Navegação

Maersk diz que rotas terrestres alternativas no Golfo ainda têm capacidade para alimentos e medicamentos

mar, 26, 2026 Postado porGabriel Malheiros

Semana202613

A gigante do transporte marítimo Maersk está mantendo o abastecimento de alimentos e medicamentos por meio de rotas terrestres alternativas no Golfo, que ainda dispõem de alguma capacidade ociosa apesar da guerra com o Irã, disse à Reuters nesta quinta-feira (26 de março) o executivo responsável pela região.

A guerra, iniciada no mês passado com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, seguidos por ofensivas iranianas em várias partes da região e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, levou o transporte marítimo no Golfo a uma quase paralisação, com reflexos sobre as cadeias globais de suprimento.

O grupo dinamarquês de navegação de contêineres A.P. Moller-Maersk está usando um sistema de “ponte terrestre” por meio dos portos de Jeddah, na Arábia Saudita, Salalah e Sohar, em Omã, e Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos, para concentrar cargas antes de transportá-las por terra a destinos em toda a região do Golfo.

Charles van der Steene, diretor-geral regional para o Oriente Médio, com sede em Dubai, afirmou que a Maersk está ampliando essa rede e coordenando ações com os governos do Golfo, que introduziram procedimentos mais rápidos para acelerar as entregas.

Embora a companhia esteja priorizando mercadorias essenciais, especialmente alimentos e medicamentos, ainda há capacidade disponível nessas rotas alternativas, acrescentou.

Os volumes de carga destinados ao porto de Jeddah saltaram 40% desde o início do conflito, disse van der Steene.

Antes do conflito, a Maersk movimentava cerca de 35 mil contêineres por semana de entrada e saída no Golfo, afirmou o executivo. Agora, a rede terrestre da companhia está absorvendo esses volumes. Nas primeiras semanas da guerra, a Maersk trabalhou com clientes e governos do Golfo para priorizar medicamentos, alimentos — incluindo cargas refrigeradas e congeladas — e outros embarques críticos.

O presidente do conselho da Maersk disse na quarta-feira que o Oriente Médio tem uma “necessidade urgente” de importações de alimentos afetadas pela guerra. Os países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) importam até 85% dos alimentos que consomem, segundo o Fórum Econômico Mundial.

Custos logísticos em alta

Algumas das rotas alternativas, como as que passam pela Arábia Saudita, já estavam em operação devido a interrupções anteriores, como as ocorridas no Mar Vermelho há dois anos. Ainda assim, a Maersk intensificou seu sistema de ponte terrestre no Golfo nas últimas semanas, acrescentou van der Steene.

A situação de segurança, ainda instável, pode obrigar a novas mudanças de rota, disse o executivo. Segundo ele, o aumento dos custos com combustível, seguros e transporte está pressionando os preços logísticos como um todo, embora não tenha informado em que magnitude.

Van der Steene afirmou ainda que a Maersk está coordenando com os governos do GCC procedimentos de fronteira, alfândega e operação em terminais, incluindo esquemas de “corredor verde” para agilizar o deslocamento das mercadorias.

Reportagem de Maggie Fick para a Reuters

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