Transportadoras asiáticas encomendam bilhões em novos navios enquanto volatilidade no Golfo faz índices de frete apontarem em direções opostas
mar, 17, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202612
A SITC International e a Wan Hai Lines anunciaram neste mês grandes expansões de frota, sinalizando que transportadoras asiáticas de médio porte estão fazendo novos pedidos mesmo em meio a um momento de desaceleração do mercado, em vez de recuar — mesmo quando os próprios instrumentos de precificação do setor oferecem leituras contraditórias sobre como essa desaceleração se manifesta.
A SITC registrou aumento de 19% no lucro anual, alcançando US$ 1,23 bilhão em 2025, com receita de US$ 3,41 bilhões, segundo documento apresentado pela empresa à HKEX em 10 de março (código 1308). O volume de contêineres transportados cresceu 7,8%, para 3,85 milhões de TEU, enquanto as tarifas médias de frete subiram 4,5%, para US$ 753 por TEU.
A companhia especializada no comércio intra-Ásia, listada em Hong Kong, operava 119 navios com capacidade total de 184.961 TEU no fim do ano. Seu balanço mostra que pagamentos antecipados para aquisição de navios aumentaram de US$ 30,9 milhões para US$ 52,5 milhões, um indicativo de aceleração nos compromissos da carteira de pedidos. A empresa confirmou em seu relatório de resultados que pretende continuar comprando navios e investindo em logística.
Já a Wan Hai está expandindo a frota a partir de uma posição financeira mais frágil. A transportadora taiwanesa anunciou pedidos de seis novos navios, juntamente com a divulgação preliminar de seus resultados de 2025:
- Quatro navios de 6.000 TEU movidos a LNG dual-fuel, encomendados ao estaleiro CSSC Huangpu Wenchong Shipbuilding
- Dois navios de 9.200 TEU preparados para metanol, encomendados ao Shanghai Waigaoqiao Shipbuilding
O valor total dos contratos é de US$ 547 milhões, com entrega prevista para 2029–2030, segundo divulgação da empresa à bolsa.
Os resultados auditados completos de 2025 da Wan Hai serão divulgados em 17 de março. O lucro acumulado nos primeiros nove meses de 2025 foi de NT$ 21,45 bilhões (US$ 660 milhões), abaixo do lucro líquido de NT$ 47,42 bilhões registrado em todo o ano de 2024, indicando uma forte queda nos ganhos — ainda assim, a companhia optou por investir em expansão em vez de reduzir sua exposição.
Índices de frete divergem
Esses pedidos ocorrem em meio a uma divergência incomum entre os índices de frete spot.
O rastreador World Top Container Ports (WTCP) — plataforma de agregação de índices usada pela Container Markets — mostra que todos os principais benchmarks subiram na semana até 13 de março, impulsionados pelas persistentes interrupções no Golfo Pérsico, mas com magnitudes muito diferentes.
Freightos Baltic Index (FBX): +7,5%, para US$ 1.759 por contêiner de 40 pés
- China/Leste Asiático – Norte da Europa: +10,3%, para US$ 2.883
- Drewry World Container Index (WCI): +8,0%, para US$ 2.123
- Shanghai Containerized Freight Index (SCFI): +14,8%, para 1.710 pontos
- China Containerized Freight Index (CCFI): +1,7%, para 1.072 pontos
Essas diferenças não são meramente marginais — refletem bases de dados estruturalmente distintas.
- SCFI: mede tarifas spot cotadas pelas próprias companhias marítimas, coletadas semanalmente de mais de 15 linhas pelo Shanghai Shipping Exchange. Como capta o preço que as empresas pretendem cobrar na origem, reage mais rapidamente.
- FBX: agrega dados de transações reais — tarifas spot FAK e sobretaxas — provenientes da plataforma de reservas Freightos/WebCargo, suavizando ajustes individuais de cada armador.
- WCI: índice semanal da Drewry, baseado em avaliações de tarifas spot em oito rotas principais Leste-Oeste, também por contêiner de 40 pés.
- CCFI: combina tarifas spot e contratuais, reportadas por um painel de 23 armadores em portos chineses, o que reduz a volatilidade semanal.
Por isso, o CCFI quase não se moveu em uma semana em que os índices focados em tarifas spot dispararam.
Para embarcadores que utilizam apenas um desses índices como referência, a diferença prática nesta semana foi de aproximadamente US$ 500 a US$ 700 por contêiner nas rotas Ásia–Europa, dependendo do indicador utilizado.
Aposta contra o mercado?
Os lucros crescentes da SITC e a queda nos ganhos da Wan Hai contam histórias diferentes, mas ambas fazem a mesma aposta estratégica: que os navios encomendados agora entrarão em um mercado que precisará dessa capacidade em 2029–2030.
Dados da BIMCO, porém, sugerem que essa aposta pode ir contra as tendências do setor.
A carteira global de pedidos de porta-contêineres atingiu recorde de 11,8 milhões de TEU, distribuídos em mais de 1.350 navios, no final de fevereiro de 2026 — 28% acima do ano anterior, segundo o analista-chefe de transporte marítimo da BIMCO, Niels Rasmussen.
Mesmo assumindo que todos os navios com 22 anos ou mais sejam sucateados antes de 2030, a capacidade da frota mundial ainda cresceria em média 6,1% ao ano até o final da década, aproximadamente o dobro do ritmo de crescimento da demanda global por transporte de contêineres.
Fonte: Container Mag
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