Açúcar e Ethanol

Açúcar orgânico do Brasil ainda sofre com tarifas

jan, 08, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202602

Seis meses após o início do tarifaço americano contra o Brasil, que continua vigente para uma fatia das vendas ao mercado externo, os exportadores de açúcar orgânico enfrentam dificuldades para encontrar alternativas para embarcar o produto nacional. Antes isento de tarifa para entrar nos Estados Unidos, agora, na prática, o açúcar orgânico do Brasil paga cerca de 100% de tarifa.

O gráfico abaixo utiliza dados DataLiner da Datamar para ilustrar as exportações de açúcar, medidas em toneladas, do Brasil. Os leitores podem solicitar uma demonstração para mais insights abaixo.

Exportações de Açúcar | 2023 – 2025 | WTMT

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração) 

O presidente americano Donald Trump atingiu o açúcar orgânico brasileiro duplamente. Além de continuar a pagar a sobretaxa de 40%, que passou a vigorar em agosto de 2025, acrescida dos 10% que os EUA cobram sobre exportações de todo o mundo, o produto deixou de usufruir da “Specialty-Quota” para o açúcar orgânico, perdendo a isenção da tarifa de US$ 327 a tonelada que beneficiava uma cota de 240 mil toneladas.

Os EUA respondem por boa parte do consumo global de produtos orgânicos. O uso de açúcar orgânico é obrigatório para alimentos industrializados orgânicos, como granolas, barras de cereais e iogurtes, o que significa que, sem ele, as indústrias americanas não podem vender produtos como orgânicos.

A Native, do Grupo Balbo, começou a buscar outros mercados e estava começando a abrir portas no México — até ter uma má notícia em 31 de dezembro. Naquele dia, o governo mexicano anunciou que retiraria a isenção de tarifas de importação para diversos produtos, entre eles o açúcar.

“Chegamos a embarcar dez contêineres para o México e havia pedidos de mais, mas não vamos mais conseguir exportar”, lamenta Leontino Balbo Júnior, vice-presidente da Native Produtos Orgânicos. Com a decisão, o México passou a cobrar uma tarifa de 200% sobre o açúcar orgânico.

Ele conta que a incursão no país começou em 2025, quando incentivou um distribuidor americano a abrir mercado no México. A distribuidora chegou a contratar funcionários mexicanos, que foram treinados pela Native, o que começou a dar resultados. A expectativa da Native era exportar até 3 mil toneladas até junho de 2026 — os americanos chegam a consumir 300 mil toneladas ao ano.

Atualmente, a única alternativa que a empresa vem encontrando é o Canadá, cujas indústrias têm recebido mais pedidos de clientes americanos para suprir a demanda nos EUA. Ainda assim, os volumes são pequenos. A empresa de Balbo, que antes vendia 6 mil toneladas de açúcar orgânico ao Canadá, agora deve embarcar 9 mil toneladas anuais.

Sem outro mercado relevante como opção, a Native tem hoje 30 mil toneladas em estoque, um volume alto para uma empresa que esperava exportar 40 mil toneladas aos EUA nesta safra e zerar os estoques em abril. “O distribuidor não tem caixa para comprar. Está sem capital de giro”, afirma Balbo.

A Jalles Machado, outra exportadora brasileira de açúcar orgânico, ainda está conseguindo vender seu produto aos EUA. “Continuamos vendendo para nossos clientes porque os Estados Unidos precisam. Mas estão repassando [o custo] para o varejo”, conta Rodrigo Penna, diretor financeiro da companhia.

Segundo ele, a empresa tenta aumentar as vendas a outros mercados, mas sem grandes destaques. “[A tarifa] está encarecendo o açúcar para o consumidor e não ajuda o produtor americano, que não produz orgânico”, diz.

Fonte: Globo Rural

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