Portos dizem que integração com outros modais é crucial para a região Sul
set, 25, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202540
A integração entre os modais portuário, hidroviário, rodoviário e ferroviário é, segundo operadores, um dos maiores
desafios para a infraestrutura de transporte na região Sul, considerada um dos principais pilares logísticos do país.
Estudo recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que a sinergia entre esses modais permitiria
reduzir custos, aumentar a capacidade de carga e diminuir o impacto ambiental.
“Apesar da relevância, a infraestrutura portuária da região enfrenta gargalos que limitam seu potencial”, diz Rodrigo
Cuesta, diretor financeiro e de novos negócios da Norsul, empresa de navegação e logística. Para ele, investimentos
em dragagens, expansões de infraestrutura portuária e terrestre, além de sistemas mais eficientes, trariam ganhos
imediatos de produtividade. “A solução passa por um plano coordenado de investimentos que alinhem capacidade
física, tecnologia e eficiência operacional, garantindo que o potencial logístico da região seja plenamente
aproveitado”, diz Cuesta.
Cleverton Vieira, presidente do Porto de São Francisco do Sul (SC), também avalia que há necessidade de melhorar a integração dos modais para a expansão sustentável das em Santa Catarina, entre públicos e privados, que operam com sinergia, mas enfrentam problemas de acesso. Embora [o acesso] não seja deficiente, é insuficiente”, diz.
A duplicação da BR-280, que liga o noroeste catarinense a São Francisco do Sul, em estudo desde 2012, é uma das reivindicações. A necessidade de uma quarta faixa de ao menos 1,4 km no acesso ao complexo é tal que o porto decidiu bancar os R$ 12,5 milhões da obra.
Uma parceria pública privada entre a operadora, o Estado e o Porto Itapoá desembolsará R$ 324 milhões para o aprofundamento (de 14 m para 16 m) e alargamento da curva de acesso (para 260 m) do canal externo da baía da Babitonga, onde ficam os dois portos. A meta da operadora é, até 2035, dobrar a capacidade de movimentação de cargas no complexo portuário registrada no ano passado, de 17 milhões de toneladas.
No Estado vizinho, a Portos do Paraná está investindo R$ 600 milhões na construção do chamado Moegão, um sistema de descarga ferroviária de grãos que visa aumentar a eficiência e a capacidade de recebimento de cargas em Paranaguá em 60%. “Além de atender à demanda atual, [o Moegão] prepara o porto para receber o maior volume de cargas que chegarão a Paranaguá pelo modal ferroviário”, diz Luiz Fernando Garcia, diretor-presidente da Portos do Paraná.
O complexo terá três linhas férreas independentes capazes de descarregar 180 vagões a cada quatro horas, conectados, por correia transportadoras, a 11 terminais. Isso reduzirá os cruzamentos ferroviários urbanos de 16 para 5.
A estatal fará, em outubro, leilão para concessão do canal de acesso ao porto, com previsão de ampliação do calado dos atuais 13,1 m para 15,5 m. “Dois metros de calado representam, em média, mil contêineres a mais no navio ou 14 mil toneladas a mais de algum produto em uma embarcação”, afirma Garcia.
Confira abaixo um histórico das exportações de contêineres via Porto de Paranaguá a partir de janeiro de 2022. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:
Movimentação de contêineres no Porto de Paranaguá | Jan 2022 a Julho 2025 | TEU
Fonte: DataLiner (Clique aqui para solicitar uma demo)
A Portos RS, estatal que administra os principais portos do Rio Grande do Sul, faz coro em relação à necessidade da integração dos modais, que traria, segundo seu presidente, Cristiano Klinger, ganhos importantes e melhorias na eficiência logística gaúcha. “O governo do Estado vem tratando a pauta ferrovia, importante passo que exige investimentos, para que a gente consiga ter a integração entre os modais e, consequentemente, melhorar a chegada ou a saída de cargas ao nosso complexo portuário em Rio Grande”, afirma.
Rodovias também são fundamentais, diz ele, principalmente a BR-392, que liga Santa Maria a Rio Grande, com trechos que não estão duplicados. “Isso traz transtornos, aumentando o tempo e o risco da utilização desses trechos da rodovia, que está dentro do nosso complexo portuário”, afirma.
O executivo informa ainda que, para melhorar a navegabilidade, a Portos RS investe R$ 731 milhões, provenientes do Fundo do Plano Rio Grande, para recuperar canais para navegação interior e o calado de acesso ao porto de Rio Grande, para 15 m, afetados pelas enchentes de 2024. Para este ano, espera-se que o complexo portuário gaúcho movimente mais que as 45 milhões de toneladas de 2024.
As hidrovias do Rio Grande do Sul também enfrentam desafios importantes, entre eles assoreamento de canais e pedrais que precisam ser vencidos, além da necessidade de dragagem e manutenção. A Hidrovia do Mercosul (lagoados Patos e rio Jacuí), importante corredor logístico para o transporte de grãos e produtos florestais, tem trechos com dificuldade de navegabilidade por causa desses problemas.
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