Combate ao tráfico em portos tem falhas que abrem espaço para a Marinha
abr, 10, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202615
As falhas identificadas pelo TCU (Tribunal de Contas da União) no combate ao tráfico internacional de drogas nos portos brasileiros abriram, nos bastidores do governo, uma nova janela para a Marinha do Brasil defender a ampliação do papel do SisGAAz (Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul).
Mais do que um projeto voltado à defesa naval, a força tenta convencer Brasília de que a estrutura deve ser vista como uma ferramenta de uso mais amplo, capaz de apoiar a vigilância de áreas portuárias, rotas marítimas, fundeadouros, ativos energéticos e outros pontos sensíveis do litoral.
A auditoria do TCU identificou falhas na atuação do poder público e apontou que os portos ainda não contam com tecnologias de controle suficientes e integradas, o que compromete o enfrentamento ao tráfico transnacional de drogas.
É nesse ambiente que a Marinha vê espaço para reforçar o argumento de que o SisGAAz não deveria ser tratado como gasto setorial de uma força, mas como investimento de Estado.
O sistema foi criado pela Marinha para monitorar e ampliar a vigilância sobre a chamada Amazônia Azul, área marítima sob jurisdição brasileira. A estrutura reúne dados de radares, câmeras, satélites e outros sensores para acompanhar embarcações, reforçar a consciência situacional no mar e apoiar ações de defesa e combate a ilícitos.
Na avaliação de integrantes da área naval, o sistema pode funcionar como uma camada adicional de repressão marítima, ao integrar sensores, ampliar o monitoramento do entorno dos portos e dar suporte à atuação conjunta entre diferentes órgãos.
O diagnóstico do TCU sobre os portos ajuda a sustentar essa tese.
Segundo o relatório, apenas o Porto de Vitória possui hoje um sistema VTMIS (Vessel Traffic Management Information System) plenamente operacional, tecnologia usada para monitorar, em tempo real, a movimentação de embarcações em áreas portuárias e de aproximação.
Nos demais grandes portos brasileiros, como Santos, Paranaguá, Suape e Itajaí, não há sistemas ativos de monitoramento contínuo do tráfego aquaviário nas áreas de fundeio e aproximação.
“Os demais portos brasileiros, a exemplo de Santos, Paranaguá, Suape e Itajaí, não dispõem de sistemas ativos de monitoramento do tráfego aquaviário, permanecendo suas áreas de fundeio e aproximação sem vigilância contínua”, diz o TCU.
A avaliação é que o país precisa de uma arquitetura mais ampla de vigilância marítima, com capacidade de acompanhar movimentações suspeitas, fundir dados de diferentes sensores e apoiar respostas mais rápidas em áreas usadas por organizações criminosas, inclusive no entorno de instalações estratégicas.
O SisGAAz reúne justamente capacidades que o TCU disse serem insuficientes ou fragmentadas nos portos, como monitoramento contínuo, fusão de dados e acompanhamento em tempo real de embarcações e vetores aéreos.
O próprio TCU afirmou que a ausência de sistemas eficazes de monitoramento do tráfego aquaviário nos principais portos compromete não apenas a segurança da navegação, mas também a capacidade do Estado de prevenir e reprimir atividades ilícitas associadas ao tráfico internacional de drogas.
O tribunal ainda classificou como promissor o uso de tecnologias avançadas, inclusive com tratamento de grandes volumes de dados em tempo real, para reduzir vulnerabilidades exploradas por redes criminosas transnacionais.
“A utilização de sistemas como o VTMIS, aliados a soluções baseadas em inteligência artificial para detecção de comportamentos anômalos, representa caminho promissor para fortalecer a vigilância, aumentar a previsibilidade e reduzir vulnerabilidades logísticas exploradas por redes criminosas transnacionais”, diz o TCU.
A aposta é que o sistema da Marinha possa ser apresentado ao governo como uma plataforma de uso dual: ao mesmo tempo em que reforça soberania e dissuasão no mar, também pode contribuir para segurança portuária, proteção da infraestrutura logística, monitoramento de áreas offshore e apoio a operações contra ilícitos.
A discussão ganha peso adicional porque o TCU recomendou ao MPor (Ministério de Portos e Aeroportos) que passe a considerar critérios de segurança pública, especialmente a incidência de apreensões de drogas, na priorização de investimentos em sistemas de monitoramento do tráfego aquaviário, como VTMIS, VTS (Vessel Traffic Services) e LPS (Local Port Services).
A auditoria afirma que esse olhar precisa ser ampliado diante do peso crescente da segurança pública e do deslocamento de rotas do tráfico.
A disputa, no entanto, não é apenas técnica. Também é orçamentária e política.
O próprio TCU registra que não há dados disponíveis sobre o volume de recursos especificamente destinados à prevenção e repressão ao tráfico transnacional de drogas nos portos brasileiros.
Nesse ambiente, a Marinha tenta sustentar que o SisGAAz pode ser uma resposta mais transversal: em vez de ser visto apenas como despesa militar, o sistema seria enquadrado também como investimento voltado à proteção de cadeias logísticas, da economia do mar, da infraestrutura energética e da segurança institucional do país.
Texto original de Gabriel Garcia para a CNN Brasil
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