Grãos

Arco Norte amplia liderança nas exportações brasileiras de milho, aponta Conab

set, 03, 2026 Postado porGabriel Malheiros

Semana202637

Os portos do Arco Norte ampliaram sua participação nas exportações de milho pelo Arco Norte e responderam por 46,12% dos embarques brasileiros do cereal entre janeiro e julho de 2026, segundo o Boletim Logístico da Conab. No mesmo período de 2025, a fatia era de 35,46%, o que mostra uma mudança relevante na distribuição dos fluxos portuários do agronegócio brasileiro.

O avanço ocorreu em um ano de crescimento das exportações nacionais de milho. De acordo com o boletim, o Brasil embarcou 9,83 milhões de toneladas do cereal nos sete primeiros meses de 2026, ante 8,89 milhões de toneladas no mesmo intervalo do ano anterior, alta de 10,53%.

A expansão do Arco Norte foi puxada sobretudo por Barcarena e Santarém, no Pará. Em Barcarena, os embarques de milho passaram de 727 mil toneladas entre janeiro e julho de 2025 para 1,77 milhão de toneladas no mesmo período deste ano. Em Santarém, o volume subiu de 1,05 milhão para 1,50 milhão de toneladas. O Porto do Itaqui, no Maranhão, também avançou, de 524 mil para 570 mil toneladas.

Na direção oposta, alguns portos tradicionais perderam espaço no escoamento do cereal. Paranaguá reduziu seus embarques de milho de 1,18 milhão para 860 mil toneladas. São Francisco do Sul teve queda mais acentuada, de 1,42 milhão para 495 mil toneladas. Santos, por sua vez, ficou praticamente estável, com cerca de 2,19 milhões de toneladas movimentadas.

Os dados de comércio exterior da Datamar mostram um cenário semelhante: apesar de quase 21% das exportações de milho do Brasil terem saído pelo Porto de Santos, importantes portos no Arco Norte mostram um crescimento favorável. O Porto de Vila do Conde teve um crescimento interanual de quase 58%, enquanto Santarem cresceu 18% no acumulado do ano.

Confira a seguir o market share dos principais portos exportadores de milho no Brasil:

Exportação de Milho | Jan-Jul 2026 | WTMT

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

O retrato apresentado pela Conab reforça a consolidação dos corredores setentrionais na logística de grãos. O Arco Norte reúne saídas portuárias e hidroviárias que atendem principalmente cargas originadas no Centro-Oeste e no Matopiba, reduzindo a dependência de rotas mais longas até os portos do Sul e do Sudeste.

A mudança também aparece quando o milho é comparado a outras commodities analisadas pelo boletim. No caso da soja, o Arco Norte respondeu por 39,03% das exportações brasileiras entre janeiro e julho. Para o farelo de soja, a participação foi menor, de 12,28%, segmento em que Santos manteve liderança, com 43,79% dos embarques.

O boletim também mostra que o avanço das exportações se deu em meio a dinâmicas regionais distintas nos fretes agrícolas. Em Mato Grosso, principal estado produtor de grãos, a Conab registrou queda nas cotações rodoviárias em 18 das 25 rotas pesquisadas em julho, após o pico de movimentação associado à soja. No Paraná, porém, a combinação entre colheita do milho segunda safra e exportações de soja elevou a disputa por caminhões, pressionando rotas com destino a Paranaguá.

Para exportadores, tradings e operadores portuários, a maior participação do Arco Norte altera a leitura sobre capacidade logística, contratação de transporte interno e programação de embarques. O crescimento de Barcarena e Santarém sugere que os corredores do Norte estão absorvendo uma parcela maior da safra exportável, enquanto portos do Sul registram perda relativa no milho.

A trajetória das exportações de milho pelo Arco Norte ainda dependerá do comportamento da demanda externa, do ritmo da segunda safra e das condições operacionais das rotas hidroviárias, ferroviárias e rodoviárias. Ainda assim, os dados da Conab indicam que o Arco Norte já não atua apenas como alternativa logística: no milho, tornou-se o principal eixo de saída do produto brasileiro ao mercado internacional.

Fonte: Boletim Logístico – CONAB

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