Indústria da madeira do RS sofre com tarifaço dos EUA e expõe dependência do mercado norte-americano
set, 22, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202540
A indústria da madeira do Rio Grande do Sul, responsável por mais de R$ 500 milhões em exportações anuais para os Estados Unidos, enfrenta seu maior desafio em anos. Com a nova tarifa de 50% imposta pelo presidente norte-americano, Donald Trump, no início de agosto, empresas já começaram a cortar turnos, suspender contratos e paralisar linhas de produção.
Segundo dados da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), o setor emprega cerca de 16 mil pessoas e representou, em 2023, 11% da receita líquida da indústria gaúcha. Além disso, mais de um terço de suas exportações têm como destino exclusivamente os EUA, o que reforça a alta dependência do estado em relação ao mercado norte-americano.
Impacto imediato no emprego
Com a redução drástica dos embarques, milhares de trabalhadores já sentem os efeitos. “Estamos começando a colher os primeiros impactos concretos, a consolidação das estatísticas e das previsões na atividade econômica das empresas”, afirma Giovani Baggio, economista-chefe da Fiergs.
Empresas do setor relatam dificuldades para manter a produção. Sem alternativas de mercado no curto prazo, algumas fábricas reduziram turnos, enquanto outras suspenderam contratos temporários ou simplesmente pararam determinadas linhas.
Por que o RS é tão dependente dos EUA?
A relação da indústria gaúcha da madeira com os EUA não é apenas econômica, mas também cultural. Os principais itens exportados pelo estado — cercas de pinus, molduras residenciais e chapas compensadas — são produzidos quase exclusivamente para atender ao consumo norte-americano.
- No Brasil e em outros países, a demanda por esses produtos é pequena ou quase inexistente. O exemplo mais emblemático é o das cercas de madeira:
- Nos EUA, são parte da paisagem cotidiana, presentes nos quintais de praticamente todas as casas.
No Brasil, esse tipo de produto não tem tradição. Aqui, a preferência é pelo concreto, o que inviabiliza um mercado interno expressivo.
“Aqui a gente usa concreto. Lá, todas as casas têm uma cerca nos fundos. Então não acontece essa substituição, o mercado interno é menor e precisamos da exportação”, lamenta Leonardo de Zorzi, presidente do Sindicato das Indústrias de Madeira do RS (Sindimadeira).
Setores afetados além da madeira
Embora o impacto seja mais severo no setor madeireiro, as novas tarifas também atingem outras áreas da economia brasileira que têm forte dependência das exportações para os EUA. Entre os produtos mais afetados estão café, carne bovina, frutas e pescado.
Desafio para o futuro
A busca por novos mercados aparece como alternativa, mas especialistas afirmam que essa transição não será imediata. A cultura de consumo e a demanda específica dos norte-americanos criaram uma dependência difícil de quebrar.
Confira abaixo um histórico das exportações brasileiras de madeira para os EUA de janeiro a julho de 2022 a 2025. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner e exclui cabotagem, transbordo e movimentações internas.
Exportações de Madeira para os EUA | Jan 2022 a Jul 2025 | WTMT
Fonte: DataLiner (Clique aqui para solicitar uma demo)
Enquanto isso, os reflexos do tarifaço já chegam às famílias gaúchas, principalmente nos municípios onde a indústria da madeira é a principal fonte de renda.
Fonte: Clic Camaquã
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