Guerra no Oriente Médio deve elevar custos do agronegócio brasileiro
mar, 02, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202610
A escalada da tensão no Oriente Médio após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã deve elevar os custos de produção e logística do agronegócio brasileiro.
Analistas ouvidos pela Globo Rural afirmaram que não há previsão de um choque de demanda — com os embarques de grãos e carnes para a região devendo continuar —, mas que novas rotas marítimas, preços mais altos do petróleo e um dólar mais forte são efeitos indiretos prováveis nas próximas semanas.
“O mundo hoje não é o mesmo que era na sexta-feira [27]”, disse Luiz Carlos Pacheco, analista sênior da T&F Consultoria. Ele e outros especialistas afirmaram que não esperam que o conflito se prolongue como a guerra na Ucrânia, por exemplo.
“A guerra entre Estados Unidos e Irã afeta o mundo inteiro porque todos dependem do petróleo. É um conflito grande demais para se estender além de 15 dias”, disse Pacheco.
Vlamir Brandalizze, diretor da Brandalizze Consulting, também afirmou que não espera que o conflito dure muito. Ele vê um impacto temporário nos preços das commodities agrícolas negociadas em bolsa, além de custos mais altos com fertilizantes e logística.
Custos de fertilizantes
“O impacto dessa guerra vem de duas formas. Primeiro, nos fertilizantes, porque o Irã é um grande fornecedor de ureia para o mercado global e também para o Brasil. Há ainda a expectativa de um dólar mais forte, e isso afeta os custos”, disse Brandalizze.
Maísa Romanello, analista do mercado de fertilizantes da Safras & Mercado, afirmou que, embora o Irã não seja um grande fornecedor direto de fertilizantes ao Brasil, é uma fonte-chave de gás natural usado por países que exportam fertilizantes nitrogenados para o Brasil, como Catar, Omã e Nigéria.
“Todos esses países recebem gás natural vindo do Irã para produzir ureia, e se o fluxo de gás natural for interrompido, esses países enfrentarão redução na disponibilidade de matéria-prima”, disse Romanello.
Ela acrescentou que os preços globais dos fertilizantes já vinham em trajetória de alta, tendência que deve se intensificar nas próximas semanas. “O mercado já vinha precificando essas questões geopolíticas, não apenas no Irã, mas também na Rússia, além de outros fatores, como a China restringindo a oferta para manter o produto no mercado doméstico”, afirmou Romanello.
Fluxos comerciais
Para os embarques de produtos do agronegócio brasileiro destinados ao Irã e ao Oriente Médio de forma mais ampla, a perspectiva é de continuidade do comércio, ainda que com custos mais altos e rotas mais longas.
“À primeira vista, os fluxos comerciais não serão interrompidos permanentemente. Eles ficarão mais complexos, mais difíceis, mas os produtos brasileiros devem continuar chegando aos seus destinos”, disse Fernando Iglesias, coordenador de mercados da Safras & Mercado.
A região inclui mercados importantes para as exportações brasileiras de carnes, como os Emirados Árabes Unidos, o maior importador de frango do Brasil, que comprou 480 mil toneladas em 2025, alta de 6% em relação ao ano anterior.
Em grãos, a região se destaca como principal compradora do milho brasileiro. O Irã foi o principal destino das exportações de milho do Brasil em 2025, com a compra de 9 milhões de toneladas, seguido pelo Egito, com 7,6 milhões de toneladas.
A maior parte dos embarques, no entanto, ocorre entre julho e fevereiro, o que reduz as perspectivas de um impacto imediato no setor. “Provavelmente, até o meio do ano, quando o Brasil colhe a segunda safra de milho e volta a exportar, a questão do Irã já estará resolvida”, acrescentou Brandalizze.
Fonte: Valor International
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