Acre consolida rota do Pacífico e se projeta como novo corredor de exportações do Brasil para a Ásia
out, 23, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202544
O Acre vive um dos momentos mais promissores de sua história econômica. Com uma posição geográfica estratégica — fronteira com o Peru e a Bolívia — e uma série de investimentos em infraestrutura e integração regional, o estado consolida sua presença como nova rota logística do Brasil para o Oceano Pacífico, encurtando distâncias e ampliando oportunidades no comércio internacional.
Em Assis Brasil, município localizado no extremo da BR-317, a chamada Estrada do Pacífico, o governo do Estado acompanha de perto obras e projetos estruturantes que reforçam o papel do Acre como elo entre a Amazônia e o mercado asiático. O corredor representa uma alternativa real para exportações brasileiras, reduzindo o trajeto até portos do Pacífico e garantindo economia de tempo e custos logísticos.
Entre as principais obras em andamento estão o Anel Viário de Brasileia, a estrada da Variante e a ponte da Sibéria, em Xapuri — intervenções que fortalecem a infraestrutura regional e preparam o Alto Acre para um novo ciclo de desenvolvimento. O impacto dessa integração já é visível.
Nos últimos seis anos (2019–2024), o Acre dobrou o volume de exportações, alcançando mais de R$ 1,8 bilhão, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O destaque vai para o setor de proteína animal, liderado pela Dom Porquito, agroindústria instalada em Brasileia que se tornou referência nacional na produção de carne suína e de aves. A empresa já exporta para Peru, Bolívia, Vietnã, Hong Kong, República Dominicana, Moçambique e Haiti, consolidando o Acre como fornecedor global de alimentos.
Além das carnes, produtos como madeira, soja e insumos florestais compõem a pauta exportadora acreana. O governo trabalha para incluir novas cadeias produtivas, especialmente as ligadas ao agronegócio sustentável, gerando emprego, renda e oportunidades para milhares de acreanos.
De acordo com o secretário de Planejamento, Ricardo Brandão, a estratégia estadual vai além do transporte de mercadorias.
“Os caminhos da exportação começam em Assis Brasil, com toda a estrutura aduaneira já montada, mas dependem do engajamento dos prefeitos, empresários e da população dos municípios vizinhos — Brasileia, Epitaciolândia, Xapuri e Capixaba. O desenvolvimento de uma região é uma construção coletiva”, afirmou.
O secretário ressalta que o foco é converter crescimento econômico em melhoria de vida para a população, com geração de empregos e fortalecimento das cidades do Alto Acre.
Em Assis Brasil, o prefeito Jerry Correia afirma que o município vive um novo momento.
“Assis Brasil é o ponto de partida desse grande corredor que liga o Acre ao Pacífico. Já sentimos o aumento no fluxo de caminhões, o interesse de novas empresas e o fortalecimento do comércio local. Nosso desafio é transformar essa posição estratégica em desenvolvimento para o nosso povo”, disse.
Em Epitaciolândia, o prefeito Sérgio Lopes rebate o mito de que exportar pela Estrada do Pacífico seria caro.
“Estamos a menos de 2 mil quilômetros dos portos do Pacífico, enquanto os portos do Sul e Sudeste ficam a 4 ou 5 mil quilômetros. Além disso, a economia no tempo de transporte marítimo pode chegar a 15 dias para destinos como China, Estados Unidos e Europa. É uma rota mais curta, mais barata e mais eficiente”, afirmou.
Para Carlinhos do Pelado, prefeito de Brasileia, o Acre vive um avanço real, ainda que gradual.
“Já somos rota de exportação para o Pacífico e para o Peru. Com o novo Porto de Chancay, no Peru, a tendência é que nosso papel se amplie. Precisamos transformar essa realidade em resultados concretos para o estado”, declarou.
O Porto de Chancay, localizado a 80 km de Lima, recebeu investimentos de US$ 1,3 bilhão e é considerado o mais moderno da América do Sul. Ele permitirá que o Acre envie produtos brasileiros diretamente ao mercado asiático, reduzindo custos logísticos e ampliando a competitividade regional.
Além das exportações, o Acre também se prepara para importar produtos peruanos, como hortifrutigranjeiros, cimento e minerais. A troca bilateral deve baratear o custo de alimentos e insumos, estimulando o comércio local e fortalecendo a economia regional.
No horizonte, o governo estadual trabalha em projetos como o Quadrante Rondon, uma ferrovia que conectará o Acre às demais regiões do país e aos portos do Pacífico, consolidando um sistema logístico multimodal — rodoviário e ferroviário — capaz de integrar a Amazônia ao mercado global.
A combinação entre infraestrutura, integração regional e vocação produtiva faz do Acre um hub amazônico de exportação e importação. De Assis Brasil ao mundo, o estado projeta um novo tempo de oportunidades, mostrando que desenvolvimento sustentável e crescimento econômico podem, sim, caminhar lado a lado na fronteira do Brasil com o Pacífico.
Fonte: Acre Agora
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