Fechamento do Estreito de Hormuz pode desencadear choque agroalimentar global e crise de preços em até um ano, alerta FAO
maio, 20, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202621
O fechamento do Estreito de Hormuz representa o início de um “choque sistêmico agroalimentar” que pode desencadear uma grave crise global nos preços dos alimentos dentro de seis a 12 meses, alertou nesta quarta-feira (20) a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).
Segundo a agência, a interrupção vai além de um problema temporário no transporte marítimo e exige ações urgentes, já que “a janela para medidas preventivas está se fechando rapidamente”.
A FAO afirmou que governos, instituições financeiras internacionais e o setor privado precisam avançar rapidamente em decisões sobre rotas comerciais alternativas, moderação nas restrições às exportações, proteção dos fluxos humanitários e criação de mecanismos capazes de absorver o aumento dos custos de transporte.
“Chegou a hora de começar a pensar seriamente em como ampliar a capacidade de absorção dos países e fortalecer sua resiliência diante desse gargalo, para minimizar os impactos potenciais”, afirmou o economista-chefe da FAO, Máximo Torero, em um podcast divulgado nesta quarta-feira.
O Índice de Preços dos Alimentos da FAO — que acompanha as variações mensais nos preços internacionais de uma cesta de commodities alimentares negociadas globalmente — avançou pelo terceiro mês consecutivo em abril, impulsionado pelos altos custos de energia e pelas disrupções ligadas ao conflito no Oriente Médio.
No curto prazo, a agência recomenda redirecionar o comércio para rotas terrestres e marítimas alternativas, evitar restrições às exportações — especialmente de energia, fertilizantes e insumos agrícolas — e garantir que os fluxos de ajuda alimentar permaneçam livres de barreiras comerciais.
Para o médio prazo, a FAO defende a criação de linhas emergenciais de crédito para agricultores, alinhadas aos períodos de colheita, a ampliação do uso de registros digitais de produtores rurais para acelerar a distribuição de ajuda e a reativação de um mecanismo de financiamento para choques alimentares criado em 2022.
A organização também alertou que a crise pode se intensificar com a chegada do fenômeno climático El Niño, que deve provocar secas e alterar os padrões de chuva em diferentes regiões do mundo.
Fonte: Reuters
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