Economia

Dados DataLiner: Comércio exterior brasileiro ganha força em março em meio a tensões globais e expectativa pelo acordo Mercosul–União Europeia

maio, 04, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202618

Dados recém-divulgados pela equipe de Business Intelligence da Datamar sobre a movimentação brasileira de contêineres apontam que, no acumulado dos três primeiros meses do ano, as exportações brasileiras via contêineres cresceram 0,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Considerando apenas o mês de março, houve um crescimento expressivo dos embarques, de 9,8%.

O gráfico abaixo aponta um histórico das exportações brasileiras de contêineres nos últimos quatro anos. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportação de contêineres do Brasil | Jan 2022 a Março 2026 | TEU

Fonte: DataLiner (Clique aqui para solicitar uma demo)

As carnes continuam sendo a mercadoria mais exportada pelo Brasil em 2026, com um volume 6,7% superior ao observado no primeiro trimestre de 2025, seguidas por madeira (-7,8%) e algodão (+8,4%). As exportações de celulose também tiveram desempenho positivo, com embarques 14,6% maiores no acumulado entre janeiro e março de 2025.

A China continua sendo o principal parceiro comercial do Brasil nas exportações via contêineres no primeiro trimestre do ano, com volume 18,3% superior ao de iguais meses de 2025. Os embarques para os Estados Unidos ainda registram queda expressiva de 31,8%. As exportações para o México cresceram 7,4%, para a Holanda, 18%, e para a Índia, 38,2%.

Esse movimento reflete, em parte, a reconfiguração recente do comércio global. A entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia, prevista para maio, ainda não impacta diretamente os dados observados até março, mas já influencia expectativas e decisões comerciais. A perspectiva de redução tarifária e maior integração com o mercado europeu tende a estimular, de forma gradual, os embarques brasileiros ao longo dos próximos meses, o que pode explicar, ao menos parcialmente, o desempenho positivo em destinos europeus como a Holanda.

Já a retração significativa dos fluxos com os Estados Unidos, tanto nas exportações quanto nas importações, pode estar associada à continuidade de políticas comerciais mais protecionistas e à reorganização das cadeias globais de suprimentos, com maior diversificação de parceiros — especialmente na Ásia.

Já as importações brasileiras via contêineres apresentaram crescimento mais consistente no acumulado entre janeiro e março de 2026, com alta de 2,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Na comparação entre março de 2026 e março de 2025, o crescimento foi ainda mais significativo: 15,9%.

Acompanhe a seguir um histórico das importações via contêineres do Brasil a partir de janeiro de 2022. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner

Importação de Contêineres do Brasil | Jan 2022 a Março 2026 | TEU

Fonte: DataLiner (Clique aqui para solicitar uma demo)

Entre janeiro e março de 2026, a mercadoria mais importada pelo Brasil via contêineres foi a de plásticos, com volume 5% superior ao de igual período do ano passado, seguida por reatores, caldeiras e máquinas (-6,9%), autopeças (+22%), equipamentos elétricos (-20,9%) e têxteis (+5,8%).

A China segue como principal parceira comercial do Brasil nas importações via contêineres, com aumento de 12,1% no volume enviado ao país. Em contrapartida, os recebimentos dos Estados Unidos caíram 32,6% no mesmo comparativo. A Índia, terceira maior parceira, ampliou seus embarques em 4,4%, enquanto o Vietnã se destacou com crescimento expressivo de 62,4%.

Esse avanço das importações asiáticas também está ligado à reorganização das cadeias globais de suprimentos e à busca por fornecedores mais competitivos, em um cenário de tensões comerciais envolvendo os Estados Unidos. Além disso, o contexto geopolítico internacional segue exercendo influência relevante. A intensificação das tensões no Oriente Médio, especialmente após o início do conflito envolvendo Estados Unidos e Irã, tem elevado a volatilidade nos custos logísticos globais. Ainda que o Brasil não seja diretamente afetado nas rotas, há impactos indiretos importantes, como o aumento dos preços de combustíveis marítimos, prêmios de seguro e riscos associados a gargalos em rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz — fatores que acabam pressionando toda a cadeia de transporte internacional.

Fretes

Os fretes na costa leste da América do Sul (ECSA) apresentaram forte valorização na semana encerrada em 1º de maio, impulsionados principalmente pela redução agressiva de capacidade por parte dos armadores, por meio de cancelamentos de viagens (blank sailings), e pela consequente diminuição da disponibilidade de espaço nos navios. Esse aperto na oferta gerou maior urgência nas reservas e aumento no volume de cargas roladas, especialmente nas rotas provenientes do Norte da Ásia.

Como resultado, as tarifas subiram de forma significativa — com destaque para o corredor Ásia–ECSA, que registrou aumento de cerca de US$ 600/FEU, alcançando US$ 2.900/FEU. O sentimento do mercado é positivo (bullish), com expectativa de manutenção desse cenário no curto prazo, especialmente diante da proximidade da alta temporada e de possíveis pressões adicionais sobre o espaço, como o aumento das exportações de veículos e elétricos.

Esse comportamento dos fretes também está inserido em um contexto global mais amplo, no qual armadores têm ajustado a oferta para sustentar preços diante de uma demanda ainda irregular em algumas rotas. Ao mesmo tempo, fatores externos — como as tensões no Oriente Médio e a volatilidade nos custos de combustível — seguem adicionando pressão sobre as tarifas marítimas, inclusive em mercados como a América do Sul.

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