Acordo UE-Mercosul Abre Janela de Oportunidades para Portos Brasileiros
jan, 28, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202605
No médio e longo prazo o Brasil está apto a ser o maior beneficiário dentro do Mercosul pelo acordo comercial assinado com a União Europeia (UE), dada a composição e escala de suas exportações. O acordo tem potencial para beneficiar os portos brasileiros, que movimentam estas cargas.
Em 2025, as exportações brasileiras para o bloco europeu alcançaram US$ 49,8 bilhões (R$ 263,9 bilhões), correspondendo a 14,3% do total exportado pelo país. Considerando que 97% das exportações e importações do país são feitas por via marítima, como o acordo com a UE tem capacidade de dobrar ou triplicar exportações com o bloco, segundo analistas do BTG. É um efeito cascata e os portos que mais movimentam produtos para o continente devem reproduzir esse potencial.
O gráfico a seguir mostra as principais mercadorias exportadas para os 27 países da União Europeia, em contêineres, de janeiro a novembro de 2025. Os dados foram coletados e processados pela Datamar. Os leitores podem solicitar uma demonstração abaixo.
Principais Exportações | Brasil para a UE | 2025 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Impactos variados
Cada porto tem uma característica: alguns não têm licença pra exportar, enquanto em outros predominam essa atividade. Por isso, o impacto tende a ser variado em cada um deles.
No Porto de Itapoá, em Santa Catarina, um dos maiores do país em movimentação de contêineres, a expectativa é que acordo dobre a movimentação de cargas para o bloco em cinco anos. “Como a redução de tarifas será gradual, a curva é exponencial”, diz Ricardo Arten, CEO do Porto de Itapoá.
Atualmente o porto exporta produtos de vários estados brasileiros, como Mato Grosso, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. As importações para a União Europeia corresponderam a cerca de 19% do total movimentado em 2025, que foi de 1,5 milhão de TEUs (contêiner de 20 pés). Do lado das exportações, o bloco representou aproximadamente 12% do total em 2025.
Entre os exportados, 19% dos produtos florestais (madeira, celulose) que passaram por Itapoá foram para a UE. Para Arten, o acordo traz uma grande oportunidade para as empresas do setor madeireiro e de celulose, impactadas pelo tarifaço do presidente americano Donald Trump, voltar a ganhar competitividade no bloco.
O Porto de Suape, em Pernambuco, ainda não tem licença para exportar pela Zona de Processamento de Exportação (ZPE), que gera benefícios tributários, mas o acordo é mais um motivo para buscar essa expansão, conta o CEO Armando Monteiro Bisneto. “Já demos entrada no pedido no MDIC (Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) em agosto do ano passado e esperamos que ela saia neste ano. O acordo pode ser uma grande alavanca para o porto”. Atualmente, a movimentação de cargas do porto para a UE equivale a 4% do total, mas o executivo acredita que possa quintuplicar nos próximos anos. “Estamos muito mais próximos da Europa do que o centro e o sul do país”.
O porto inaugurará em junho um terminal de uma subsidiária da dinamarquesa Maersk, que poderá reforçar a entrada de produtos europeus e também produtos para exportação brasileiros, agropecuários ou manufaturados. “Já estamos em conversas avançadas com o Porto de Sines, em Portugal, que é uma porta de entrada para toda a península ibérica. Portos do norte da Inglaterra, da Antuérpia e Roterdã também estão na mira”. Hoje, Suape tem apenas uma linha marítima regular para Valença, na Espanha.
Um dos produtos que Bisneto acredita que possa interessar os consumidores europeus é o metanol verde. Suape terá uma fábrica de e-metanol da European Energy, com um investimento de cerca de R$ 2 bilhões, e a Maersk deve ser uma das consumidoras desse combustível verde quando estiver em operação.
No Porto de Paranaguá, no Paraná, as movimentações para o bloco europeu somam 12% do total: da pauta de exportações do porto, 15% é direcionada à UE, enquanto o porto recebe do bloco 4% do que importa de outros países. Entre os principais produtos movimentados estão farelo de soja, açúcar, madeira (placas, aglomerados e outros produtos trabalhados), celulose, químicos, carnes, gorduras e óleos vegetais. O porto evita fazer projeções e diz estar analisando possíveis impactos do acordo.
Infraestrutura
Capitalizar os ganhos do acordo comercial com a UE não depende apenas de investimentos nos portos e em seus terminais, mas passa também pela aprovação de marcos do setor e a solução de gargalos logísticos, principalmente no acesso aos portos.
O projeto mais importante para potencializar o efeito do acordo comercial é o PL 733, considerado um novo marco para o setor portuário. Atualmente ele tramita na Câmara dos Deputados, onde foi criada uma comissão especial para analisá-lo. Com 151 artigos, a lei tem como objetivo substituir a legislação sobre portos de 2013 ao promover uma série de alterações na regulação, precificação dos serviços, contratação de mão de obra e licenciamento ambiental.
Por exemplo, o texto dispensa licenças individualizadas para a instalação de terminais portuários e de cruzeiros. Também estabelece que os preços a serem praticados sejam negociados livremente, desde que respeitadas as normas concorrenciais.Atualmente, as tarifas portuárias são reguladas pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
Segundo JesualdoSilva, diretor-presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), que representa 104 empresas, existem muito gargalos na lei atual que rege o setor, tanto em relação a contratação de mão de obra como obras de ampliação em portos. “Hoje, há exclusividade da contratação de trabalhadores avulsos, via órgão gestor de mão de obra. Em relação a obras, há a necessidade de obter autorizações do governo, o que em alguns casos pode levar anos”.
Silva cita também a licitação de um novo terminal de contêineres no Porto de Santos, em São Paulo, prevista para março, como outra obra essencial para o setor aproveitar as oportunidade trazidas pelo acordo com a UE. A expectativa é que a obra dobre a movimentação desse tipo de carga no porto.
O Porto de Suape será beneficiado por uma obra de mais de R$ 1,2 bilhão que terá efeito similar ao do Rodoanel em São Paulo. A ideia é fazer com que os caminhões contornem a região de Grande Recife e cheguem ao porto sem ter de enfrentar o trânsito da cidade.
Itapoá está na quarta fase de expansão, que deve ser concluída no final do primeiro semestre. Entre as obras previstas, estão dragagens, que permitem ao porto receber navios maiores. Além disso, projetos de infraestrutura estão sendo realizados em seus acessos. “A expansão das ferrovias é muito importante para nós”, lembra Arten, CEO do porto.
Para driblar gargalos logísticos na rodovia BR-101, o Porto de Itapoá também vem conversando com o governo local formas de atrair empresas para o seu polo industrial.
Fonte: Forbes Brasil
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