Disputa trabalhista no setor de oleaginosas da Argentina se agrava e preocupa fluxo de dólares das exportações
jun, 17, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202625
As negociações salariais entre a câmara da indústria de oleaginosas da Argentina, CIARA, e o sindicato dos trabalhadores do setor, SOEA, fracassaram nesta terça-feira, 16 de junho, dois dias antes do término do período de conciliação obrigatória. A disputa é considerada relevante porque uma eventual greve pode interromper as operações portuárias e comprometer o fluxo das exportações agroindustriais, uma das principais fontes de entrada de divisas do país.
A reunião tinha como objetivo destravar as negociações salariais que vêm mantendo toda a cadeia agroexportadora em estado de alerta. No entanto, as partes não conseguiram reduzir suas divergências, aumentando a incerteza sobre os próximos passos.
Agora, as atenções se voltam para quinta-feira, 18 de junho, quando expira a conciliação obrigatória determinada pela Secretaria do Trabalho. Sem uma prorrogação da medida ou um acordo de última hora, o sindicato poderá retomar as paralisações.
A indústria argentina de oleaginosas e exportações é uma das principais geradoras de dólares da economia. A maior parte dos embarques de farelo e óleo de soja, além de outros produtos agroindustriais, deixa o país pelos portos da região da Grande Rosário, abastecendo mercados em todo o mundo. Qualquer interrupção nessas atividades gera preocupação entre empresas e autoridades, que acompanham de perto os possíveis impactos sobre a entrada de divisas.
Executivos do setor esperam que a Secretaria do Trabalho prorrogue a conciliação obrigatória até 25 de junho, o que daria mais tempo para as negociações e evitaria uma greve imediata. Segundo a CIARA, a proposta apresentada incluía reajustes salariais vinculados aos índices mensais de inflação divulgados pelo INDEC, o instituto nacional de estatísticas da Argentina.
“Os sindicatos não aceitaram as propostas da indústria para atualizar os salários com base no índice mensal de preços publicado pelo INDEC”, afirmou a entidade empresarial.
De acordo com a CIARA, esse mecanismo permitiria preservar o poder de compra dos trabalhadores por meio de reajustes periódicos atrelados à inflação.
“Dessa forma, o poder aquisitivo não seria perdido”, argumentaram os exportadores.
Os representantes sindicais, porém, rejeitaram a proposta e mantiveram sua posição. O conflito vai além da questão salarial e afeta diretamente o funcionamento de um dos setores mais estratégicos da economia argentina.
Em um momento em que o país precisa ampliar suas exportações e garantir maior entrada de moeda estrangeira, qualquer interrupção nas operações portuárias ou nas plantas de processamento pode gerar consequências econômicas significativas. O impasse também ocorre durante a temporada de comercialização de grãos, período em que o complexo agroindustrial responde por uma parcela importante da liquidação de divisas provenientes do comércio exterior.
Com o prazo da conciliação obrigatória próximo do fim, todas as atenções estão voltadas para a Secretaria do Trabalho.
Se o órgão decidir prorrogar a medida, as partes ganharão alguns dias adicionais para tentar alcançar um acordo e evitar uma nova paralisação. Caso contrário, a ameaça de greve voltará a ser um risco concreto para a indústria de oleaginosas e para o maior complexo exportador da Argentina.
As negociações permanecem abertas, mas o tempo está se esgotando. O mercado acompanha atentamente uma disputa que pode afetar não apenas as plantas industriais e os portos, mas também a entrada de divisas de que a economia argentina necessita com urgência.
Fonte: AgroLatam
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