Brasil lidera exportações de alimentos halal e mercado global deve superar US$ 2 trilhões até 2029

ago, 03, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202632

O Brasil consolidou sua posição como maior exportador mundial de alimentos destinados aos países da Organização para a Cooperação Islâmica (OIC), reforçando a importância da proteína animal no comércio internacional. Em 2024, o país embarcou US$ 33,3 bilhões em alimentos para esse mercado, superando a China, com US$ 32,6 bilhões; a Índia, com US$ 28,7 bilhões; os Estados Unidos, com US$ 21 bilhões; e a Turquia, com US$ 18,7 bilhões.

Os dados constam do relatório State of the Global Islamic Economy Report 2025/26, que também projeta forte expansão do consumo mundial de alimentos halal. O segmento movimentou US$ 1,53 trilhão em 2024 e deverá alcançar US$ 2,06 trilhões até 2029, ampliando as oportunidades para países exportadores.

A liderança brasileira é sustentada principalmente pelas exportações de proteína animal, especialmente carne de frango produzida sob certificação halal, considerada um dos principais passaportes para o acesso aos mercados consumidores islâmicos.

Para o vice-presidente da FAMBRAS Halal Certificadora, Ali Hussein El Zoghbi, o desempenho brasileiro demonstra que o mercado halal deixou de ocupar um espaço restrito na economia global. “O Brasil já é o maior exportador mundial de alimentos halal há tempos. Essa liderança demonstra a capacidade da indústria brasileira de atender mercados altamente exigentes e confirma que a certificação halal se tornou uma estratégia fundamental de competitividade e acesso ao comércio internacional”, afirma.

Proteína animal impulsiona liderança brasileira

Para a indústria brasileira de proteína animal, sobretudo os segmentos de aves e bovinos, a certificação Halal tornou-se um componente estratégico das exportações. O processo assegura que toda a cadeia produtiva esteja em conformidade com os preceitos islâmicos, desde a seleção das matérias-primas até o abate, processamento, armazenamento e transporte dos alimentos.

Segundo a Datamar, as exportações de carne de frango direcionadas ao Oriente Médio caíram 8,5% no acumulado do ano entre janeiro e maio. Confira a seguir os volumes mensais registrados:

Exportação de Frango ao Oriente Médio | Jan 2023 – Mai 2026 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

Além do aspecto religioso, a certificação também passou a ser reconhecida como um indicador de qualidade, rastreabilidade e segurança alimentar, atributos valorizados inclusive por consumidores não muçulmanos. “A certificação halal é uma ponte de confiança entre a indústria e o consumidor. Ela garante o atendimento aos requisitos religiosos, mas também está associada à segurança dos alimentos, à rastreabilidade, à transparência dos processos e à integridade de toda a cadeia produtiva”, explica Zoghbi.

Crescimento abre novas oportunidades

Embora o Brasil já lidere as exportações para os mercados islâmicos, a expectativa de crescimento da demanda mundial indica espaço para ampliar a participação brasileira por meio da diversificação de produtos e da conquista de novos mercados.

Segundo Zoghbi, o desafio agora vai além do aumento do volume exportado. “O desafio do Brasil não é apenas manter sua liderança em volume, mas avançar na geração de valor. Temos condições de consolidar o país como referência mundial em qualidade, inovação, tecnologia, sustentabilidade e confiabilidade na produção de alimentos Halal”, avalia.

Tecnologia fortalece rastreabilidade

A evolução do mercado Halal também vem sendo acompanhada pela incorporação de novas tecnologias voltadas à rastreabilidade e à transparência da cadeia produtiva.

Ferramentas digitais permitem acompanhar todas as etapas da produção, desde a origem dos ingredientes até o processamento, transporte e comercialização. Sistemas de verificação eletrônica e QR Codes facilitam a autenticação dos certificados e oferecem ao consumidor acesso rápido às informações sobre a conformidade dos produtos. “O consumidor não busca apenas um selo. Ele deseja saber de onde o alimento veio, como foi produzido e se pode confiar em toda a cadeia. A certificação acompanha essa evolução, incorporando processos capazes de ampliar a transparência, a segurança e a credibilidade das operações”, destaca.

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