Movimentação brasileira de contêineres cresce até maio, mas segundo semestre deve ser marcado por novos desafios
jul, 02, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202627
Dados recém-divulgados pela equipe de Business Intelligence da Datamar sobre a movimentação brasileira de contêineres apontam que, em maio, as exportações brasileiras via contêineres cresceram 4% no acumulado entre janeiro e maio de 2026 em relação a igual período do ano passado, com 1.334.081 TEUs enviados ao exterior nos cinco primeiros meses do ano.
O gráfico a seguir, elaborado com dados do DataLiner, traz um comparativo das exportações brasileiras via contêineres no acumulado dos cinco primeiros meses do ano a partir de janeiro de 2022:
Exportações Brasileiras | Jan-Mai | 2022 – 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (Clique aqui para solicitar uma demo)
As carnes continuam a ser a mercadoria mais exportada pelo Brasil no acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, com um volume 11,3% superior ao de igual período do ano passado, seguidas pela madeira, cujos embarques caíram 4,7%, e pelo algodão, com crescimento de 24,3%.
A China continua como principal parceiro brasileiro nas exportações via contêineres, com um volume exportado 21% superior ao dos primeiros cinco meses de 2025, seguida pelos Estados Unidos, cujos embarques caíram 25,3%, e pelo México, com um volume 5,3% maior.
Importações
Já as importações via contêineres registraram um volume de 1.531.102 TEUs entre janeiro e maio de 2026, um crescimento de 8,7% em relação aos mesmos meses de 2025.
A seguir, um comparativo das importações brasileiras via contêineres nos primeiros cinco meses do ano nos últimos cinco anos. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner.
Importações Brasileiras | Jan-Mai | 2022–2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (Clique aqui para solicitar uma demo)
As mercadorias mais importadas pelo Brasil no acumulado dos cinco primeiros meses do ano foram autopeças, com um volume 42,7% superior ao importado no mesmo período do ano passado, seguidas por plásticos, cujos recebimentos cresceram 6,4%, e reatores, caldeiras e máquinas, cujos volumes recebidos caíram 0,1% na comparação anual.
O principal parceiro comercial nas importações brasileiras via contêineres também continua sendo a China, que exportou ao Brasil um volume 21,3% superior ao dos cinco primeiros meses de 2025, seguida pelos Estados Unidos, com queda de 35%, e pela Índia, com um volume 7,2% maior.

Fonte: DataLiner (Clique aqui para solicitar uma demo)
Perspectivas
Embora os resultados registrados entre janeiro e maio confirmem a continuidade do crescimento da movimentação brasileira de contêineres em 2026, o cenário para o segundo semestre deverá ser influenciado por mudanças importantes no comércio internacional.
No lado das exportações, um dos principais fatores de atenção é a aproximação do esgotamento da cota tarifária chinesa para a carne bovina brasileira. Como as carnes lideram as exportações brasileiras via contêineres e registraram crescimento de 11,3% no período, uma eventual redução dos embarques destinados à China poderá limitar o ritmo de expansão observado até agora, especialmente durante o terceiro trimestre.
Outro ponto de atenção é a entrada em vigor das novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos para produtos brasileiros. Caso as medidas sejam implementadas conforme previsto, elas poderão ampliar a retração das exportações para o mercado norte-americano, que já apresentaram queda de 25,3% entre janeiro e maio.
Do lado das importações, o comportamento dos volumes também poderá sofrer alterações em função das recentes mudanças na política tributária brasileira para veículos eletrificados. Desde 1º de julho, veículos importados completamente montados (CBU) passaram a recolher a alíquota integral de 35% de imposto de importação, concluindo o cronograma de recomposição tarifária iniciado em 2024. Paralelamente, o governo criou uma nova cota temporária com alíquota zero para veículos desmontados e semidesmontados (CKD e SKD), com o objetivo de incentivar a montagem local.
Esse movimento poderá alterar o perfil das cargas conteinerizadas importadas. A expectativa é que as montadoras reduzam gradualmente as importações de veículos completos e ampliem a nacionalização da produção. Nesse contexto, ganha relevância o desempenho das autopeças, principal mercadoria importada pelo Brasil entre janeiro e maio, com crescimento de 42,7%. Caso as fabricantes acelerem a montagem local em resposta às novas regras, as importações de autopeças, componentes, baterias, motores elétricos e kits CKD/SKD poderão permanecer aquecidas ou até crescer nos próximos meses. Ou seja, a mudança tributária poderá não reduzir necessariamente a movimentação de contêineres, mas modificar a composição das cargas importadas, especialmente nas rotas provenientes da China, principal origem das importações brasileiras.
Ainda assim, o comércio exterior brasileiro deverá continuar sendo sustentado pela demanda chinesa por outras commodities, pela recuperação da atividade industrial e pela diversificação dos mercados de destino. Dessa forma, embora 2026 mantenha perspectivas favoráveis para a movimentação de contêineres, o segundo semestre tende a apresentar um ambiente mais desafiador e volátil do que o observado nos cinco primeiros meses do ano.
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