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Agronegócio brasileiro bate recorde de faturamento com exportações em 2025, mas 2026 começa sob incertezas

mar, 24, 2026 Postado porGabriel Malheiros

Semana202612

O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com novo recorde de faturamento nas exportações, mesmo em um ambiente marcado por tarifas impostas pelos Estados Unidos e por oscilações nos preços médios de venda. Levantamento do Cepea, com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), mostra que o setor faturou US$ 169 bilhões no ano passado, alta de 3% em relação a 2024.

Segundo o Cepea, o avanço foi sustentado principalmente pelo aumento de 3,4% no volume exportado, já que o preço médio anual recuou 0,4%.

Entre os produtos que registraram crescimento nos volumes embarcados em 2025 estão carnes bovina e suína, celulose, soja em grão, algodão e milho. No caso dos preços, os avanços foram observados nas carnes bovina e suína, no etanol, no café e no óleo de soja.

China, União Europeia e Estados Unidos seguiram como os principais destinos do agronegócio brasileiro. As exportações para a China continuaram fortemente concentradas no complexo soja, enquanto os embarques para a União Europeia tiveram maior peso de produtos florestais, café, frutas e suco de laranja. Já os Estados Unidos mantiveram relevância sobretudo para madeira, suco de laranja, etanol, café, frutas, celulose e carne bovina.

Os dados de parceiros comerciais do DataLiner, plataforma da inteligência de dados da Datamar, mostram a China como principal destino das exportações conteinerizadas do Brasil, com 40.275 TEUs, alta de 4%, enquanto os Estados Unidos aparecem em segundo, com 20.885 TEUs, mas com queda de 34%.

Segunda a Datamar, as principais exportações do Brasil para a China, em janeiro de 2026, incluíram carne bovina congelada (7.780 TEUs, alta de 4,8%), algodão (7.043 TEUs, alta de 79,5%) e celulose química de madeira (6.954 TEUs, alta de 47%).

O gráfico abaixo utiliza informações extraídas do DataLiner para comprar o volume de contêineres exportados para os dois principais parceiros comerciais do Brasil desde janeiro de 2023:

Exportações para EUA e China | Jan 2023 –  Jan 2026 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração) 

Apesar do desempenho recorde em 2025, o início de 2026 é cercado por incertezas para o setor. Enquanto produtores do Hemisfério Sul concluem a colheita da safra de verão e avançam no plantio do novo ciclo, agentes do mercado também acompanham os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre a logística global e os custos de insumos.

Segundo o Cepea, a escalada das tensões já tem provocado alta nos preços do petróleo e dificultado operações logísticas. O fechamento do Estreito de Ormuz é apontado como um dos principais focos de preocupação, por se tratar de uma rota estratégica para o comércio internacional de energia e fertilizantes. De acordo com o centro de estudos, cerca de 30% dos fertilizantes comercializados globalmente, especialmente nitrogenados, passam pela região.

Nesse cenário, empresas brasileiras do setor de fertilizantes vêm se mantendo afastadas do mercado e evitando divulgar preços enquanto aguardam maior clareza sobre os desdobramentos do conflito, segundo o Cepea.

O Irã, por sua vez, ganhou peso nas compras de milho brasileiro ao longo de 2025. Dados da Secex mostram que o país foi o principal destino do cereal no ano passado, com 9 milhões de toneladas importadas, quase o dobro do volume registrado em 2024, de 4,33 milhões de toneladas. Ainda assim, como os embarques brasileiros de milho costumam ganhar força no segundo semestre, o mercado monitora por enquanto os possíveis reflexos para os próximos meses.

No caso da carne de frango, o Oriente Médio permanece como uma região estratégica para o Brasil. Em 2025, o bloco respondeu por quase 25% dos embarques brasileiros da proteína. Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita ocuparam, respectivamente, a primeira e a terceira posições entre os principais destinos da carne de frango brasileira.

Juntos, os dois países receberam mais de 877 mil toneladas em 2025, o equivalente a mais de 12,6% de todo o volume exportado pelo Brasil, segundo os dados compilados pelo Cepea.

Fonte: Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea)

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