Guerra leva o frágil mercado de alumínio à beira do desastre
abr, 01, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202614
Há seis meses, o banco de investimento americano Citi alertou que o mercado de alumínio estava “caminhando sonâmbulo para o maior déficit em 20 anos”, à medida que a China se aproximava rapidamente de seu teto anual de produção autoimposto de 45 milhões de toneladas.
Essa restrição tem sido uma bomba-relógio desde que foi introduzida em 2017 para conter a sobrecapacidade e reduzir emissões. A China atingiu esse limite pela primeira vez no ano passado, levantando dúvidas sobre se o restante do mundo conseguiria suprir a demanda por um metal utilizado em tudo, desde aeronaves e carros até embalagens de alimentos e painéis solares.
Avançando para março, traders agora se preparam para uma crise total que pode levar os preços a níveis recordes após o Irã atacar duas das maiores fundições de alumínio do Oriente Médio, região que responde por 9% da produção global.
Os ataques no fim de semana a duas unidades no Bahrein e nos Emirados Árabes Unidos elevaram os contratos futuros na Bolsa de Metais de Londres ao maior nível em quatro anos, atingindo US$ 3.492 por tonelada na segunda-feira. Os preços se aproximam rapidamente do recorde de US$ 4.073 por tonelada registrado em março de 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Antes dos ataques, o conflito no Oriente Médio e o bloqueio de fato do Estreito de Ormuz pelo Irã já haviam levado o mercado de alumínio ao limite, já que fundições no Golfo Pérsico não conseguiam exportar o metal nem importar matérias-primas essenciais, como alumina e bauxita.
“O fechamento tem forçado os consumidores a recorrerem aos estoques, que agora estão praticamente esgotados”, disse Daniel Hynes, estrategista sênior de commodities do ANZ. “Isso deixou o mercado com pouca margem para absorver choques de oferta.”
O alumínio é o metal mais utilizado no mundo depois do aço e é produzido a partir da mineração de bauxita, que é refinada em alumina antes de ser fundida para formar o metal.
As fundições normalmente mantêm estoques de matérias-primas suficientes para cerca de um mês de produção. Assim, à medida que a guerra entra em sua quinta semana, espera-se que mais operadores reduzam a produção para manter as plantas em funcionamento, já que desligar e reiniciar uma fundição de alumínio é um processo longo e caro.
A Qatalum, do Catar, foi a primeira fundição a interromper operações em 3 de março e agora opera com 60% da capacidade — uma retomada completa e segura pode levar até 12 meses. A Aluminium Bahrain reduziu cerca de 19% de sua capacidade.
Carnificina na cadeia de suprimentos
Outros produtores de alumínio nos Emirados Árabes Unidos enfrentam dificuldades logísticas devido ao risco de ataques com mísseis e drones. Enquanto a Arábia Saudita e a Aluminium Bahrain estão exportando o metal pelo porto de Jeddah, no Mar Vermelho, para evitar o Estreito de Ormuz, isso tem aumentado os custos.
O conflito em curso também ameaça os planos de expansão de grandes empresas na região, com vários projetos na Arábia Saudita em diferentes estágios de desenvolvimento. Estrategistas alertam para riscos crescentes de atrasos ou até abandono desses projetos, à medida que o conflito se intensifica.
“Os ataques mais recentes aumentam a probabilidade de um cenário de interrupção prolongada, no qual as perdas de oferta podem persistir mesmo que as tensões geopolíticas diminuam”, afirmou Ewa Manthey, estrategista de commodities do ING.
“Qualquer paralisação prolongada apertaria ainda mais o mercado, especialmente considerando os estoques limitados de matérias-primas na região e a dependência de transporte contínuo pelo Estreito de Ormuz.”
O conflito também evidenciou a vulnerabilidade da cadeia de suprimentos do alumínio, com o Golfo se consolidando como um polo crucial de produção e exportação na última década.
O processo de fundição é intensivo em energia, e os produtores se beneficiaram da abundância de gás barato no Oriente Médio. A produção de alumínio na região mais que dobrou desde 2010, e as exportações hoje atendem a 18% da demanda global fora da China.
Uma alta sustentada nos preços do metal deve aumentar ainda mais a pressão sobre fabricantes que já enfrentam custos elevados de energia.
Montadoras ocidentais estariam enfrentando dificuldades para garantir suprimentos, o que desencadeou “compras por pânico”, com muitas empresas recorrendo a estoques. Fornecedores automotivos japoneses alertaram para possíveis cortes de produção em até quatro meses caso as interrupções persistam.
A alta dos preços beneficiou as principais ações de alumínio listadas na bolsa australiana na última semana. A Alcoa subiu 19%, enquanto Rio Tinto e South32 avançaram cerca de 10% cada.
“Esperamos que o alumínio seja uma das commodities mais impactadas pelo conflito em curso no Oriente Médio”, disse o analista do UBS Lachlan Shaw.
O UBS destacou que a Alcoa oferece maior alavancagem aos preços do alumínio, por ser uma produtora pura, com operações fora do Golfo Pérsico. O banco estima que um aumento de 10% no preço do alumínio resultaria em uma alta de 23% no valor justo da ação.
No entanto, o UBS afirmou que a South32 apresenta “o potencial de valorização mais atraente” no setor, devido à exposição relevante da mineradora ao cobre.
Reportagem de Alex Gluyas para o Financial Review.
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