Ações de produtoras de celulose caem após eleição e valorização do real
out, 06, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202641
As produtoras de celulose estiveram entre as poucas empresas brasileiras a perder valor após a eleição presidencial de domingo, enquanto o principal índice da bolsa do país avançou 7,7% e fechou em nível recorde.
Segundo Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, as ações da Suzano, maior produtora mundial de celulose, caíram porque grande parte da receita da companhia é obtida em dólares.
Quase 159 milhões de brasileiros estavam aptos a votar nas eleições gerais de domingo, que também incluíram disputas para o Congresso e governos estaduais. O senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, terminou o primeiro turno da disputa presidencial com 47,03% dos votos válidos, à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que recebeu 45,16%.
Como nenhum dos candidatos obteve mais da metade dos votos válidos, os dois disputarão o segundo turno no último domingo do mês.
O real se valorizou fortemente na segunda-feira. O dólar caiu 4,1%, para cerca de R$ 5, na maior queda diária da moeda americana frente ao real desde 2018.
Marcelo Bassani, economista e fundador da Boa Brasil Capital, afirmou que investidores estavam direcionando recursos ao Brasil diante da expectativa de que uma mudança na Presidência pudesse resultar em maior controle das contas públicas.
Na direção oposta à maior parte do mercado, as ações da Suzano fecharam em queda de 5,4%, o pior desempenho entre os sete papéis do índice que terminaram o dia no vermelho.
No fim de 2024, as exportações respondiam por 78% da receita da Suzano, enquanto a maior parte dos custos da companhia era denominada em reais, segundo Larissa Quaresma, analista da Empiricus Research.
A Klabin, que atua nos segmentos de papel e celulose, também terminou o pregão em queda, com recuo de 0,9%. Já a fabricante de aviões Embraer perdeu 3,3%.
Exportações de celulose do Brasil seguem em nível recorde
O eucalipto, madeira de fibra curta cultivada em plantações espalhadas pelo Brasil, é a principal matéria-prima utilizada pela Suzano, cujas unidades industriais têm capacidade para produzir 13,44 milhões de toneladas de celulose de mercado por ano.
A linha mais recente da companhia, instalada em Ribas do Rio Pardo, em Mato Grosso do Sul, tem capacidade anual de 2,55 milhões de toneladas e entrou em operação há dois anos.
“Esse desempenho reflete a força dos investimentos do setor”, afirmou Paulo Hartung, presidente da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), ao comentar o recorde das exportações brasileiras de celulose no ano passado.
Os embarques somaram 20,7 milhões de toneladas, com receitas de US$ 10,2 bilhões. A China foi o principal comprador, respondendo por US$ 4,9 bilhões.
A Europa apareceu como o segundo maior mercado, com US$ 2,5 bilhões em compras, embora o valor tenha recuado 13% em relação ao ano anterior.
A partir do fim deste ano, a celulose enviada à União Europeia estará sujeita às exigências de declaração de diligência prévia previstas no Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento, o EUDR.
Pelas regras, as autoridades nacionais deverão fiscalizar pelo menos 3% das empresas que trabalham com produtos provenientes do Brasil, classificado pela União Europeia como país de risco padrão no âmbito da regulamentação.
A Comissão Europeia informou que pretende revisar neste ano a classificação do Brasil, assim como a de todos os demais países, utilizando novos dados florestais das Nações Unidas.
Fonte: Wood Central
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