Anfavea: produção de veículos cresce 3,5% em 2025 e vê forte avanço nas exportações
jan, 15, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202603
A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) divulgou na manhã desta quinta-feira (15) que a produção de veículos no Brasil encerrou 2025 em trajetória de crescimento, consolidando o melhor ano da indústria automotiva desde 2019. O balanço mostra avanço da produção, forte alta dos emplacamentos no mercado interno e desempenho positivo das exportações, especialmente no segundo semestre.
De acordo com a Anfavea, as montadoras produziram 2,65 milhões de veículos em 2025, alta de 3,5% em relação a 2024. O resultado reflete melhora do ritmo fabril ao longo do ano, apesar de paradas pontuais e ajustes de produção em alguns meses.
As exportações totalizaram 528 mil veículos, avanço expressivo de 32,1%, com destaque para os mercados da América do Sul, especialmente Argentina, Chile e Colômbia.
“O patamar elevado da taxa Selic e a persistência de tensões geopolíticas, que limitaram uma recuperação mais consistente do setor ao longo de 2025, seguem presentes neste início de ano. Esse cenário nos leva a projetar um comportamento de mercado em 2026 bastante semelhante ao observado no segundo semestre do ano passado”, afirmou o presidente da Anfavea, Igor Calvet.
Anfavea alerta para avanço das importações
Ao longo de 2025, a Anfavea também reforçou sua preocupação com o avanço dos veículos importados, que cresceu 6,6% no mercado brasileiro. No acumulado do ano, o país importou 497.765 veículos, o maior volume dos últimos 11 anos.
O número se aproxima do pico registrado em 2014, quando 617.023 veículos estrangeiros entraram no país. A diferença, segundo a entidade, está na origem desses modelos. Enquanto naquela época a Argentina era o principal fornecedor, em 2025 a China assumiu protagonismo entre os importados.
O país asiático representou 37,6% dos 498 mil importados emplacados no Brasil em 2025. Assim, pela primeira vez, Mercosul e México não lideraram a lista, com países fora desses tradicionais parceiros representando 50,2% dos importados vendidos no país.
“Nossa expectativa é que o fluxo de entrada de modelos eletrificados importados se reduza ao longo de 2026, com o início da produção nacional de veículos híbridos e elétricos em diversas fábricas instaladas no país, o fim dos incentivos à importação de kits para SKD e CKD e a recomposição da alíquota do Imposto de Importação, prevista para julho”, disse Igor Calvet.
A virada ocorreu ao longo do ano e ficou evidente a partir de julho, com a expansão acelerada das montadoras chinesas no mercado brasileiro. Em 2025, seis novas marcas chinesas estrearam no país: Denza, MG Motor, GAC, Leapmotor, Omoda & Jaecoo e Geely.
Esse movimento, segundo a Anfavea, altera a dinâmica competitiva do setor e pressiona a indústria local, especialmente em segmentos de maior valor agregado e eletrificação, exigindo resposta em investimentos, tecnologia e escala produtiva.
Anfavea vê desafios estruturais para 2026
Para a entidade, os dados de 2025 mostram uma indústria em recuperação, mas ainda distante do potencial histórico. O avanço das importações, a concorrência internacional e o ritmo mais fraco da produção acendem alertas para 2026, ao mesmo tempo em que o desempenho das exportações aparece como um fator de sustentação relevante para o setor automotivo brasileiro.
Fonte: Times Brasil
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