Argentina registra superávit comercial histórico de US$ 2,71 bilhões com exportações em nível recorde
maio, 21, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202621
A balança comercial da Argentina registrou um superávit histórico de US$ 2,711 bilhões em abril, aumento de US$ 2,496 bilhões em relação ao mesmo mês de 2025, segundo o relatório de Intercâmbio Comercial Argentino do Indec. Foi o 29º mês consecutivo de saldo positivo.
Preços mais altos e maiores volumes exportados impulsionaram as exportações para um recorde de US$ 8,914 bilhões no quarto mês do ano, alta de 33,6% na comparação anual. O avanço foi puxado por um aumento de 20,6% nos volumes exportados e por uma valorização de 10,8% nos preços.
Todas as categorias exportadoras registraram crescimento: os produtos primários avançaram 25%; as manufaturas de origem agropecuária subiram 14,1%; as manufaturas de origem industrial cresceram 43,3%; e as vendas de combustíveis e energia dispararam 85,9%. Este último segmento alcançou um recorde de US$ 1,554 bilhão, alta de US$ 718 milhões, ou 85,9%, em relação a abril de 2025. “Esse desempenho foi impulsionado principalmente pelo aumento das exportações de petróleo bruto e combustíveis. Os volumes exportados cresceram 53,2%, enquanto os preços avançaram 21,3%”, informou o Indec.
Descubra a seguir os dez principais produtos exportados pela Argentina no 1º trimestre de 2026, segundo os dados de movimentação de contêineres obtidos pela Datamar:
Principais Exportações da Argentina | Jan-Mar 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Segundo a consultoria Abeceb, a safra recorde, a maior atividade mineradora e os preços mais elevados da energia sustentam as estimativas de que “as exportações alcançarão US$ 100 bilhões este ano, com um superávit de quase US$ 20 bilhões, acima de todas as expectativas anteriores e quase o dobro do saldo comercial de 2025, de US$ 11,32 bilhões”.
O ministro da Economia, Luis Caputo, comemorou os números positivos em uma publicação no X, destacando, entre outros pontos, que abril registrou valores recordes tanto para as exportações totais quanto para as exportações de combustíveis e energia, enquanto as manufaturas de origem industrial atingiram o maior valor exportado desde novembro de 2012.
As importações, por outro lado, totalizaram US$ 6,204 bilhões, queda de 4% na comparação anual. A retração refletiu não apenas uma redução de 7% nos volumes importados, mas também um aumento de 4,1% nos preços. As compras de produtos e insumos para produção recuaram, com bens de capital caindo 5,9% e peças e acessórios para bens de capital recuando 17,4%. Já as compras de bens intermediários tiveram leve alta de 4,1%.
Segundo Diego Coatz, diretor executivo de I+D (Indústria e Desenvolvimento) e ex-diretor da União Industrial Argentina, “são números muito positivos para o comércio exterior, com as exportações de abril chegando a quase US$ 9 bilhões. Todo o complexo primário e as manufaturas agropecuárias apresentam números muito fortes. O mesmo ocorre com as manufaturas industriais e tudo relacionado à mineração”.
No lado das importações, porém, as compras ligadas à produção, como bens de capital e peças e acessórios, permanecem “estagnadas”, segundo Coatz. O mesmo ocorre com os bens de consumo, que ficaram praticamente estáveis em relação ao ano passado, com alta de apenas 0,8%. As importações de veículos de passeio também cresceram 3%. “Há um superávit recorde porque as exportações tiveram desempenho extremamente forte, e isso deve ser comemorado, mas a atividade ainda não se recuperou totalmente, e essa situação precisa ser monitorada”, alertou Coatz.
A boa notícia é que as compras de combustíveis e lubrificantes caíram 45,4%, em linha com o aumento das exportações dessa categoria.
Nos primeiros quatro meses de 2026, as exportações argentinas de bens alcançaram US$ 30,82 bilhões, alta de 21,5%, enquanto as importações totalizaram US$ 22,543 bilhões, queda de 6,4%. A balança comercial registrou superávit de US$ 8,277 bilhões, melhora significativa em relação a 2025, quando a Argentina teve saldo positivo de US$ 1,275 bilhão.
Para Coatz, o ponto-chave é aproveitar a entrada de dólares para formar reservas, fortalecer o Banco Central e reduzir os juros de forma mais ousada para estimular a atividade produtiva.
Em relação aos parceiros comerciais da Argentina, as exportações para o Brasil aumentaram significativamente, embora a balança comercial tenha permanecido negativa em US$ 177 milhões. A China, por sua vez, mais que dobrou suas compras da Argentina, mas ainda registrou superávit de US$ 706 milhões, apesar da queda das compras argentinas do gigante asiático. A União Europeia e os Estados Unidos ficaram em terceiro e quarto lugares, respectivamente, sendo que os EUA deixaram a Argentina com um superávit de US$ 355 milhões.
Por Paula Urien, para o La Nación.
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