Comércio global perde fôlego no fim de 2025, aponta OMC
dez, 01, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202549
Após um início de ano marcado por forte expansão das trocas internacionais, o comércio mundial de bens mostra sinais claros de desaceleração na segunda metade de 2025. A avaliação é da Organização Mundial do Comércio (OMC), que divulgou, na última sexta-feira (28 de novembro), a leitura mais recente do seu Barômetro do Comércio de Bens, indicador que monitora tendências do comércio em tempo real.
Segundo a entidade, o salto observado nos primeiros meses do ano foi impulsionado pelo adiantamento de importações diante de possíveis elevações tarifárias e pelo aumento da demanda por produtos vinculados à inteligência artificial. Com o arrefecimento desses fatores, o ritmo de crescimento das trocas internacionais tende a ser mais moderado no fim do ano.
O índice do barômetro recuou de 103,5 em junho para 101,8 em setembro, permanecendo acima da linha de tendência — marcada por 100 pontos —, mas evidenciando perda de impulso. Como o indicador costuma antecipar movimentos de dois a três meses, a expectativa é de que o volume global de comércio siga em alta, porém com menor intensidade no quarto trimestre.
Entre os componentes, apenas o subíndice de matérias-primas agrícolas ficou abaixo da tendência, em 98 pontos, sinalizando contração prolongada. Já os indicadores de transporte aéreo (102,7) e marítimo (101,7) também recuaram, refletindo menor dinamismo logístico. Os segmentos automotivo (103,0) e eletrônicos (102,0) permaneceram praticamente estáveis.
O índice de novas encomendas de exportação, em 102,3, superou a linha de base e indica continuidade no avanço das vendas externas mundiais.
Perspectivas
A OMC lembra que o comércio global de bens cresceu 4,9% no primeiro semestre, superando as estimativas iniciais. Ainda assim, a entidade alerta que o ambiente de tarifas elevadas e incertezas na política comercial pode limitar o dinamismo no restante do ano.
A projeção mais recente para 2025, divulgada em 7 de outubro, aponta crescimento de 2,4% no comércio mundial. Esse resultado, no entanto, pode ser mais robusto caso a demanda por produtos ligados à inteligência artificial permaneça firme.
Fonte: Portal In
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