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Reino Unido pode seguir União Europeia e restringir importações de carnes do Brasil

jun, 09, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202624

Após a União Europeia confirmar, na sexta-feira, que o Brasil será retirado da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para o bloco a partir de 3 de setembro, o Reino Unido também poderá adotar restrições semelhantes.

Na sexta-feira, a UE publicou em seu Diário Oficial novas regulamentações que estabelecem restrições ao uso de medicamentos antimicrobianos na produção de carne bovina, aves, pescado e mel.

A publicação, assinada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, formalizou uma decisão tomada em 12 de maio pelo Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações do bloco. Na ocasião, o comitê retirou o Brasil da lista de países aprovados, alegando descumprimento das regras relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal.

A medida, que poderá impedir as exportações de produtos como carne bovina, carne de frango, pescado e mel, pode gerar perdas de até US$ 2 bilhões para o Brasil.

O governo brasileiro tenta reverter a decisão da União Europeia, mas enfrenta obstáculos significativos. Integrantes do governo em Brasília avaliam que a questão exigirá articulação política além das discussões técnicas. Fontes afirmam que o tema poderá ser levado ao Palácio do Planalto para negociações diretas com a Comissão Europeia.

O documento publicado na sexta-feira atualizou a lista de países que não apresentaram garantias sobre os controles relacionados à ausência de antimicrobianos proibidos em produtos exportados para a Europa.

Segundo a publicação, o Brasil não forneceu à Comissão Europeia informações que demonstrassem a implementação, até 3 de setembro de 2026, das medidas necessárias para assegurar o cumprimento das exigências que proíbem o uso de determinados antimicrobianos na produção de bovinos, equinos, aves, produtos da aquicultura, mel e tripas.

A União Europeia proíbe a importação de produtos de origem animal provenientes de animais tratados com antibióticos utilizados para promover crescimento ou aumentar a produtividade, bem como de produtos que contenham substâncias classificadas como medicamentos reservados ao tratamento de infecções humanas.

O Reino Unido, que deixou a União Europeia em 2020, vem buscando maior alinhamento regulatório com o bloco em questões sanitárias e fitossanitárias e também deverá aplicar as mesmas exigências ao Brasil.

Um memorando enviado na semana passada pelo Ministério da Agricultura aos auditores fiscais federais agropecuários que atuam em estabelecimentos sob inspeção federal reforçou que os procedimentos adotados para atender à legislação europeia também se aplicam ao Reino Unido. As medidas abrangem a certificação de carne e produtos de aves, carne bovina e derivados, carne equina, tripas, pescado, mel e ovos.

“A partir de 3 de setembro de 2026, somente produtos considerados em conformidade com os requisitos relativos ao uso de antimicrobianos estabelecidos pela legislação europeia poderão ser certificados para exportação à União Europeia e ao Reino Unido”, afirma o documento obtido pelo Valor.

Segundo uma fonte familiarizada com o assunto, o Reino Unido solicitou ao Brasil garantias de conformidade com as regras sobre uso de antimicrobianos até 2 de setembro.

Segundo os dados da Datamar, as exportações brasileiras de carne bovina em contêineres destinadas ao Reino Unido cresceram 49% em relação aos primeiro quatro meses de 2025. Confira os volumes mensais a seguir:

Exportação de Carne Bovina ao Reino Unido | Jan 2023 – Abr 2026 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

Nas últimas semanas, autoridades brasileiras tentaram convencer a União Europeia a reverter as restrições às exportações. Fontes afirmam que a questão mais crítica envolve a carne bovina, embora as discussões sobre controles aplicados à carne de aves, pescado e mel também não tenham avançado.

Na semana passada, o Ministério da Agricultura apresentou às autoridades europeias um protocolo privado de certificação, recentemente aprovado, para bovinos criados sem o uso de antimicrobianos proibidos. Segundo uma fonte, as autoridades europeias demonstraram pouca disposição para aceitar os argumentos brasileiros.

Mesmo que o protocolo privado fosse aceito, não haveria tempo suficiente para certificar os animais antes de setembro.

A formalização da medida na sexta-feira, somada à falta de avanços concretos nas negociações entre Brasília e Bruxelas até o momento, evidencia a dificuldade que o Brasil enfrenta para convencer as autoridades europeias a reverter a decisão.

Fonte: Valor International

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