Carnes

Brasil supera EUA como maior produtor de carne bovina, aliviando aperto da oferta global

jan, 08, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202602

O Brasil superou os Estados Unidos como o maior produtor mundial de carne bovina no ano passado, segundo estimativas de mercado, depois que o país sul-americano superou as previsões de produção em centenas de milhares de toneladas, aliviando um aperto na oferta global e ajudando a limitar a alta dos preços da carne.

O Brasil já era o maior exportador de carne bovina, com embarques avaliados em quase US$ 17 bilhões em 2025, de acordo com dados de comércio do governo divulgados na terça-feira, dia 6. Os números oficiais de produção ainda não foram divulgados e só devem sair em fevereiro, mas analistas vêm elevando suas estimativas recentemente. Produtores têm enviado mais animais para o abate, aproveitando a forte demanda externa de países como China e Estados Unidos, onde a baixa oferta levou os preços da carne bovina a níveis recordes.

O gráfico abaixo mostra os principais clientes de carne bovina do Brasil nos primeiros onze meses de 2025. Os dados apresentados são do DataLiner da Datamar.

Compradores de Carne Bovina do Brasil | Jan – Nov 2025 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração) 

Normalmente, um período de abates elevados leva a uma fase posterior de menor produção, à medida que os produtores retêm animais para reprodução e recomposição dos rebanhos. No entanto, ganhos de produtividade no Brasil podem limitar ou até evitar essa queda, segundo pessoas do setor. Elas observam que as fazendas têm inseminado o gado mais rapidamente, engordado os animais em menos tempo e abatido o rebanho mais jovem.

“Há dez anos, a idade média do gado abatido no Brasil era de cinco anos”, disse Vinicius Barbosa, gerente comercial responsável por dezenas de milhares de cabeças de gado no confinamento da CMA, em Barretos, a cerca de 260 milhas (420 km) ao norte de São Paulo. “Hoje é de 36 meses e está caminhando rapidamente para 24”, afirmou.

Mauricio Nogueira, diretor da consultoria pecuária Athenagro, disse que a produção brasileira de carne bovina superou amplamente sua previsão em 2025. A produção cresceu 4% no ano, quando ele havia projetado uma queda de 2,7%. O aumento de cerca de 800 mil toneladas foi aproximadamente equivalente ao total exportado anualmente pela Argentina, o quinto maior exportador mundial de carne bovina.

O Rabobank, que esperava uma queda na produção brasileira em 2025, agora vê um crescimento de 0,5%, para 12,5 milhões de toneladas em equivalente carcaça. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou em dezembro sua estimativa para a produção brasileira em 450 mil toneladas, para 12,35 milhões de toneladas.

Se os números oficiais confirmarem as estimativas do mercado, 2025 será o primeiro ano em que a produção brasileira terá superado a dos Estados Unidos, que caiu 3,9%, para 11,8 milhões de toneladas em 2025, segundo estimativas do USDA, após anos de seca.

BRASIL SE DESTACA ENQUANTO GRANDES PRODUTORES REDUZEM ESCALA

Os preços globais da carne bovina dependerão de o Brasil conseguir evitar uma queda de produção neste ano.

O USDA espera que a produção dos seis maiores produtores do mundo caia, em conjunto, 2,4% em 2026 — a maior queda anual em décadas — após ter subido 0,4% em 2025. Esses produtores são Brasil, Estados Unidos, China, União Europeia, Argentina e Austrália. A lista exclui a Índia, que o USDA classifica como um dos seis maiores produtores, embora o país produza carne de búfalo, e não carne bovina.

O USDA projeta que a produção brasileira caia 5,3% neste ano, para 11,7 milhões de toneladas em equivalente carcaça. Se as estimativas de Nogueira se confirmarem e a produção aumentar para cerca de 12,6 milhões de toneladas, a queda entre os seis maiores produtores seria de apenas 0,2%.

“Nunca houve tanta demanda internacional por carne bovina brasileira”, disse Guilherme Jank, analista da Datagro, acrescentando que os frigoríficos locais também ampliaram sua capacidade.

“Estamos testemunhando, em primeira mão, uma mudança significativa na forma como funciona o sistema de oferta de gado de corte no Brasil, em termos de qualidade, escala, eficiência e produtividade”, afirmou.

Reportagem de Ana Mano, em Barretos, e Peter Hobson, em Canberra. Reportagem adicional de Ella Cao, em Pequim, e Tom Polansek, em Chicago. Edição de Brad Haynes e David Gregorio

Fonte: Reuters

Sharing is caring!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


O período de verificação do reCAPTCHA expirou. Por favor, recarregue a página.