Navegação

Acordo sobre Ormuz daria ao Irã controle sobre entrada de navios no Golfo, dizem fontes

ago, 05, 2026 Postado porGabriel Malheiros

Semana202632

Uma proposta de acordo entre Irã e Omã daria a Teerã controle sobre os navios que entram no Golfo pelo Estreito de Ormuz, segundo uma fonte iraniana de alto escalão e duas autoridades da região ouvidas pela Reuters nesta quarta-feira. A medida representaria uma das concessões mais importantes ao Irã desde o início do conflito.

Apesar do avanço em direção a algumas das exigências iranianas, as fontes contestaram declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que um acordo para reabrir o estreito estaria próximo. Segundo elas, ainda há pontos importantes a serem resolvidos.

“A concessão já foi feita em relação a alguma forma de controle sobre Ormuz”, disse uma fonte regional à Reuters.

Uma segunda fonte da região afirmou que os negociadores ainda precisam definir o que esse “controle” significaria na prática. Representantes dos países do Golfo defendem que as inspeções de navios sejam supervisionadas por países da própria região e que qualquer cobrança continue sendo voluntária.

A fonte iraniana de alto escalão disse que o texto em discussão já prevê controle do Irã sobre as embarcações que entram no Golfo pelo estreito. Um dos principais impasses, segundo ela, é qual papel Teerã teria sobre os navios que trafegam no sentido oposto, deixando a região.

Washington não comentou de imediato as informações sobre a proposta.

Autoridades americanas têm afirmado repetidamente que não aceitarão nenhum acordo que permita ao Irã controlar o acesso à rota mais importante do mundo para o comércio de energia. Ainda assim, Trump e integrantes de seu governo disseram nos últimos dias que um acordo poderia estar próximo de encerrar a guerra iniciada em fevereiro, rejeitada pela maioria dos eleitores americanos, segundo pesquisas.

Petróleo sobe após ataque no Mar Vermelho

Os preços do petróleo operavam em leve alta nesta quarta-feira, 5 de agosto, depois que o movimento houthi do Iêmen, alinhado ao Irã, afirmou ter atacado um petroleiro de bandeira saudita no Mar Vermelho. A ofensiva foi a mais recente interrupção nas rotas marítimas do Oriente Médio e nos corredores globais de abastecimento de energia.

Mesmo assim, as cotações internacionais do petróleo seguem perto dos menores níveis desde o início de julho, após forte queda nos dois dias anteriores. O recuo ocorreu depois que Trump decidiu suspender novos ataques ao Irã, citando negociações que, segundo ele, poderiam encerrar o conflito.

Não há conversas diretas entre Teerã e Washington. O Irã negocia com Omã, país que controla a margem oposta do Estreito de Ormuz. Na semana passada, Teerã rejeitou uma proposta omanense anterior, alegando que ela dava pouca influência ao Irã.

Trump diz que negociações avançam

Trump disse à Fox News, durante a noite, que as conversas estavam “avançando bem” e que houve uma “negociação de dia inteiro” na terça-feira.

O Estreito de Ormuz “será aberto muito em breve”, afirmou Trump. “Se eles recuarem de novo, serão atingidos com muita força.”

No fim de semana, Trump citou as negociações como motivo para cancelar planos de “ataques massivos” contra o Irã, um movimento que ele já repetiu algumas vezes ao longo da guerra.

A fonte iraniana de alto escalão minimizou a possibilidade de um acordo ser fechado rapidamente e observou que o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, estava de férias.

“As conversas continuam, mas ainda é cedo para dizer que um acordo com Omã foi finalizado”, afirmou a fonte.

Outra fonte iraniana acrescentou: “O diabo está nos detalhes. Um único tuíte de Trump pode fazer tudo desmoronar.”

Um acordo que conceda ao Irã qualquer grau de controle sobre o acesso ao estreito representaria uma mudança importante no equilíbrio de poder regional a favor de Teerã. Antes da guerra, o Estreito de Ormuz era livremente aberto a todos os navios, sem cobrança de taxas.

Trump afirmou inicialmente que a “Operação Epic Fury” terminaria com a “rendição incondicional” do Irã e com sua aprovação sobre a escolha do líder do país. Desde então, passou a enfrentar pressão para encontrar uma saída para uma guerra que os eleitores americanos hoje rejeitam por uma margem de dois para um.

Segundo a autoridade iraniana de alto escalão, o Irã quer cobrar taxas entre 5% e 7% do valor da carga dos navios que utilizarem o estreito. Omã vem discutindo cobranças menores, em torno de 3%, enquanto Washington defende que não haja qualquer taxa.

Tornar a cobrança ao menos formalmente voluntária poderia oferecer uma saída para o impasse. Na prática, porém, a ameaça implícita de ataques iranianos poderia levar armadores a evitar a travessia do estreito sem pagar.

Meses de ações militares americanas, incluindo uma campanha de ataques de duas semanas em julho, não conseguiram enfraquecer o controle iraniano sobre o estreito. Em julho, comandantes dos Estados Unidos alertaram Trump de que alguns estoques de munição estavam ficando baixos. A Reuters informou na terça-feira que o Exército americano havia usado quase todos os seus mísseis de precisão de longo alcance.

As escaladas militares periódicas dos Estados Unidos foram respondidas com ações mais fortes do Irã e de seus aliados, incluindo os combatentes houthis, que controlam grande parte do Iêmen e outro ponto estratégico para a navegação mundial, na entrada do Mar Vermelho.

Nesta quarta-feira, os houthis disseram ter atingido novamente um petroleiro saudita no Mar Vermelho. O grupo descreveu o ataque como parte de um bloqueio aos embarques de petróleo da Arábia Saudita pela principal rota usada para contornar o Estreito de Ormuz.

Na terça-feira, um projétil afundou uma embarcação de bandeira indiana perto do Iêmen, informaram autoridades indianas. Todos os 14 tripulantes, 13 deles indianos, foram resgatados. O governo do sul do Iêmen, que enfrenta os houthis pelo controle do país, atribuiu o ataque ao grupo.

Fonte: Reuters

Sharing is caring!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


O período de verificação do reCAPTCHA expirou. Por favor, recarregue a página.