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Exportações de vinho argentino despencam e acendem alerta nas principais vinícolas

jan, 22, 2026 Postado porGabriel Malheiros

Semana202604

O mercado de vinho argentino encerrou o último ano com resultados negativos. As exportações atingiram o menor volume desde 2004 e o menor valor desde 2009, acendendo um sinal de alerta entre as principais vinícolas do país.

Dados do Instituto Nacional de Vitivinicultura (INV) indicam queda de 7% nas exportações entre janeiro e dezembro do ano passado em comparação com o mesmo período do ano anterior. No intervalo, foram exportados 1,9 milhão de hectolitros de vinhos brancos e tintos, abaixo dos 2 milhões de hectolitros embarcados no ano anterior.

No mercado marítimo, segundo dados obtidos da plataforma DataLiner, a Argentina teve apenas 1.253 TEUs de vinhos embarcados rumo a exportação entre janeiro e novembro de 2025. Veja abaixo a variação mensal das exportações de vinhos da Argentina, de acordo com dados da Datamar:

Exportações de vinho da Argentina | Jan 2022 – Nov 2025 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração) 

Segundo Magdalena Pesce, CEO da Wines of Argentina (WofA), o desempenho está diretamente ligado ao contexto econômico interno. “O que acontece dentro da economia argentina influencia de forma direta. Os custos de produção estão mais elevados e, mesmo com a inflação mais controlada, o impacto permanece”, afirmou.

A esse cenário soma-se um conjunto de dificuldades estruturais que o setor enfrenta há anos. “Custos logísticos elevados, dificuldade de competir com preços atrativos no mercado internacional e, além disso, fatores relacionados à situação dos mercados externos”, explicou Pesce.

Nesse contexto, a executiva destacou a desaceleração de dois mercados estratégicos para o vinho argentino: Estados Unidos e China. “Nos Estados Unidos, sempre fomos uma categoria atrativa para determinados consumidores, que hoje estão sendo afetados pela conjuntura econômica. Não é um problema exclusivo da Argentina, mas do setor como um todo”, acrescentou.

Os Estados Unidos seguem como um mercado-chave para a indústria vitivinícola. A Argentina exporta entre 25% e 28% de sua produção total, sendo que cerca de metade desse volume tem como destino o mercado norte-americano.

Apesar do quadro geral desfavorável, algumas empresas apresentaram desempenho distinto. A Trivento, maior exportadora de vinhos argentinos no mundo, registrou resultados positivos. Mesmo com o aumento de 10% nas tarifas, a vinícola obteve “um crescimento sólido, não apenas nos embarques, mas também nas vendas efetivas realizadas por nossos clientes nos Estados Unidos, segundo dados da Circana Trends”, afirmou Marcos Jofré, CEO da Trivento na Argentina.

Mudança de hábitos

A retração nas vendas globais de vinho argentino não foi ainda mais acentuada porque, em outros momentos do ano, a queda interanual chegou a superar 15%, como ocorreu em julho e agosto.

Para Pesce, a mudança no perfil de consumo também pesa sobre o setor. “A geração Z não consome álcool como as anteriores. Não é que não haja interesse pelo vinho, mas há uma busca por opções mais leves. Ficamos presos a um conjunto de fatores bastante desafiador para o setor”, afirmou.

Na mesma linha, Milton Kuret, diretor executivo da entidade Bodegas de Argentina, destacou que há uma redução do consumo de vinho em escala global. “Existe uma diminuição do consumo no mundo todo e, naturalmente, acompanhamos esse movimento”, disse, ressaltando que as mudanças nos hábitos de consumo e a perda de competitividade internacional seguem como desafios centrais para a vitivinicultura argentina.

Nesse cenário, os rótulos de maior valor agregado têm mostrado maior resiliência. Na Trivento, a estratégia passa por um posicionamento mais voltado ao público gourmet. “Estamos diversificando o portfólio com varietais como Cabernet Sauvignon e investindo fortemente no White Malbec, um vinho inovador que busca atrair novos consumidores e criar novas ocasiões de consumo, além do Malbec tradicional”, concluiu Jofré.

Fonte: Forbes Argentina

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