Regras de Comércio

Acordo comercial com a UE provoca disputa por cotas dentro do Mercosul

jul, 07, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202628

Os países do Mercosul seguem sem consenso sobre como dividir as cotas de exportação com tarifas reduzidas ou zeradas para a União Europeia (UE) previstas no novo acordo comercial entre os blocos.

Pelo acordo UE-Mercosul, em vigor provisoriamente desde 1º de maio, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai podem exportar volumes determinados de produtos agroalimentares para a UE com tarifas preferenciais.

No entanto, os quatro países ainda não chegaram a um entendimento sobre a divisão dessas cotas e, por enquanto, adotam o sistema de ordem de chegada (“first come, first served”).

O tema dominou a cúpula de líderes do Mercosul, encerrada na terça-feira em Assunção, no Paraguai. O encontro foi sediado pelo presidente paraguaio, Santiago Peña, e contou com a presença do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente uruguaio Yamandú Orsi. O presidente argentino Javier Milei esteve ausente.

Peña tornou-se o principal crítico do que considera um modelo profundamente desigual. O Paraguai, que ocupou a presidência rotativa do bloco até julho, defendia que as cotas fossem divididas igualmente entre os quatro membros, proposta rejeitada pelos demais países.

“O Paraguai ficou com um gosto amargo após a implementação desse acordo”, afirmou Peña.

Segundo ele, o país está em desvantagem ao competir com economias muito maiores, como Brasil e Argentina, e é necessário encontrar uma solução mais equilibrada.

“Sem justiça não pode haver Mercosul, não pode haver integração, não pode haver amizade genuína entre nós”, disse Peña aos demais líderes, acrescentando que o acordo é fundamental para o desenvolvimento econômico paraguaio.

O debate evidenciou as divergências internas do bloco.

Nos primeiros meses de vigência do acordo, o Uruguai utilizou mais de 60% de sua cota de arroz em menos de um mês, enquanto a Argentina ocupou 80% da quantidade disponível para exportações de mel referente aos três primeiros meses do acordo.

Segundo os dados de movimentação de cargas conteinerizadas obtidos pela Datamar, o Uruguai exportou 261 TEUs de arroz para a União Europeia em maio de 2026, o primeiro mês no qual o acordo com o bloco europeu possibilitou o embarque de cargas sem taxas. No ano, foram 1.381 TEUs. Confira o histórico das exportações uruguais de arroz ao bloco europeu abaixo:

Exportação de Arroz | Uruguai – União Europeia | Jan 2023 – Mai 2026 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

O Brasil, maior potência agroexportadora da região e um dos principais exportadores mundiais de carne bovina, defende que as cotas sejam distribuídas de acordo com a participação de cada país no comércio global. Já Argentina e Uruguai preferem um critério baseado na média histórica de suas exportações para a União Europeia, segundo duas pessoas envolvidas nas negociações.

O Uruguai, que assumiu na terça-feira a presidência rotativa do Mercosul, ficará responsável por conduzir as negociações até o fim do ano.

Do lado europeu, a distribuição das cotas também gerou controvérsia. Entidades do setor agroalimentar alertam para uma brecha no texto do acordo que permite aos governos do Mercosul decidir unilateralmente quais empresas poderão exportar para o bloco europeu.

Fonte: Euractiv

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