Minérios

Argentina e Chile retomam marco regulatório de mineração transfronteiriça para atrair investimentos

ago, 28, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202635

Argentina e Chile buscam viabilizar bilhões de dólares em investimentos em mineração por meio do avanço de marcos legais e regulatórios que permitam às empresas compartilhar infraestrutura e recursos através da Cordilheira dos Andes.

Autoridades dos dois países devem realizar novas negociações nesta quinta-feira (27), no âmbito do Tratado de Integração e Complementação Mineira, acordo de 1997 retomado em julho após décadas de avanços limitados, enquanto tentam impulsionar uma nova geração de projetos de cobre.

A iniciativa renovada ganhou força sob o governo do presidente conservador do Chile, José Antonio Kast, que tomou posse em março, e do presidente libertário da Argentina, Javier Milei, já que ambas as administrações procuram atrair investimentos privados.

O ministro da Mineração do Chile, Daniel Mas, afirmou neste mês que o marco regulatório poderia ajudar a viabilizar mais de US$ 20,7 bilhões em investimentos e acrescentar 540 mil toneladas métricas à produção anual de cobre.

Para os investidores, uma das principais atrações é a possibilidade de projetos argentinos próximos à fronteira andina terem acesso aos portos chilenos e utilizarem a infraestrutura vinculada à maior indústria produtora de cobre do mundo. Isso reduziria custos, encurtaria as rotas de transporte e ajudaria a colocar novas minas em operação.

O Ministério da Mineração do Chile informou que a reunião desta quinta-feira se concentrará no avanço da análise técnica dos projetos que poderiam ser beneficiados pelo tratado.

“O desenvolvimento de projetos binacionais […] cria enormes oportunidades para fornecedores chilenos, para a utilização da infraestrutura chilena, para a prestação de serviços à indústria argentina e para o desenvolvimento de parcerias”, afirmou Joaquín Villarino, presidente do Conselho de Mineração do Chile, entidade que representa as principais mineradoras do país.

O subsecretário de Mineração do Chile, Álvaro González, disse à Reuters que não há um cronograma definido para a implementação das medidas que estão sendo analisadas pelos dois governos.

PROJETOS EM DESENVOLVIMENTO

Representantes de três projetos que provavelmente serão beneficiados pelo marco renovado devem se reunir em Santiago nesta sexta-feira, durante um seminário sobre integração mineradora. Os projetos são Los Azules, da McEwen Copper, na Argentina; El Pachón, da Glencore; e Vicuña, projeto transfronteiriço de cobre desenvolvido pela Lundin Mining em parceria com a BHP.

A Vicuña informou que pretende utilizar água dessalinizada do Oceano Pacífico, embora não tenha especificado se recorrerá à infraestrutura chilena. A empresa não quis comentar as negociações entre os governos.

Los Azules não planeja utilizar água dessalinizada nem exportar por portos chilenos, mas um porta-voz da empresa afirmou que há interesse nas discussões devido à proximidade do projeto com a fronteira. A BHP não esclareceu se utilizará a infraestrutura já existente.

A Argentina, historicamente dependente das exportações agrícolas, não produz cobre desde o fechamento da mina Alumbrera, em 2018. No entanto, uma carteira de projetos em desenvolvimento poderia colocar o país entre os dez maiores produtores mundiais de cobre até 2030, segundo analistas. Ao lado do Chile, a Argentina poderia integrar um importante polo de fornecimento de um metal essencial para a transição energética.

Fonte: Reuters

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