Indústria têxtil argentina opera com 24% da capacidade em meio a avanço das importações e produção menor
abr, 09, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202615
A indústria têxtil da Argentina atravessa um de seus momentos mais fracos dos últimos anos, em meio ao avanço das importações de vestuário acabado e à forte queda da produção doméstica e do uso da capacidade instalada, segundo entidades do setor.
O índice de produção industrial têxtil recuou 23,9% em janeiro na comparação anual, atingindo o menor nível da série disponível, iniciada em 2016, de acordo com relatório de março da Federação das Indústrias Têxteis Argentinas (FITA). Segundo a entidade, a retração foi puxada por quedas superiores a 30% em segmentos como tecidos e acabamentos e fios de algodão, em contraste com uma redução mais moderada, de 3,2%, no conjunto da indústria manufatureira.
A deterioração já vinha se acumulando. Boletim econômico da Fundação Pro Tejer apontou que a produção têxtil estava 27,8% abaixo do nível de dois anos antes. O uso da capacidade instalada reforça esse quadro: em janeiro de 2026, o setor operava com apenas 24% de seu potencial produtivo, bem abaixo da média industrial da economia, de 53,6%, segundo as mesmas fontes.
As entidades também afirmam que a crise já se reflete no emprego. Os setores de têxteis, vestuário, couro e calçados eliminaram 12 mil postos formais de trabalho no último ano, somando 100 mil empregos em dezembro de 2025. Desde o fim de 2023, as perdas acumuladas superam 20 mil vagas, e a Pro Tejer disse que o segmento registrou a maior queda percentual de emprego entre os setores da economia privada argentina.
A piora do mercado interno veio acompanhada do avanço acelerado do comércio eletrônico. O mercado argentino de e-commerce cresceu 55% em 2025, acima da inflação de 31,5%, segundo dados setoriais citados nos relatórios. Mas esse crescimento passou a ser cada vez mais impulsionado por compras feitas no exterior, movimento que já alcança 47% dos consumidores online, de acordo com o mais recente estudo anual de comércio eletrônico da Câmara Argentina de Comércio Eletrônico (CACE) e da Kantar.
Nesse levantamento, a Temu apareceu como a plataforma mais utilizada entre consumidores que compram do exterior, com 41%, seguida pela Shein, com 31%, à frente de operadores mais tradicionais, como a Amazon.
Segundo fontes do setor, marcas locais já sentem essa mudança no perfil da demanda. A plataforma Tiendanube informou que o faturamento nominal do segmento de vestuário não esportivo caiu 14%, movimento que associou em grande parte ao avanço das plataformas chinesas. Já a Fundação Observatório Pyme apontou que 88% das pequenas e médias empresas do segmento citaram a queda nas vendas como seu principal problema, enquanto 68,4% disseram enfrentar uma “ameaça importadora”, o maior índice entre os setores industriais.
Importações sobem em produtos acabados e caem em insumos
Os dados de comércio exterior mostram uma divisão estrutural no setor. A FITA informou que as importações de produtos finais, especialmente roupas, cresceram 54% em volume e 27% em valor em fevereiro. Nos dois primeiros meses do ano, as compras externas de vestuário acabado saltaram 82% em toneladas e 53% em dólares, segundo a entidade.
Dados de movimentação de contêineres obtidos pela Datamar demonstram um crescimento de 39% na quantidade de TEUs importados pela Argentina, entre janeiro de fevereiro de 2026, no setor de peças de vestuário feitas de tecido. Confira mais detalhes a seguir:
Importações de Peças de Tecido | Argentina | Jan 2023 – Fev 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Ao mesmo tempo, as importações de insumos essenciais para a produção local, como fios, matérias-primas e tecidos, caíram mais de 35% em volume e mais de 50% em valor. Para a FITA, esse padrão sugere que as fábricas estão comprando menos porque estão produzindo menos, enquanto a demanda doméstica passa a ser atendida de forma crescente por mercadorias importadas.
A entidade também alertou para o avanço da subfaturação nas importações têxteis. Segundo a FITA, mais de 70% dos produtos importados foram declarados com valores muito abaixo das referências históricas e, em muitos casos, abaixo do custo da principal matéria-prima. A federação citou exemplos como camisetas de algodão importadas por menos de US$ 0,01, toalhas abaixo de US$ 0,30 por quilo e jeans por menos de US$ 1, classificando essa prática como fonte de distorções de mercado e concorrência desleal para os fabricantes locais.
A Pro Tejer afirmou que, nos primeiros dez meses do ano passado, as importações totais de têxteis e vestuário chegaram a 332.696 toneladas, alta de 89% em relação ao mesmo período do ano anterior. Dentro desse total, os confeccionados avançaram 217% e as roupas, 166%, atingindo volumes recordes de importação, segundo a entidade. O Observatório Pyme acrescentou que 37% das pequenas e médias indústrias perderam participação no mercado interno para a concorrência estrangeira, o maior nível desde 2007, e disse que a China foi apontada como a principal origem da ameaça importadora por 73,3% das empresas.
Segundo as entidades, os preços não acompanharam a pressão enfrentada pelos produtores. A categoria “vestuário, couro e calçados” não registrou variação mensal em fevereiro de 2026, mas a Pro Tejer afirmou que essa desaceleração reflete rentabilidade negativa, com muitas vendas ocorrendo abaixo do custo em meio ao consumo enfraquecido e ao deslocamento da demanda para produtos importados.
Fonte: Forbes Argentina
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