América Latina ganha espaço como alternativa estratégica para exportações de tilápia brasileira
mar, 26, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202613
Diante de um cenário internacional mais desafiador, a piscicultura brasileira começa a redesenhar sua estratégia de exportação. Altamente dependente dos Estados Unidos, destino de cerca de 92% das exportações de tilápia brasileira, o setor agora busca diversificar mercados e reduzir riscos, com foco crescente na América Latina.
A mudança ocorre em meio a novas barreiras comerciais e ao aumento da concorrência global. Ainda assim, especialistas avaliam que o momento é de oportunidade. Segundo lideranças do setor, a tilapicultura nacional entra em uma fase promissora, marcada por expansão e necessidade de adaptação.
Apesar da forte concentração no mercado norte-americano, os números recentes indicam resiliência. As exportações de tilápia brasileira cresceram cerca de 2% no último ano, mesmo após a implementação de tarifas a partir de agosto. O desempenho reforça a competitividade do produto brasileiro, embora acenda um alerta sobre a dependência de um único destino.
De acordo com dados de movimentação de contêineres obtidos pelo time de inteligência de mercado da Datamar, o Brasil exportou 8 TEUs de tilápias em janeiro de 2026 – incluindo peças inteiras ou filés congelados, frescos, ou refrigerados – enquanto as importações totalizaram 112 TEUs.
Confira a seguir o detalhamento completo do volume das importações brasileiras de tilápias (peças inteiras ou cortes) desde janeiro de 2023:
Importações de Tilápias | Jan 2023 – Jan 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Nesse contexto, países latino-americanos passam a ocupar posição estratégica. O México surge como um dos principais alvos: o país importa aproximadamente 92 mil toneladas de tilápia por ano, mais da metade do volume adquirido pelos Estados Unidos. Ainda assim, a participação brasileira nesse mercado segue limitada, indicando espaço para expansão.
Outros países da região, como Colômbia e Peru, também aparecem como oportunidades relevantes. Além da demanda expressiva, a proximidade geográfica pode favorecer o Brasil em termos logísticos, especialmente frente a concorrentes asiáticos.
Desafio industrial limita avanço
Embora a produção nacional seja considerada robusta, o principal gargalo para ampliar presença internacional está no perfil do produto exportado. Atualmente, o Brasil comercializa majoritariamente filé fresco um item de maior valor agregado, porém com menor escala.
No mercado global, o cenário é diferente. O consumo é dominado por produtos congelados, mais acessíveis e ofertados em grande volume por países como China e Vietnã. Essa diferença tem limitado a competitividade brasileira em mercados de maior escala.
A expectativa do setor é que ajustes regulatórios e maior eficiência industrial permitam ampliar a produção de filé congelado, reposicionando o país no comércio internacional. Especialistas avaliam que mudanças nesse campo podem gerar resultados mais rápidos do que avanços na produção, que demandam mais tempo e investimento.
Além disso, entraves comerciais seguem no radar. O mercado europeu permanece fechado para o pescado brasileiro desde 2017, e sua reabertura depende de negociações diplomáticas e adequações sanitárias fatores que vão além do controle direto dos produtores.
Coordenação e inteligência de mercado ganham força
Com um ambiente mais competitivo, cresce a importância da articulação entre indústria, associações e centros de pesquisa. A troca de informações e a identificação de tendências têm sido fundamentais para orientar empresas na busca por novos mercados.
A estratégia inclui não apenas a expansão internacional, mas também o fortalecimento do mercado interno. Nesse sentido, espécies nativas, como o tambaqui, surgem como alternativas promissoras para diversificação da produção.
A perspectiva para os próximos anos é de transformação. A ampliação de mercados dentro e fora do país deve marcar a próxima fase da tilapicultura brasileira, com maior inserção internacional e pressão crescente por competitividade.
Fonte: Peixe BR, adaptado pela Feed & Food.
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