Guerra eleva custos milionários para exportadores brasileiros de carne
mar, 06, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202610
Cada dia em que um navio porta-contêineres refrigerados é obrigado a aguardar enquanto busca rotas alternativas para contornar zonas de risco no Oriente Médio pode acrescentar até US$ 570 mil em custos extras para exportadores brasileiros, apenas em penalidades de demurrage por atraso na descarga.
Desde o início da guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, os embarques marítimos de carne estão entre os mais afetados, enfrentando despesas logísticas mais elevadas. Além do demurrage, as cargas também estão sujeitas a taxas de risco de guerra e custos de desvio de rota, que são mais altos para contêineres refrigerados.
O demurrage é uma taxa diária cobrada pelo armador do afretador quando o navio permanece atracado por mais tempo do que o previsto no contrato.
Em geral, o demurrage pode custar entre US$ 325 e US$ 475 por dia para um contêiner refrigerado de 40 pés, segundo estimativa da Macroinfra Consultores. Isso significa que, se o atraso durar duas semanas, por exemplo, a penalidade pode chegar a US$ 6.400 por contêiner no período.
Olivier Girard, diretor da Macroinfra, observou que os navios que normalmente operam no Brasil podem transportar entre 800 e 1.200 contêineres refrigerados em uma única viagem. Considerando um navio carregado com 1.200 contêineres e uma taxa de demurrage de US$ 475, o custo diário poderia chegar a cerca de US$ 570 mil.
“Esse valor de demurrage varia dependendo do armador, do tamanho do navio, da causa do atraso, do volume transportado, do tipo de carga, do contrato firmado, entre outros critérios”, afirmou Girard.
Percepção de risco
Pesquisadores do Insper Agro Global afirmaram que, além dos gastos com demurrage, os custos logísticos relacionados à guerra também foram impulsionados por desvios de rota, maior percepção de risco e aumento dos prêmios de seguro para o transporte marítimo.
“O resultado é uma expansão dos custos operacionais ao longo de toda a cadeia”, afirmou o Insper em estudo.
O conflito provocou um bloqueio da navegação pelo Estreito de Hormuz, entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, por onde passa ao menos 20% da produção mundial de petróleo, além de outras mercadorias destinadas ao Oriente Médio ou provenientes da região. O Insper afirmou ainda que a guerra também coloca em risco o fluxo marítimo pelo estreito de Bab el-Mandeb, que dá acesso ao Canal de Suez, no Egito.
Na quinta-feira (5), a MSC, uma das maiores companhias de navegação do mundo, começou a aplicar uma Sobretaxa de Risco de Guerra (War Risk Surcharge – WRS) a todas as cargas que saem da Península Arábica com destino à África Ocidental, África Oriental, África do Sul, Moçambique e às ilhas do Oceano Índico. A taxa é de US$ 4.000 por contêiner refrigerado, US$ 3.000 por contêiner de 40 pés e US$ 2.000 por contêiner de 20 pés.
A MSC também declarou o encerramento da viagem para todos os embarques atualmente sob sua custódia, em terra ou no mar, com destino a portos do Golfo Pérsico. “Uma sobretaxa obrigatória de US$ 800 por contêiner será aplicada a todos os embarques afetados, sem exceção, para cobrir custos de desvio”, informou a empresa em seu site.
A companhia afirmou que todos os embarques em trânsito serão desviados para o próximo porto seguro para descarga e que poderão ocorrer outros custos “de responsabilidade exclusiva da carga”.
Já a Maersk suspendeu, desde quinta-feira, as reservas de carga refrigerada com origem, destino ou trânsito nos Emirados Árabes Unidos, Omã, Iraque, Kuwait, Jordânia, Catar, Bahrein e Arábia Saudita.
Os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita e o Iraque são, respectivamente, os três principais destinos das exportações brasileiras de carne de frango.
Passagem por Hormuz
Hapag-Lloyd e CMA CGM estiveram entre as primeiras companhias a suspender o trânsito pelo Estreito de Hormuz e aplicar sobretaxas de risco de guerra, em vigor desde 2 de março.
A taxa da Hapag-Lloyd é de US$ 1.500 por TEU (unidade equivalente a contêiner de 20 pés) para contêineres padrão, enquanto contêineres refrigerados pagam US$ 3.500 por unidade. Já a sobretaxa da CMA CGM chega a US$ 4.000 por contêiner refrigerado.
“Entendemos que essas medidas podem impactar suas operações logísticas e de cadeia de suprimentos; no entanto, são passos necessários que também envolvem custos operacionais adicionais”, afirmou a CMA em comunicado.
Ambas as empresas também suspenderam reservas de contêineres refrigerados com destino a países do Oriente Médio, como os Emirados Árabes Unidos.
William Adib Dib Junior, presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, disse que não há expectativa de interrupção dos embarques de cargas para a região.
“Cerca de 75% das exportações brasileiras [para o mercado árabe] são alimentos, produtos considerados essenciais. Rotas alternativas terão de ser encontradas”, afirmou ao Valor.
Segundo ele, o principal efeito é, de fato, o aumento de custos devido à necessidade de novas soluções logísticas. Uma das rotas alternativas em avaliação é via Golfo de Omã.
Fonte: Valor International
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