Tarifas, qualidade e custos pressionam as exportações brasileiras de uvas no primeiro semestre de 2026
jul, 10, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202628
As exportações brasileiras de uvas encerraram o primeiro semestre de 2026 com resultados abaixo do esperado. No acumulado de janeiro a junho, segundo dados do Comex Stat, foram embarcadas 7,27 mil toneladas, queda de aproximadamente 30% em relação ao mesmo período de 2025. A receita somou US$ 19,55 milhões (FOB), também 30% inferior na mesma comparação, refletindo as dificuldades de produção e de qualidade que marcaram o período.
Confira a seguir um levantamento das exportações conteinerizadas de uvas do Brasil:
Exportação de Uvas | Jan 2023 – Mai 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
A retração no volume exportado foi resultado da combinação de diversos fatores ao longo do semestre. O principal destino das uvas brasileiras foi a Holanda, responsável por 42% do volume embarcado, seguida pelo Reino Unido (23%), Argentina (16%) e Canadá (8%).
No mercado norte-americano, a tarifa de 33% imposta às importações restringiu significativamente os embarques para os Estados Unidos, que responderam por apenas 6% do volume total exportado no período, registrando uma queda de cerca de 300% nas remessas ao país na comparação anual.
Já os embarques destinados à Europa enfrentaram forte pressão devido a problemas de qualidade em alguns lotes. Esse cenário, aliado ao aumento dos custos de produção, tornou o mercado interno relativamente mais atrativo do que as exportações, levando os produtores a priorizar as vendas domésticas e a concentrar esforços na manutenção da carteira atual de clientes no exterior, sem buscar a abertura de novos mercados durante o semestre.
Para a segunda janela de exportação, as perspectivas são mais otimistas. A melhora gradual das condições climáticas vem favorecendo o manejo das lavouras e permitindo uma formação mais uniforme dos lotes podados, com foco no atendimento da demanda prevista para o período.
Além disso, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia deverá garantir a continuidade da entrada de bons volumes de uvas brasileiras no mercado europeu.
Apesar disso, agentes do setor demonstram preocupação com a rentabilidade, que pode ser reduzida em razão da ausência de tarifas preferenciais e do aumento da competitividade de outros fornecedores que exportam frutas em condições semelhantes. Soma-se a isso a renovação varietal realizada nas regiões produtoras da Europa, que deverá ampliar a oferta local. Essa tendência tende a reduzir a janela de comercialização e dificultar a competitividade da fruta brasileira em condições mais equilibradas nesse mercado.
Fonte: HF Brasil
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