional também atravessa um momento de ajustes. Após o pico das tarifas spot nas rotas Ásia–EUA em junho, os valores começaram a cair com o aumento da capacidade disponível e a reacomodação das rotas ao novo cenário tarifário. Apesar da trégua momentânea, o ambiente segue volátil, exigindo de exportadores e importadores estratégias como hedge de frete e contratos mais flexíveis para mitigar riscos.
No Plate, as importações conjuntas de Argentina, Paraguai e Uruguai foram fortes até junho, mas podem enfrentar moderação na segunda metade do ano devido a mudanças nas rotas e ao efeito indireto das medidas norte-americanas sobre cadeias integradas ao Brasil.
A leitura predominante é que 2025 será marcado pela coexistência de choques de política comercial e choques logísticos. Nesse contexto, a diversificação de mercados e a gestão ativa de frete deixam de ser diferenciais e passam a ser condições essenciais para preservar volumes e margens nas exportações e importações brasileiras.
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