Economia

Economia brasileira desacelerou em 2025 sob o peso dos juros elevados

mar, 04, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202610

A economia do Brasil cresceu 2,3% em 2025, seu desempenho mais fraco desde o período da pandemia de COVID-19 em 2020, à medida que juros elevados pressionaram o consumo e os investimentos, mostraram dados oficiais divulgados na terça-feira, 3 de março.

A maior economia da América Latina registrou crescimento de apenas 0,1% no quarto trimestre em relação aos três meses anteriores, em linha com uma pesquisa da Reuters. Isso reforçou as expectativas de cortes iminentes na taxa de juros, após o banco central sinalizar que começará o afrouxamento monetário quando se reunir no fim deste mês, apesar da inflação ainda acima da meta.

A desaceleração econômica do ano passado ocorreu em meio a uma política monetária restritiva destinada a conter a inflação — que estava em 4,1% nos 12 meses até meados de fevereiro — e aproximá-la da meta de 3% do banco central.

O crescimento econômico desacelerou em relação à expansão de 3,4% registrada em 2024 e marcou o desempenho mais fraco desde a contração de 3,3% em 2020. No quarto trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,8%, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em linha com as expectativas do mercado.

A economia brasileira demorou a desacelerar após as medidas de estímulo adotadas quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o cargo em 2023, que impulsionaram a demanda e ajudaram o crescimento a superar as previsões iniciais.

Os formuladores de política monetária do Banco Central interromperam em julho passado um ciclo agressivo de aperto monetário e, desde então, mantêm a taxa básica Selic em 15%, o nível mais alto em quase duas décadas. Em janeiro, sinalizaram a intenção de iniciar cortes nas taxas ainda neste mês.

O Banco Central afirmou em dezembro que esperava que a economia crescesse 2,3% em 2025 e desacelerasse ainda mais para 1,6% neste ano.

O Ministério da Fazenda, no entanto, reiterou em comunicado divulgado na terça-feira uma projeção mais otimista de crescimento de 2,3% para este ano, argumentando que uma desaceleração mais forte na agricultura seria compensada por uma expansão mais rápida na indústria e nos serviços.

Para o primeiro trimestre, o secretário de política econômica do ministério projetou uma “forte aceleração” do crescimento do PIB em relação ao trimestre anterior, próxima de 1%. A previsão reflete a implementação da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que ganham até 5.000 reais (US$ 954,05) por mês, uma promessa central de Lula, que busca a reeleição nas eleições gerais de outubro.

“Depois disso, o crescimento da atividade deve desacelerar gradualmente, à medida que os efeitos das políticas públicas se dissipem e sejam apenas parcialmente compensados por custos menores de financiamento”, afirmou o ministério.

Setor de serviços desacelera

Em 2025, o crescimento do setor de serviços, principal motor da economia brasileira, desacelerou para 1,8%, ante 3,8% no ano anterior.

Impulsionada por uma safra recorde, especialmente de soja e milho, a agropecuária avançou 11,7%, enquanto a indústria cresceu 1,4%, apoiada pela extração de petróleo e gás.

Pelo lado da demanda, o IBGE destacou o crescimento mais fraco do consumo das famílias, que avançou 1,3% em 2025, contra 5,1% em 2024, “principalmente devido aos efeitos adversos da política monetária contracionista”.

Os gastos do governo aumentaram 2,1% no ano passado, frente a 2,0% em 2024, enquanto a formação bruta de capital fixo, indicador de investimento de longo prazo, cresceu 2,9%, bem abaixo da expansão de 6,9% registrada no ano anterior.

Reportagem de Marcela Ayres para a Reuters

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