Porto do Paquistão aproveita guerra no Irã e movimenta em 24 dias o equivalente a um ano
mar, 30, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202614
O porto de Karachi, no Paquistão, registra um forte aumento na movimentação de cargas em transbordo devido à interrupção no Estreito de Ormuz, que levou transportadoras a redirecionarem suas rotas. Além disso, descontos nas taxas portuárias oferecidos por Islamabad têm incentivado companhias de navegação a utilizarem o porto no Mar Arábico.
Segundo o ministro federal de Assuntos Marítimos, Muhammad Junaid Anwar Chaudhry, cerca de 8.300 contêineres foram movimentados para transbordo durante todo o ano de 2025, enquanto, apenas nos últimos 24 dias, o volume chegou a 8.313 contêineres.
As companhias passaram a descarregar cargas em Karachi após a interrupção dos serviços para Dubai, Salalah e outros portos do Golfo, causada pela crise no Estreito de Ormuz. O Irã fechou efetivamente a hidrovia desde 2 de março, após ataques dos Estados Unidos e de Israel.
Especialistas apontam que o principal fator para o aumento do volume é o conflito no Oriente Médio, que tornou inoperantes centros logísticos tradicionais, como o porto de Jebel Ali, em Dubai. Com isso, transportadoras foram obrigadas a redirecionar cargas para portos alternativos, beneficiando Karachi.
O crescimento também foi impulsionado por empresas já estabelecidas no país. Operadoras portuárias e companhias globais de navegação, como Hutchison Ports, Maersk e Cosco, possuem operações no Paquistão, o que facilitou o redirecionamento das cargas.
Além disso, havia capacidade disponível nos terminais portuários para absorver o aumento do transbordo, em parte devido à redução do comércio de trânsito com o Afeganistão. Outro fator decisivo foi a oferta de descontos de até 60% nas taxas portuárias, em vigor desde 18 de março.
Para sustentar o crescimento no longo prazo, especialistas destacam a necessidade de políticas estáveis e competitivas. O aumento do transbordo pode melhorar a imagem do Paquistão como um potencial hub logístico, embora existam dúvidas sobre a capacidade de expansão da infraestrutura, que exige investimentos significativos em toda a cadeia logística.
Fonte: Valor Econômico
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