Argentina e EUA assinam acordo recíproco de comércio e investimentos
fev, 06, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202606
A Argentina concederá acesso preferencial ao mercado para exportações de bens dos Estados Unidos como parte de um novo acordo de comércio e investimentos que proíbe barreiras ao comércio digital e amplia a cooperação em temas econômicos e de segurança nacional, informou o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) nesta quinta-feira, 5 de fevereiro.
O documento, assinado pelo representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, e pelo ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, detalha um acordo-quadro de comércio que havia sido acertado inicialmente em 13 de novembro.
O acordo reduzirá ou eliminará tarifas sobre muitos produtos dos EUA, incluindo medicamentos, dispositivos médicos, produtos químicos, máquinas, veículos automotores, produtos de tecnologia da informação e uma ampla gama de produtos agrícolas americanos, segundo o USTR.
A Argentina também aceitará os padrões de segurança e regulatórios dos EUA para bens importados, como automóveis e dispositivos médicos, e adotará os padrões de segurança alimentar do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para carnes bovinas e de aves, informou o USTR. O país também se comprometeu a não impor tarifas alfandegárias sobre transmissões transfronteiriças de dados nem criar um imposto sobre serviços digitais direcionado a empresas de tecnologia dos EUA.
No setor agrícola, o USTR afirmou que, dentro de um ano, a Argentina abrirá seu mercado para aves e produtos avícolas dos EUA e trabalhará para simplificar a burocracia para exportadores americanos de carne bovina e suína.
A Argentina também concordou, de acordo com o documento, em não restringir o uso, por exportadores dos EUA, de determinados nomes de queijos, como asiago, feta ou camembert, que a União Europeia classifica como indicações geográficas exclusivas das regiões produtoras.
O acordo prevê ainda maior cooperação na aplicação de controles de exportação sobre itens sensíveis de uso duplo, que podem ter aplicações militares, ao mesmo tempo em que assegura a integridade da infraestrutura de telecomunicações da Argentina.
O documento não menciona a China explicitamente, mas o USTR afirmou que o acordo fortalecerá a cooperação entre EUA e Argentina no combate a práticas comerciais desleais de terceiros países.
Cooperação em minerais
A Argentina também se comprometeu a trabalhar com seus governos provinciais para facilitar investimentos de empresas dos EUA em projetos de minerais críticos e a priorizar os Estados Unidos como parceiro comercial para cobre, lítio e outros minerais críticos, em detrimento de “economias ou empresas que manipulam o mercado” — outra referência à China.
Em outubro, o Tesouro dos EUA lançou uma linha de swap cambial de US$ 20 bilhões para ajudar o presidente argentino Javier Milei a estabilizar o peso e garantir a vitória de seu partido nas eleições parlamentares, votação elogiada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, como um passo para consolidar a recuperação econômica da Argentina.
“O aprofundamento da parceria entre o presidente Trump e o presidente Milei serve como um modelo de como os países das Américas, do Alasca à Terra do Fogo, podem avançar em nossas ambições compartilhadas e proteger nossa segurança econômica e nacional”, afirmou Greer em comunicado.
Quirno disse, em mensagem nas redes sociais, que o acordo foi uma “grande conquista” para os dois países.
Mais cedo nesta quinta-feira, a senadora norte-americana Elizabeth Warren, principal democrata no Comitê Bancário do Senado, pediu ao secretário do Tesouro, Scott Bessent, que encerre a linha de swap de US$ 20 bilhões, argumentando que a medida deveria ser temporária.
Fonte: Reuters
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